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Ibovespa volta a subir nesta quarta; Auxílio Brasil segue no radar

BMCNEWS Por BMCNEWS
10/01/2022
Em MERCADOS
Ibovespa, bolsa de valores brasileira
Foto: Reuters

Atualizado às 12h11

O Ibovespa voltou a subir no final da manhã desta quarta-feira (20). O índice valorizava 0,64%, aos 111.379 pontos. A tensão do mercado se volta para o risco do valor do Auxílio Brasil superar os R$ 400 e a chance de debandada da equipe de Guedes.

Entre as principais ações do índice, Petrobras opera em alta: ON (PETR3) sobe 1,39% (R$ 29,28) e PN (PETR4) +1,57% (R$ 28,45). Ontem, a estatal afirmou novamente que não está descumprindo contratos, conforme afirma um grupo de distribuidoras, segundo o qual a petroleira vem impondo cotas de fornecimento de gasolina e diesel.

Hoje, a companhia divulga seus dados de produção do terceiro TRI. Já Vale e siderúrgicas operam em terreno negativo, depois de o minério de ferro ter fechado estável em Quingdao (+0,02%, a US$ 124,07 a tonelada). Os papéis da mineradora (VALE3) recuam 1,84% (R$ 77,55), liderando as baixas do Ibovespa, enquanto Usiminas (USIM5) recua 1,28% (R$ 15,39); Gerdau (GGBR4) perde 1,01% (R$ 27,55); Metalúrgica Gerdau (GOAU4) -0,87% (R$ 12,49); CSN (CSNA3) -0,23% (R$ 25,61).

Eletrobras está entre as maiores altas do índice, depois de o Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI), do Ministério da Economia, ter aprovado a modelagem da privatização da companhia, que deve acontecer por meio de uma oferta primária de ações no 1TRI/22. Eletrobras ON (ELET3) subia 1,51% (R$ 39,74) e Eletrobras PNB (ELET6) +1,15% (R$ 39,71).

O principal índice da bolsa brasileira fechou a última terça-feira (19) em forte queda de 3,28%, cotado a 110.672,76 pontos.

Cenário interno

A notícia que o Auxílio Brasil de R$ 400 iria substituir o Bolsa Família em 2022, ano de eleições, fez a bolsa desabar mais de 3% e o dólar superar os R$ 5,60 ontem. O mercado reagiu negativamente pois a mudança deverá fazer com que o teto de gastos estipulado pelo governo seja ultrapassado – o valor fora do teto é estimado em R$ 30 bilhões pelo Ministério da Economia.

A mudança é vista como derradeira para o teto de gastos, criado em 2016 para servir de âncora para a trajetória dos gastos públicos e que entrou em vigor no ano seguinte.

Cenário externo:

As ações europeias tinham leve alta nesta quarta-feira, com os fortes resultados da Nestlé impulsionando papéis de empresas de alimentos e compensando os decepcionantes lucros de algumas companhias, incluindo o grupo de luxo francês Kering e a empresa de semicondutores holandesa ASML.

À medida que a temporada de lucros do terceiro trimestre se desenrola, investidores estão preocupados com o impacto dos custos mais altos, decorrentes de problemas na cadeia de abastecimento e escassez de mão de obra, especialmente num momento em que os bancos centrais de todo o mundo estão planejando retirar suas medidas de estímulo.

As ações asiáticas avançaram nesta quarta-feira, com o otimismo crescente sobre a economia global e os lucros corporativos, enquanto o iene caiu para uma mínima em quatro anos em relação ao dólar.

O índice MSCI para ações Ásia-Pacífico fora Japão subiu 0,5%, puxado por alta de 1,1% em Hong Kong.

Na China continental, o mercado foi prejudicado por dados mais fracos sobre o setor imobiliário.

“No início deste mês, a estagflação era a palavra da moda em Wall Street. Mas agora o pessimismo excessivo está diminuindo, especialmente após os fortes dados de vendas no varejo dos EUA na sexta-feira”, disse Norihiro Fujito, estrategista-chefe de investimentos da Mitsubishi UFJ Morgan Stanley Securities.

O iuan chinês se manteve firme, negociado a 6,3760 por dólar nas operações “offshore”, perto da máxima em quatro meses e meio de 6,3685 por dólar alcançada na terça-feira.

A moeda era ajudada pela melhora do sentimento depois de o banco central da China dizer que os efeitos colaterais dos problemas da dívida do China Evergrande Group eram controláveis.

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Nos Estados Unidos, os índices futuros das bolsas de Nova York tinham leve variação, após altas robustas nas últimas duas sessões, com grandes empresas reportando resultados acima das expectativas.

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Dólar:

O dólar recuava ante o real nesta quarta-feira, mas nem de perto ameaçava anular o forte ganho da véspera, com o mercado de câmbio ainda em modo conservador em meio a temores de ameaça à credibilidade fiscal depois de propostas de despesas fora do teto de gastos.

A moeda foi à mínima do dia –de 5,5568 reais, queda de 0,69%– após a divulgação do resultado da primeira oferta líquida de swap cambial tradicional desta sessão, na qual o Banco Central vendeu 500 milhões de dólares nesses derivativos.

O dólar à vista caía 0,67%, a 5,5583 reais na venda, às 10h13 (de Brasília), e chegou a zerar a queda mais cedo. Na B3, o dólar futuro de primeiro vencimento recuava 0,32%, a 5,5800 reais, após bater 5,6040 reais.

Na terça, a cotação no mercado à vista saltou 1,35%, a 5,5956 reais, máxima de fechamento desde 15 de abril (5,6276 reais). O real, mais uma vez, foi a moeda com pior desempenho do mundo.

Os juros futuros, que dispararam mais de 50 pontos-base na véspera, se estabilizavam, depois de mais cedo voltarem a subir cerca de 10 pontos-base.

O mercado segue em estado de tensão depois da liquidação dos ativos locais na véspera, quando o Ibovespa afundou mais de 3% após notícias de que o governo proporia bancar parte do novo Bolsa Família (Auxílio Brasil) com recursos fora do teto de gastos até o fim de 2022. Analistas disseram que seria a desmoralização do instrumento, visto como âncora fiscal do país.

O noticiário mais recente aponta que o Executivo poderia recorrer a um ajuste na PEC dos precatórios para viabilizar o Auxílio Brasil –a PEC pode ser votada em comissão especial nesta quarta.

Dificultando ainda mais a vida do ministro da Economia, Paulo Guedes, há quem diga que a reforma do Imposto de Renda –aposta inicial do ministro para financiar o Auxílio Brasil– não deve avançar no Senado até pelo menos o fim do governo atual.

A temperatura no mercado e em Brasília, assim, permanece elevada.

“De fato, a despeito das altas da Selic nos últimos meses, o fiscal parece que é o principal responsável pela contínua trajetória altista do dólar frente ao real”, disse Rafael Gabriel Pacheco, da Guide Investimentos.

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