O Produto Interno Bruto do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, segundo os dados do IBGE, divulgados nesta sexta-feira (29). O resultado veio acima das expectativas do mercado e reforçou a leitura de que a economia iniciou o ano com mais força do que o esperado.
O desempenho foi impulsionado principalmente pela agropecuária, que avançou 2%, além da expansão da indústria e dos serviços. Pela ótica da demanda, o destaque ficou para o aumento dos investimentos e do consumo das famílias, sinalizando uma atividade ainda resiliente mesmo diante dos juros elevados.
Pontos-chave do PIB no 1º trimestre:
- A economia brasileira cresceu 1,1% ante o trimestre anterior;
Na comparação anual, o avanço foi de 1,8%;
A agropecuária subiu 2% e ajudou a puxar o resultado;
Serviços e consumo das famílias seguiram como pilares da atividade;
A formação bruta de capital fixo recuou 1,4% na comparação anual;
O resultado mantém atenção sobre inflação, juros e Banco Central.
PIB na comparação anual
Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB avançou 1,8%, sustentado pela força dos serviços, da agropecuária e do consumo das famílias. A produção agrícola foi favorecida por condições climáticas positivas e pela safra recorde de soja, enquanto o consumo continuou apoiado pelo crescimento da renda e pelo mercado de trabalho aquecido.
Apesar do resultado positivo, os dados mostram sinais mistos. A formação bruta de capital fixo, indicador que mede os investimentos produtivos, recuou 1,4% na comparação anual. O movimento reflete o impacto do ambiente de juros elevados sobre as decisões empresariais.
O quadro aponta para uma economia ainda em expansão, mas com desafios para ampliar investimentos e sustentar um ritmo mais forte nos próximos trimestres. Ao mesmo tempo, o crescimento acima do esperado ajuda a explicar a resistência da inflação e mantém o mercado atento aos próximos passos do Banco Central.
O que dizem os especialistas
Para Leonardo Costa, economista do ASA, o resultado veio em linha com as expectativa da casa, com um ponto de partida mais forte para a atividade doméstica em 2026.
“Os destaques positivos do trimestre, no entanto, foram em grande parte de caráter não estrutural, o setor agrícola se beneficiou de uma safra excepcional de soja e a Indústria Extrativa reflete a força da produção de petróleo e gás”, avalia.
Com isso, o economista destaca que é relevante observar que setores com dinâmica mais estrutural, como a Construção Civil, também mostraram crescimento robusto, o que é um sinal positivo para a tendência.
“Quanto ao impacto do conflito no Oriente Médio e do choque do preço do petróleo sobre a atividade doméstica, a queda de 0,7% no setor de Transportes em Serviços é consistente com um efeito inicial via custo de combustível, embora o impacto negativo no 1T ainda pareça limitado (dado que o conflito se intensificou ao final do período)”, destaca.
A expectativa do ASA é que o segundo trimestre capture mais integralmente esse efeito, tanto pelo canal de custos quanto pela maior incerteza global.
“De forma geral, projetamos desaceleração gradual da atividade nos próximos trimestres”, conclui.
Já Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB investimentos, avalia que o PIB veio em linha com o esperado e foi puxado principalmente pelo agronegócio no início do ano. Segundo ele, embora a expansão de 1% da indústria pareça positiva em uma primeira leitura, a abertura dos dados mostra um avanço concentrado na indústria extrativa mineral, com alta de 3,6%, e na construção, que cresceu 2,9%.
A indústria de transformação, mais relevante para a capacidade produtiva de longo prazo, avançou apenas 0,1%.
“O principal ponto de atenção segue sendo a taxa de investimento, em 16,5%, ainda distante da média de 22% observada entre economias emergentes”, avalia.














