Há seis anos, o mercado global de energia registrava um episódio inédito. Em meio à guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita e à queda da demanda causada pela pandemia, o contrato do petróleo WTI nos Estados Unidos chegou a operar com preço negativo.
No dia 20 de abril de 2020, o mercado de petróleo viveu um dos episódios mais marcantes de sua história recente. O contrato futuro do petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência para o mercado norte-americano, chegou a operar com preço negativo, refletindo o excesso de oferta e a forte queda na demanda global por energia.
O movimento ocorreu em um momento de grande turbulência nos mercados internacionais. A pandemia de Covid-19 reduzia drasticamente o consumo de combustíveis, enquanto uma disputa entre Rússia e Arábia Saudita ampliava a oferta global da commodity.
Guerra de preços ampliou a pressão sobre o petróleo
A crise começou semanas antes, após uma reunião da OPEP+, aliança que reúne países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e produtores aliados.
Na ocasião, a Rússia rejeitou uma proposta para ampliar os cortes na produção de petróleo com o objetivo de sustentar os preços da commodity. Em resposta, a Arábia Saudita decidiu aumentar a produção e reduzir os preços de venda para clientes internacionais.
A decisão deu início a uma disputa direta entre dois dos maiores produtores globais de petróleo, intensificando a oferta em um momento em que a demanda já estava em forte queda devido às restrições econômicas provocadas pela pandemia.
Queda nas cotações e excesso de oferta
Com o aumento da produção e a retração do consumo global, o mercado passou a enfrentar um cenário de excesso de petróleo disponível.
Nesse ambiente, os preços registraram quedas rápidas. O petróleo WTI chegou a cair cerca de 34%, enquanto o Brent recuou cerca de 24% em poucas semanas.
O ponto mais dramático ocorreu em 20 de abril de 2020, quando o contrato futuro do WTI negociado nos Estados Unidos passou a operar em território negativo. Na prática, vendedores chegaram a pagar para se desfazer dos contratos, diante da falta de capacidade de armazenamento da commodity.
Impactos nos mercados globais
A queda abrupta do petróleo ampliou a volatilidade nos mercados financeiros e pressionou empresas do setor de energia em diversas regiões do mundo.
Companhias petrolíferas enfrentaram forte queda nas ações, enquanto países exportadores viram suas receitas com a commodity diminuir. Ao mesmo tempo, o episódio reforçou a sensibilidade do mercado de energia a choques simultâneos de oferta e demanda.
O acordo para estabilizar o mercado
Após semanas de turbulência, Rússia e Arábia Saudita voltaram a negociar dentro da OPEP+. Em abril de 2020, o grupo anunciou cortes recordes na produção de petróleo, em uma tentativa de equilibrar o mercado global.
O acordo ajudou a reduzir a pressão sobre os preços e marcou o fim da disputa entre os dois países.
Seis anos depois, o episódio de 20 de abril de 2020 continua sendo lembrado como um dos momentos mais dramáticos da história recente do mercado de commodities.

