BM&C NEWS
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • COLUNAS
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • COLUNAS
Sem resultado
Veja todos os resultados
BM&C NEWS
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • COLUNAS

Margaret Thatcher e o crepúsculo do indivíduo

Vandyck SilveiraPor Vandyck Silveira
18/12/2025

Houve um momento — breve, luminoso e irrepetível — em que o Ocidente parecia recordar o que o havia tornado grande: coragem moral, responsabilidade individual, disciplina fiscal e a dignidade de um Estado que sabe quando recuar. Esse momento tem nome e sobrenome: os anos 1980.

E tinha três protagonistas centrais: Ronald Reagan em Washington, João Paulo II em Roma e Margaret Thatcher em Londres. Uma tríade moral. Uma muralha civilizacional. Uma arquitetura intelectual e espiritual capaz de conter o avanço do coletivismo e reerguer a confiança na liberdade.

No vértice mais afiado desse triângulo estava ela — Margaret Thatcher, a Dama de Ferro, que não apenas governou, mas refundou o Reino Unido sobre bases liberais que hoje soam heréticas. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, o Brasil continuava — como sempre — sendo a prova viva de que a ausência de convicções custa caro.

A heresia estrutural: o indivíduo acima do Estado

Thatcher não governou apenas um país — ela governou uma ideia. E essa ideia era simples, brutal e elegantemente libertadora: o indivíduo importa mais que o Estado.

Na frase que escandalizou progressistas, sindicalistas, estatistas e boa parte dos parasitas profissionais de seu tempo, ela decretou:

“There is no such thing as society.”

Não era desprezo pelos vulneráveis — era a mais honesta denúncia já feita ao coletivismo preguiçoso que terceiriza responsabilidades à ficção do “nós”. Era, sobretudo, a reafirmação de que liberdade exige autonomia. E autonomia exige coragem moral.

Foi o maior manifesto liberal desde Adam Smith — e, como todos os grandes manifestos liberais, foi imediatamente deturpado pelos eternos advogados do Estado máximo.

O Reino Unido falido — o diagnóstico que o Brasil evita há 40 anos

Quando Thatcher assume em 1979, o Reino Unido é um paciente terminal.

Inflação fora de controle, greves intermináveis, estatais sugando recursos, produtividade em queda, chantagem sindical, crescimento anêmico e uma cultura política baseada na ideia de que o Estado resolve tudo. Era a “argentinização” britânica em marcha.

Poderia ser o diagnóstico do Brasil em praticamente qualquer período recente. A diferença é que, onde nós escolhemos empurrar com a barriga, Thatcher escolheu amputar para salvar o corpo inteiro.

A guerra contra o rent-seeking

Muito antes de a teoria da Public Choice virar modinha acadêmica, Thatcher já aplicava sua essência com bisturi político.

Leia Mais

London Aquatics Centre, o edifício de Zaha Hadid com telhado em forma de onda

Com visual que lembra uma onda gigante, o edifício assinado por Zaha Hadid chamou atenção pela estrutura ousada

23 de maio de 2026
Fundada pelos romanos, essa capital é eleita há 10 anos seguidos a melhor cidade do mundo

Fundada pelos romanos, essa capital é eleita há 10 anos seguidos a melhor cidade do mundo

1 de maio de 2026

O princípio é simples: Estado grande é presa fácil. Onde há muito Estado, há muita captura. Onde há captura, há parasitismo institucional.

Ela enfrentou sindicatos que se comportavam como máfias, estatais que funcionavam como poços de privilégios, corporações treinadas para competir em Brasília, não no mercado, e burocracias instaladas como aristocracias permanentes.

E, para horror de muitos, venceu. Não com discursos suaves, mas com enfrentamento direto, reformas duras e uma convicção inabalável de que o Estado não existe para proteger interesses organizados, mas para garantir um ambiente de liberdade para indivíduos produtivos.

As privatizações — o número que importa hoje

Durante seus onze anos no poder, Thatcher conduziu a maior transferência de ativos públicos para mãos privadas da história ocidental.

À época, o valor arrecadado com as privatizações ultrapassou £29 bilhões. Mas esse número, lido cru, engana: ele pertence a outra época, a outra escala de preços, a outro mundo.

Corrigindo esse montante pela inflação britânica desde meados dos anos 1980, chegamos a algo em torno de £112 bilhões em libras de hoje. Trazidos para dólares, usando a taxa de câmbio atual aproximada, isso equivale a cerca de US$150 bilhões.

Ou seja, Thatcher não mexeu em trocados: ela redesenhou o balanço de poder na economia britânica. É como se um país do porte do Brasil pegasse algo próximo de 15% do seu PIB e movesse, de uma vez, das mãos do Estado para as mãos da sociedade e do mercado.

Não é exagero dizer que Thatcher recriou o capitalismo britânico contemporâneo.

Da estagnação à modernidade

As reformas de Thatcher — desregulação financeira, reformas trabalhistas, disciplina fiscal, privatizações e combate aberto a privilégios — tiraram o Reino Unido do leito de hospital e recolocaram o país na pista de competição global.

Londres, que parecia envelhecida, voltou a se transformar no maior centro financeiro da Europa e em um dos maiores do mundo. Empresas voltaram a investir, a produtividade reagiu e a lógica de mérito começou a transportar gente real da periferia do sistema para o centro do jogo econômico.

Tudo isso, claro, cobrou um preço. Houve desemprego, houve dor, houve regiões que sofreram com o fim de indústrias ineficientes. Thatcher não prometeu milagre indolor; prometeu liberdade com responsabilidade. E cumpriu.

A tríade que derrotou a URSS

No tabuleiro geopolítico, a parceria com Ronald Reagan e João Paulo II formou uma tríade ideológica devastadora contra o socialismo real.

Reagan apertou o gatilho econômico. João Paulo II ofereceu o cimento espiritual. Thatcher entregou o núcleo racional da coisa: a clareza de que o socialismo não era apenas ineficiente — era moralmente falido.

Sua frase mais repetida é quase um teorema moral e econômico ao mesmo tempo: “The problem with socialism is that you eventually run out of other people’s money.”

A União Soviética ruiu exatamente por isso: vivia de dinheiro alheio — interno e externo —, de repressão e de ficções estatísticas. Quando a realidade finalmente se impôs, não havia mais nada para redistribuir, nem riqueza, nem esperança.

O Brasil como contraexemplo perfeito

Se Thatcher representa o triunfo da responsabilidade individual, o Brasil é o contraexemplo perfeito.

Hoje, 59 milhões de brasileiros — algo como 27% da população — recebem transferências diretas de renda. Se somarmos as diferentes modalidades de benefícios, auxílios e mecanismos de proteção, chegamos a um país em que praticamente metade da população, de uma forma ou de outra, depende de um cheque do Estado.

E, como num passe de mágica estatística, o desemprego atinge mínimos históricos justamente quando a economia cresce pouco e a produtividade mal se mexe. Não é milagre; é truque contábil: se milhões desistem de procurar trabalho formal porque a alternativa é a dependência estatal, a taxa oficial de desemprego cai, mas a realidade social não melhora.

Da ditadura ao lulismo, passando pelo cruzamento bizarro entre social-democracia tímida e patrimonialismo escancarado, o Brasil optou por um modelo em que governar significa distribuir, não libertar. Em que reformar significa criar mais programas, não cortar privilégios. Em que qualquer tentativa séria de redução do Estado é tratada como crime de lesa-pátria.

Aqui não se combate rent-seeking; ele é política pública. Corporações estatais, burocracias, grupos organizados de pressão, castas do funcionalismo e empresários dependentes do BNDES formam uma espécie de condomínio nacional instalado no Orçamento.

O liberalismo que precisamos — e quase ninguém tem coragem de defender

O mundo contemporâneo oscila entre duas tentações igualmente tóxicas: de um lado, o welfare state hipertrofiado, que transforma cidadãos em dependentes permanentes; de outro, a direita identitária e protecionista, que promete ordem mas entrega Estado grande com bandeira trocada.

A única alternativa minimamente séria — moralmente defensável e economicamente sustentável — é o liberalismo democrático centrado no indivíduo.

Não o liberalismo envergonhado, que pede desculpas por existir. Não o liberalismo de boutique, que adora causas simpáticas, mas foge do tema espinhoso da responsabilidade. Muito menos o liberalismo tecnocrático, que se esconde atrás de planilhas.

Falo do liberalismo que devolve às pessoas propriedade, autonomia, mérito, risco e recompensa. O liberalismo que trata adultos como adultos. O liberalismo que sabe que igualdade real é a igualdade perante a lei, não a igualdade de resultados produzida à força.

Foi esse liberalismo que Margaret Thatcher encarnou com todas as letras.

O epitáfio do Ocidente — e o chamado ao debate

O Reino Unido pós-Thatcher traiu grande parte do seu próprio legado: voltou a flertar com o protecionismo, inflou novamente o Estado de bem-estar, mergulhou no Brexit sem bússola e deixou a disciplina liberal escorrer pelos dedos.

O Brasil, por sua vez, nunca teve um legado liberal de verdade para trair. Nunca tivemos uma revolução institucional comparável. Nunca fomos capazes de encarar de frente a pergunta que Thatcher respondeu com clareza brutal: quem é o protagonista da história, o Estado ou o indivíduo?

É por isso que este texto não é um exercício de nostalgia, nem uma fantasia conservadora. É uma defesa explícita da ordem liberal como condição de sobrevivência de qualquer democracia que ainda se leve a sério.

Thatcher não foi perfeita. Fez inimigos, gerou dor, criou vencedores e perdedores. Mas preferiu lidar com as consequências da liberdade a administrar a miséria da servidão estável.

Porque, no fim, a liberdade não é só um sistema econômico: é um juízo moral sobre o lugar do indivíduo no mundo.

Enquanto continuarmos presos a Estados hipertrofiados, líderes paternalistas e populações seduzidas pelo conforto fácil da dependência, estaremos não apenas traindo Thatcher — estaremos traindo a nós mesmos.

Este é o debate que precisa incomodar. E é exatamente por isso que precisa ser feito.

*As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.

Margaret Thatcher e o crepúsculo do indivíduo. Créditos: depositphotos.com / gracethang

Margaret Thatcher e o crepúsculo do indivíduo. Créditos: depositphotos.com / gracethang

Tags: estadoLONDRES

Notícias

IPCA-15 DE AGOSTO

Conta de luz puxa inflação para baixo em agosto; veja o que ficou mais barato

26 de agosto de 2026

Eleições 2026: TSE mantém tetos de gastos de 2022

Ibovespa fecha com leve baixa, com Petrobras e Itaú; Vale sobe

Endividamento segue no maior patamar da série histórica e famílias continuam no limite financeiro

Krugman critica tarifa dos EUA e diz que Pix virou alvo de disputa comercial

Economia cresce 0,7% em maio, puxada por consumo das famílias, diz FGV

FOCUS
ECONOMIA

Selic trava entre pressões externas e efeitos pontuais no IPCA

8 de setembro de 2026
Foto: Marcos Oliveira Agência Senado
NACIONAL

“Verdade prevalecerá”, diz número 2 da PF após afastamento de Andrei 

8 de setembro de 2026
Fabio Ongaro

Comprar ou assinar? Locação de longo prazo ganha espaço no mercado automotivo brasileiro

8 de setembro de 2026
Entrada da sede da B3, em São Paulo, com o logotipo da Bolsa brasileira em destaque no saguão.
ECONOMIA

Com aposta em Selic menor, Bank of America eleva recomendação para ações do Brasil

8 de setembro de 2026

Leia Mais

  • Análises
  • ECONOMIA
  • MERCADOS
FOCUS

Selic trava entre pressões externas e efeitos pontuais no IPCA

8 de setembro de 2026

A trajetória descendente da Selic segue bloqueada por um conjunto de pressões que vai muito além da política doméstica. Em...

Entrada da sede da B3, em São Paulo, com o logotipo da Bolsa brasileira em destaque no saguão.

Com aposta em Selic menor, Bank of America eleva recomendação para ações do Brasil

8 de setembro de 2026

BofA muda Brasil de posição neutra para overweight e projeta Selic a 11,25% no fim de 2027; queda mais profunda...

Cesta de compras com frutas e outros produtos em corredor de supermercado.

IGP-DI sobe 0,06% em agosto após queda de 0,86% em julho

8 de setembro de 2026

Índice da FGV ficou próximo da estabilidade no mês, com alta dos preços agropecuários no atacado e queda no componente...

banco central selic

Focus reduz IPCA de 2026 para 5%, mas mantém Selic em 13,75%

8 de setembro de 2026

Relatório do Banco Central mostra inflação ligeiramente menor para este ano, estabilidade no câmbio e manutenção das projeções para juros...

Unidade da Embraer, em Dallas, nos EUA (Foto Divulgação/Embraer)

BrasilAgro tem prejuízo, 3corações compra Yoki e Kitano e Embraer vende jatos no Japão

4 de setembro de 2026

A BrasilAgro registrou prejuízo líquido de R$ 13,9 milhões no quarto trimestre da safra 2025/26, encerrado em 30 de junho....

Presidente do STF, Edson Fachin, em plenário do Supremo.

Fachin cobra explicações de Moraes, Mendonça, PGR e Polícia Federal em meio à crise no STF

4 de setembro de 2026

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou que quatro personagens diretamente envolvidos na crise relacionada às investigações do...

cni pib

PIB cresce 0,5%, mas consumo das famílias recua e investimento cai

4 de setembro de 2026

O crescimento de 0,5% do PIB brasileiro pode estar escondendo sinais de fragilidade muito mais profundos do que a superfície...

Datafolha acirra disputa entre Lula e Flávio e mantém mercado de olho no “trade eleitoral”

3 de setembro de 2026

A nova pesquisa Datafolha reforçou nesta quinta-feira (3) a percepção de uma disputa mais acirrada pela Presidência da República em...

Nestle noticias corporativas

Nestlé investirá R$ 2 bi no Brasil, PRIO reduz produção e CSN troca CEO após 24 anos

3 de setembro de 2026

A Nestlé anunciou investimento de R$ 2 bilhões até 2028 na divisão de nutrição e saúde no Brasil. O plano...

fazenda

Pagamentos viram arma contra bets ilegais, e governo mira bancos e fintechs

2 de setembro de 2026

Em junho de 2026, o governo anunciou que instituições financeiras deverão bloquear recursos pertencentes a bets ilegais. Na mesma ocasião,...

Quem somos

A BM&C News é um canal multiplataforma especializado em economia, mercado financeiro, política e negócios. Produz conteúdo jornalístico ao vivo e sob demanda para TV, YouTube e portal digital, com foco em investidores e executivos.

São Paulo – Brasil

Onde assistir

Claro TV+ – canal 547
Vivo TV+ – canal 579
Oi TV – canal 172
Samsung TV Plus – canal 2053
Pluto TV

Contato

Redação:
redacao@bmcnews.com.br

Comercial:
comercial@bmcnews.com.br

Anuncie na BM&C News

A BM&C News conecta marcas a milhões de investidores através de TV, YouTube e plataformas digitais.

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AGENDAS BM&C
    • BRASIL PRODUTIVO
      • Inovação travada
    • CONTA BRASIL
      • Combustível Brasil
    • BRASIL QUE INOVA
    • BRASIL QUE EMPREENDE
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • ELEIÇÕES 2026
  • EMPRESAS E NEGÓCIOS
  • CASO MASTER
  • PETRÓLEO E ENERGIA
  • INTERNACIONAL
  • PROGRAMAS BM&C
    • BM&C BUSINESS
    • BM&C STRIKE
    • BM&C TALKS
    • BM&C VISÕES
    • CONEXÃO SEGURA
    • GLOBAL WALLET
    • LEADERS CONNECTION
    • MANHATTAN CONNECTION
    • MANIFESTE-SE
    • MERCADO & BEYOND
    • MONEY REPORT
    • NEW DEAL
    • PAINEL BM&C
    • PAPO DE DINHEIRO
    • RAV SANY
    • REPCAST
    • ROTA FÁCIL
    • SMART MONEY
    • WALL STREET CAST
  • CANNES LIONS
  • BRAZILIAN WEEK 2026
  • OPINIÃO
    • ALUIZIO FALCÃO FILHO
    • BRUNO CORANO
    • CARLOS HONORATO
    • ESTEVÃO SECCATTO
    • FABIO ONGARO
    • FABRIZIO GUERATTO
    • FRANCISCO ALVES
    • LIANE GARCIA
    • MARCO SARAVALLE
    • MARCUS VINÍCIUS DE FREITAS
    • MIGUEL DAOUD
    • RENATO BATISTA
    • RUI DAS NEVES
    • VANDYCK SILVEIRA

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.