Os mercados globais iniciam esta quarta-feira (14) sob um ambiente de maior cautela, com os investidores atentos à agenda econômica dos Estados Unidos, ao agravamento da crise política e social no Irã e aos desdobramentos do caso Banco Master no Brasil.
No exterior, o foco recai sobre a divulgação de indicadores importantes da economia americana, que ajudam a calibrar as expectativas para a trajetória dos juros pelo Federal Reserve. Às 10h30, serão conhecidos o Índice de Preços ao Produtor (IPP) de dezembro e os dados de vendas no varejo de novembro, incluindo o núcleo do indicador, que exclui itens mais voláteis. A expectativa do mercado é de alta de 0,4% nas vendas, após estabilidade no mês anterior.
Mais tarde, às 12h, saem os números de vendas de casas usadas em dezembro, enquanto, às 12h30, o Departamento de Energia divulga os estoques semanais de petróleo bruto, dados que influenciam diretamente o mercado de commodities e ações do setor de energia. O Livro Bege também será divulgado nesta quarta-feira. O relatório que reúne avaliações qualitativas da economia nos 12 distritos do banco central dos EUA.
Outro destaque relevante é a possível decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre as tarifas de Donald Trump.
Irã no radar dos mercados
No cenário internacional, a atenção também se volta para o Irã, onde protestos antigoverno já deixaram ao menos 2.003 mortos, segundo a organização Human Rights Activists (HRANA), sediada nos Estados Unidos. Do total, 1.850 eram manifestantes, além de civis e integrantes ligados ao governo. As manifestações começaram no fim de dezembro, impulsionadas pela inflação elevada e pela disparada nos preços de produtos básicos, como óleo de cozinha e frango, e evoluíram para um movimento de contestação ao regime.
A crise foi agravada após o banco central iraniano encerrar um programa de acesso a dólares subsidiados para importadores, o que provocou alta imediata de preços e fechamento de lojas. O governo respondeu com cortes no acesso à internet e às comunicações, enquanto a escalada de tensão gerou reações externas, incluindo ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e respostas duras do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Cenário doméstico acompanha desdobramentos do Banco Master
No Brasil, o mercado acompanha de perto os novos desdobramentos do caso Banco Master. A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (14), a segunda fase da Operação Compliance Zero, que volta a mirar a instituição financeira do empresário Daniel Vorcaro.
As investigações apuram a prática de crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Ao todo, 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridos nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Além das buscas, a operação inclui medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões. Segundo a PF, o objetivo é interromper a atuação da organização criminosa e recuperar ativos supostamente desviados.
O Banco Master já havia sido alvo de atenção do mercado após adotar uma estratégia agressiva de captação, oferecendo CDBs com rentabilidades muito acima da média. Para sustentar esses retornos, a instituição concentrou investimentos em ativos de alto risco e baixa liquidez, como precatórios e carteiras de crédito consignado.
Relatórios técnicos apontaram falhas graves em milhares de contratos de crédito, e o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025. Paralelamente, a Polícia Federal conduz a Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraude bilionária envolvendo manipulação contábil, emissão de títulos falsos e venda de carteiras de crédito fictícias. As investigações seguem em andamento e mantêm o tema no radar de investidores e reguladores.
Com esse conjunto de fatores, o dia tende a ser marcado por volatilidade moderada e maior seletividade, à medida que o mercado busca sinais mais claros sobre inflação, política monetária e riscos geopolíticos e institucionais.












