A discussão sobre a presença feminina no topo das empresas começa a migrar do campo da diversidade para o da performance, governança e qualidade da tomada de decisão.
Um estudo recente da consultoria global Bain & Company aponta que empresas com mulheres na liderança podem registrar até 15% mais margem de lucro, além de ganhos em inovação, engajamento interno e atração de talentos. O dado reforça uma mudança de percepção no mercado: a diversidade no topo deixou de ser apenas simbólica e passou a ser associada à eficiência e aos resultados.
Foi sob essa ótica que se estruturou o primeiro painel do evento Mulheres no Comando, promovido pela APIMEC Brasil em São Paulo.
Sob mediação da CEO e âncora da BM&C News, Paula Moraes, o debate partiu de uma provocação central: liderança, no mercado, não se resume à ocupação de espaço, mas à presença efetiva nas mesas onde se decide capital.
Com o tema “Economia e Empresas”, o painel reuniu profissionais que atuam em diferentes pontos da cadeia de decisão: a economista da Arau Consultoria, Patrícia Palomo; a gerente de tesouraria da Gerdau, Andrea Diniz; a coordenadora de Relações com Investidores da SLC Agrícola, Alisandra Reis; Paula Reis, analista com atuação em investimentos alternativos; e Mara Limonge, vice-presidente executiva da APIMEC Brasil

A proposta foi conectar trajetória profissional e leitura de cenário à atuação prática em áreas críticas do mercado, como gestão de caixa, alocação de capital, relação com investidores e construção de patrimônio de longo prazo.
Na abertura da discussão, Patrícia Palomo destacou um ambiente macroeconômico mais desafiador, marcado por juros elevados, crédito mais restrito e menor previsibilidade para o crescimento das empresas. Nesse contexto, segundo a economista, a margem para erro nas decisões diminui, exigindo maior disciplina e leitura mais precisa do cenário.
Na visão corporativa, Andrea Diniz Ferreira trouxe a perspectiva da tesouraria em um setor diretamente impactado pelo ambiente internacional e pelas mudanças geopolíticas e comerciais, especialmente na indústria do aço. Segundo a executiva, a combinação de maior concorrência externa e incerteza global tem levado empresas a adotarem uma postura mais conservadora, com foco reforçado na gestão de caixa e na alocação de recursos.
Do lado do mercado, Alisandra Reis destacou que o investidor está mais exigente e seletivo, buscando compreender com maior profundidade a estratégia das companhias, a qualidade da alocação de capital e a consistência das decisões em um ambiente mais volátil. A leitura é de que disciplina financeira e clareza estratégica ganharam ainda mais relevância na percepção de valor.
No campo dos ativos alternativos, Paula Reis apontou que, apesar da volatilidade, o cenário também pode abrir oportunidades, desde que o investidor tenha clareza sobre risco, horizonte e, principalmente, timing de entrada e saída. A discussão trouxe os criptoativos para dentro da lógica de portfólio, como parte de uma estratégia de alocação, e não apenas como aposta especulativa.
Já Mara Limonge reforçou a importância da visão de longo prazo na construção patrimonial, destacando que, em momentos de maior incerteza, a consistência da estratégia tende a se sobrepor às reações de curto prazo. Para ela, a qualidade da decisão está cada vez mais ligada à capacidade de manter disciplina mesmo em cenários adversos.
Na sequência, o evento promoveu o painel “Governança e Mercados”, ampliando o debate para temas ligados à representatividade, liderança e ambiente institucional.
Mais do que uma agenda simbólica, o encontro evidenciou uma mudança relevante no mercado: a discussão sobre mulheres em posições de liderança já não se resume à ocupação de espaço, mas à influência real sobre decisões econômicas e estratégicas.
Ao promover esse tipo de debate, a APIMEC reforça seu papel na aproximação entre empresas, investidores e o mercado de capitais e evidencia que a presença feminina avança também nas áreas historicamente associadas à tomada de decisão financeira. Ao longo do painel, a discussão foi conduzida justamente a partir dessa ideia: mais do que ocupar espaço, a presença feminina no mercado passa também pela influência real sobre decisões de capital.
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