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Ranking revela os 20 maiores FIDCs do Brasil e o avanço da Desbancarização do Crédito

Levantamento com dados públicos da CVM mostra gestores e consultores que concentram os maiores patrimônios líquidos e revela como o crédito estruturado avança em meio a juros elevados e maior seletividade bancária

Redação BM&C NewsPor Redação BM&C News
20/03/2026

Em um ambiente marcado por juros elevados no Brasil e maior volatilidade na economia global, o mercado de crédito tem passado por uma reorganização relevante. A combinação de política monetária restritiva, incertezas geopolíticas e mudanças no fluxo internacional de capital tornou o crédito bancário mais seletivo. Ao mesmo tempo, investidores passaram a buscar estruturas capazes de oferecer retornos superiores ao CDI e maior diversificação de risco.

 

Nesse contexto, os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) multicedente/multissacado ganharam protagonismo como alternativa de financiamento e investimento. Com estruturas que conectam diretamente investidores a carteiras de recebíveis empresariais, esses fundos ampliam o acesso ao capital e criam novas possibilidades de alocação. Nesse cenário, o patrimônio líquido (PL) se consolida como um dos principais indicadores para medir a escala e a robustez dessas estruturas, refletindo tanto a confiança dos investidores quanto a capacidade operacional alcançada pelos gestores.

 

Um levantamento recente realizado pela Gueratto Press, assessoria de imprensa especializada em Economia & Negócios, a partir dos dados públicos da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) referentes aos primeiros meses de 2026, identificou os 20 maiores gestores e consultores de FIDCs multicedente/multissacado do Brasil com base em seus patrimônios líquidos. A comparação com o estudo anterior, realizado em julho de 2025, evidencia a expansão e o avanço da maturidade do setor. Liderando o ranking está a RED Asset, com R$ 6,2 bilhões em patrimônio líquido, o que representa um crescimento de 8,32% em relação ao levantamento anterior, realizado em julho de 2025.

A gestora se destaca pela forte atuação em fundos de crédito estruturados e diversificação de produtos. Em segundo lugar aparece a Multiplike, com R$ 4,5 bilhões em patrimônio líquido e crescimento de 22,88% na comparação com o estudo de julho de 2025. A empresa combina a gestão de recursos com a estruturação de operações de alto ticket, com foco em eficiência tecnológica e atendimento personalizado. Logo atrás está a Multiplica, com patrimônio líquido de R$ 3,3 bilhões, avanço de 13,79% frente ao último levantamento.

 

Completam o top 5 instituições como o Athenabanco, com R$ 3,1 bilhões, e o Grupo Sifra, com R$ 2,8 bilhões em patrimônio líquido. Na sequência do ranking aparecem ainda o Invista Crédito e Investimentos, com R$ 2,6 bilhões; a ASA, também com R$ 2,6 bilhões; a IOX/IOSAN, com patrimônio líquido de R$ 2,2 bilhões; a SRM, com R$ 1,4 bilhão; e a BS Factoring, igualmente com R$ 1,4 bilhão. O levantamento inclui ainda outras gestoras relevantes no mercado de FIDCs multicedente/multissacado, como Gávea Securitizadora, ML Bank/Grupo Sarfaty, Golden Asset/AR3 Capital (ASIA), Somacred Consultoria, Soma Asset, Del Monte Factoring Fomento Mercantil, ViaInvest, SB Crédito, Continental e Stars Bank, reforçando a amplitude do mercado e evidenciando o avanço da sofisticação e da escala do ecossistema de FIDCs no Brasil desde o último estudo, divulgado em julho de 2025.

 

O crescimento acelerado desses fundos está fortemente vinculado à expansão dos FIDCs como instrumentos de financiamento alternativo. Permitem que investidores financiem diretamente carteiras de recebíveis empresariais, criando uma ponte eficiente entre capital e empresas – especialmente em tempos de juros elevados. Com estruturas flexíveis, mecanismos de mitigação de risco (como subordinação de cotas e garantias reais) e maior transparência, os FIDCs oferecem retornos mais atrativos do que os produtos tradicionais de renda fixa. Para os investidores, representam uma alternativa estratégica que alia segurança e rentabilidade, sobretudo quando contam com boa governança e ratings elevados.

 

Para as empresas, são uma forma mais ágil e adequada de captação, muitas vezes mais vantajosa que o crédito bancário. De acordo com Fabrizio Gueratto, CEO da Gueratto Press, a comparação entre crédito bancário e operações estruturadas exige olhar além da taxa nominal. “No sistema bancário tradicional, a taxa divulgada muitas vezes não reflete o custo total da operação. Tarifas, seguros, prazos de liberação e encargos adicionais acabam elevando o custo efetivo para as empresas. Nos FIDCs, a estrutura tende a ser mais transparente e previsível, porque a operação é desenhada diretamente sobre a carteira de recebíveis”, afirma.

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Segundo ele, esse modelo também tem atraído investidores que buscam retorno acima dos produtos tradicionais de renda fixa, combinando rentabilidade potencialmente mais elevada com estruturas de proteção e governança que ajudam a reduzir riscos. O crédito, que antes era dominado quase exclusivamente pelos grandes bancos, está agora mais democratizado e acessível, por meio de fundos e estruturas sofisticadas que aproximam quem precisa de capital, de quem busca retorno.

 

Essa transformação tende a se intensificar nos próximos anos, impulsionada pela digitalização do mercado, expansão do crédito para setores como agronegócio, construção civil e infraestrutura e maior apetite por risco. Os gestores/ consultores de FIDCs M.M listados no ranking já demonstram estar a frente desse novo ciclo, com operações sólidas, estratégias inovadoras e um papel cada vez mais central na modernização do sistema financeiro nacional.

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