BM&C NEWS
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • COLUNA
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • COLUNA
Sem resultado
Veja todos os resultados
BM&C NEWS
Sem resultado
Veja todos os resultados

Choque do petróleo: quando a alta do barril pode realmente pesar no bolso das empresas brasileiras

Fabio OngaroPor Fabio Ongaro
12/03/2026

A recente escalada do preço do petróleo, que levou o barril Brent a ultrapassar novamente a marca de US$ 100, reacendeu um alarme global. Analistas, empresários e governos voltaram a discutir inflação, custos logísticos e margens empresariais comprimidas. No Brasil, a reação inicial também foi imediata: a expectativa de que diesel mais caro pressionará fretes, alimentos e produção industrial.

Mas antes de concluir que um choque energético produzirá impactos severos na economia brasileira, é necessário observar um elemento frequentemente ignorado nas análises apressadas: o tempo de transmissão do preço do petróleo ao longo da cadeia econômica.

Entre o aumento do Brent no mercado internacional e o custo efetivo pago por empresas brasileiras existe um ciclo relativamente longo. O petróleo bruto precisa ser comprado, refinado, transformado em derivados, distribuído e então consumido. Nesse percurso, estoques e contratos criam uma espécie de amortecedor natural.

No setor de combustíveis, os estoques logísticos costumam cobrir entre 20 e 40 dias de consumo. Isso significa que uma alta abrupta no preço do barril hoje pode demorar semanas para chegar integralmente ao preço do diesel utilizado por transportadoras e empresas agrícolas.

Essa defasagem é crucial para avaliar se um choque de preços terá impacto real ou se será apenas um episódio momentâneo nos mercados financeiros.

Leia Mais

O maior navio do mundo em deslocamento, construído pela empresa suíço-holandesa Allseas, redefiniu completamente o que a engenharia offshore achava que era possível

O navio de um milhão de toneladas que tem uma fenda de 122 metros na proa e levanta 60 mil toneladas do fundo do mar como se fosse um peso de academia

22 de abril de 2026
GUERRA NO IRÃ (2)

Guerra no Irã: Estreito de Ormuz volta a fechar e aumenta risco para petróleo e economia global

20 de abril de 2026

 

Outro elemento relevante são as reservas estratégicas de petróleo, utilizadas por vários países para suavizar crises temporárias de oferta. Estados Unidos, Europa e China possuem estoques governamentais capazes de liberar milhões de barris por dia em caso de interrupções no fluxo global. Essas reservas não resolvem crises estruturais, mas podem reduzir significativamente o efeito de choques de curta duração.

O ponto central da atual tensão geopolítica precisa ser analisado sob essa perspectiva temporal. Se um bloqueio ou interrupção durasse poucos dias, o mercado tenderia a reagir de forma especulativa, elevando temporariamente os preços futuros. Mas o impacto na economia real seria limitado.

A situação muda se a interrupção persistir por um período mais longo. Quarenta dias é um ponto crítico, porque ultrapassa o ciclo médio de estoques na cadeia energética. A partir desse momento, refinarias precisariam comprar petróleo mais caro de forma consistente, e os repasses se tornariam inevitáveis.

No caso brasileiro, há ainda um elemento adicional: a política de preços da Petrobras. Desde 2023, a empresa abandonou o modelo rígido de Paridade de Importação (PPI), que replicava automaticamente as cotações internacionais no mercado doméstico. O modelo atual considera referências internacionais, mas permite ajustes mais graduais.

Na prática, isso funciona como um amortecedor de curto prazo. A Petrobras pode atrasar repasses quando a volatilidade internacional é considerada transitória. Contudo, esse mecanismo não elimina o impacto, apenas o distribui no tempo.

Se o petróleo permanecer acima de US$ 100 por vários meses, a defasagem entre preços internacionais e domésticos se tornaria insustentável, obrigando a empresa a ajustar os valores dos combustíveis.

A pergunta relevante, portanto, não é apenas se o petróleo subiu, mas quanto tempo ele permanecerá elevado. Se esse cenário se consolidar, os setores mais expostos da economia brasileira são relativamente conhecidos.

O primeiro é o transporte rodoviário, responsável por cerca de 80% da movimentação de cargas no país. O diesel representa entre 30% e 40% do custo operacional das transportadoras. Um aumento de 20% no preço do diesel pode elevar o custo total do frete em aproximadamente 8% a 12%, dependendo da eficiência logística da empresa.

Esse impacto se espalha rapidamente pela economia, encarecendo alimentos, bens industrializados e insumos agrícolas. O agronegócio é outro setor sensível. Máquinas agrícolas dependem de diesel, e fertilizantes têm forte correlação com o mercado energético. O combustível representa cerca de 10% a 15% do custo operacional direto da produção agrícola, enquanto fertilizantes podem representar até 30% do custo total de algumas culturas.

A aviação também aparece entre os setores mais vulneráveis. O querosene de aviação costuma representar 25% a 35% do custo operacional das companhias aéreas, tornando o setor extremamente sensível a variações do petróleo.

Na indústria, o impacto é mais difuso. Setores petroquímicos, como produção de resinas, plásticos e fibras sintéticas, dependem diretamente de derivados do petróleo. Já setores industriais com alto consumo logístico sofrem principalmente pelo encarecimento do transporte.

Ainda assim, o peso do petróleo no custo final de muitos produtos é menor do que frequentemente se imagina. Em vários bens industriais e alimentos, a energia representa apenas 3% a 10% do preço final.

Isso significa que um choque de petróleo, mesmo significativo, raramente se traduz em aumentos proporcionais no preço ao consumidor. Por isso, o verdadeiro teste para a economia brasileira não é a intensidade momentânea do choque, mas sua duração.

Se o aumento atual for apenas uma reação geopolítica temporária, o impacto econômico será limitado. Mas se o barril permanecer elevado por meses, então sim, empresas brasileiras precisarão enfrentar um ambiente de custos energéticos estruturalmente mais altos. Até lá, convém evitar diagnósticos apressados. O mercado reage em minutos. A economia real reage em semanas.

*Coluna escrita por Fabio Ongaro, economista, empresário italiano no Brasil e CEO da Energy Group  

As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.

Leia mais colunas do autor aqui.

Créditos: depositphotos.com / addictivestock

Créditos: depositphotos.com / addictivestock

Leia

Senado derruba veto de Lula ao PL da Dosimetria; texto segue para promulgação

Simples exigirá nota fiscal nacional única a partir de setembro

Brasil mantém 2º maior juro real do mundo, aponta ranking da MoneYou

Irani, Motiva e Iguatemi movimentam balanços e anúncios corporativos

Comitê do Senado dos EUA aprova indicação de Kevin Warsh ao Fed

IGP-M dispara 2,73% em abril e registra maior alta mensal em cinco anos

juros reais
ECONOMIA

Brasil mantém 2º maior juro real do mundo, aponta ranking da MoneYou

30 de abril de 2026

O Brasil segue entre os países com maior juro real do mundo. Segundo o Ranking Mundial de Juros Reais, elaborado...

Leia maisDetails
Chair do Fed, Jerome Powell
ECONOMIA

Fed deve manter juros na última reunião de Powell em meio a guerra e pressão inflacionária

29 de abril de 2026

A última reunião do Federal Reserve sob a presidência de Jerome Powell começou nesta terça-feira (28) e deve reforçar um...

Leia maisDetails
Fotos produzidas pelo Senado
POLÍTICA

Senado derruba veto de Lula ao PL da Dosimetria; texto segue para promulgação

30 de abril de 2026
PAPO DE DINHEIRO

Investidor brasileiro ainda poupa, mas investe pouco, aponta Anbima

30 de abril de 2026
Créditos: depositphotos.com / Mehaniq
Empresas

Simples exigirá nota fiscal nacional única a partir de setembro

30 de abril de 2026
juros reais
ECONOMIA

Brasil mantém 2º maior juro real do mundo, aponta ranking da MoneYou

30 de abril de 2026

Leia Mais

Fotos produzidas pelo Senado

Senado derruba veto de Lula ao PL da Dosimetria; texto segue para promulgação

30 de abril de 2026

O Senado Nacional derrubou, nesta quinta-feira (30), o veto de Lula ao Projeto de Lei 2.162/2023, conhecido como PL da Dosimetria....

Investidor brasileiro ainda poupa, mas investe pouco, aponta Anbima

30 de abril de 2026

O número de investidores no Brasil avança, o acesso aos produtos financeiros aumentou e a digitalização reduziu barreiras de entrada....

Créditos: depositphotos.com / Mehaniq

Simples exigirá nota fiscal nacional única a partir de setembro

30 de abril de 2026

As micro e pequenas empresas enquadradas no Simples Nacional terão que emitir notas fiscais de serviço por um sistema único...

juros reais

Brasil mantém 2º maior juro real do mundo, aponta ranking da MoneYou

30 de abril de 2026

O Brasil segue entre os países com maior juro real do mundo. Segundo o Ranking Mundial de Juros Reais, elaborado...

Foto: Divulgação

GLP-1: BTG vê upside de 58% para Pague Menos

30 de abril de 2026

A Pague Menos inicia 2026 em um novo ciclo após avançar na reestruturação e no ajuste do balanço. O BTG...

LULA E JORGE MESSIAS

Em decisão histórica, Senado rejeita nome de Jorge Messias ao STF

30 de abril de 2026

A rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um novo impasse político para o governo Luiz Inácio...

carteira de trabalho

Desemprego fica em 6,1% no 1º trimestre, menor taxa para o período desde 2012

30 de abril de 2026

A PNAD Contínua mostrou que a taxa de desocupação no Brasil ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março de...

Irani, Motiva e Iguatemi movimentam balanços e anúncios corporativos

30 de abril de 2026

A temporada de balanços corporativos do primeiro trimestre de 2026 trouxe novos dados para o mercado financeiro acompanhar nesta quinta-feira...

jorge messias

“Não é simples, mas Senado é soberano”, diz Messias após rejeição

30 de abril de 2026

Em sua primeira manifestação após ter o nome rejeitado para o Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou...

BANCO CENTRAL

Copom reduz Selic para 14,5% e indica cautela com inflação

30 de abril de 2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (29) reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto...

Veja mais

Quem somos

A BM&C News é um canal multiplataforma especializado em economia, mercado financeiro, política e negócios. Produz conteúdo jornalístico ao vivo e sob demanda para TV, YouTube e portal digital, com foco em investidores e executivos.

São Paulo – Brasil

Onde assistir

Claro TV+ – canal 547
Vivo TV+ – canal 579
Oi TV – canal 172
Samsung TV Plus – canal 2053
Pluto TV

Contato

Redação:
[email protected]

Comercial:
[email protected]

Anuncie na BM&C News

A BM&C News conecta marcas a milhões de investidores através de TV, YouTube e plataformas digitais.

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.

Bem-vindo!

Faça login na conta

Lembrar senha

Retrieve your password

Insira os detalhes para redefinir a senha

Conectar

Adicionar nova lista de reprodução

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • COLUNA

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.