Ricardo Magro, de 51 anos, é advogado, empresário e comandante do Grupo Refit, dono da antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. O nome dele voltou ao centro das atenções após a nova operação da Polícia Federal envolvendo o setor de combustíveis, mas sua trajetória empresarial já acumulava disputas com órgãos de fiscalização, questionamentos tributários e citações em investigações anteriores.
Paulistano, Magro é formado em Direito pela Universidade Paulista, com pós-graduação em direito tributário. Desde 2008, ele comanda o Grupo Refit, empresa que atua no mercado de combustíveis e que assumiu a antiga Refinaria de Manguinhos.
Desde 2016, o empresário mora em uma área nobre de Miami, nos Estados Unidos.
Ricardo Magro, Refit e disputas tributárias
A Refit é apontada como uma das empresas com maior volume de débitos tributários do país. Segundo as informações do caso, o grupo comandado por Ricardo Magro é considerado o maior devedor de ICMS do estado de São Paulo, o segundo maior do Rio de Janeiro e um dos maiores devedores da União.
O histórico da Refit com o fisco envolve disputas judiciais, questionamentos sobre cobrança de impostos e embates com órgãos reguladores. Magro, por sua vez, nega irregularidades e afirma que o rótulo de grande devedor seria resultado de uma perseguição institucional promovida por concorrentes do setor.
Ele já acusou a Cosan, dona da Shell no Brasil, e o Instituto Combustível Legal, entidade que combate o mercado ilegal de combustíveis, de atuarem para tirá-lo do mercado.
Histórico de investigações
O nome de Ricardo Magro também aparece em outras frentes de investigação. Em novembro do ano passado, ele foi alvo de uma megaoperação contra devedores da Receita Federal. Antes disso, em 2016, foi um dos investigados na Operação Recomeço, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.
A Operação Recomeço apurava suspeitas de desvio de recursos de fundos de pensão da Petrobras e dos Correios. Na época, Magro era um dos sócios do Grupo Galileo, que havia emitido debêntures de R$ 100 milhões para captar recursos destinados à recuperação da Universidade Gama Filho.
Segundo o Ministério Público Federal, as investigações encontraram indícios de que parte dos recursos captados teria sido desviada para outras finalidades, inclusive para contas bancárias dos investigados.
Relação com o mercado de combustíveis
No setor de combustíveis, Ricardo Magro é uma figura recorrente em disputas empresariais e regulatórias. A Refit já foi interditada diversas vezes pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP, e acumula histórico de embates com distribuidoras, órgãos de fiscalização e entidades do setor.
O empresário também teve o nome citado em etapas da Operação Carbono Oculto, investigação que apura a presença do PCC no mercado de combustíveis. A Refit não foi alvo de buscas nessa operação, mas documentos oficiais mencionaram a empresa em um fluxo comercial que teria envolvido companhias usadas pela facção.
Magro rejeitou as acusações e afirmou ter colaborado com autoridades para denunciar práticas criminosas no setor.
Segundo ele, essa atuação teria gerado ameaças e retaliações.
Prisão preventiva e Interpol
No caso mais recente, o Supremo Tribunal Federal decretou a prisão preventiva de Ricardo Magro e pediu a inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional usado para localização e captura de pessoas procuradas por autoridades judiciais.
A investigação apura suspeitas de fraudes bilionárias, corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal no setor de combustíveis. A Polícia Federal também investiga a possível utilização de estruturas societárias e financeiras para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior.
Apesar do novo avanço das investigações, Ricardo Magro nega as acusações e sustenta que é alvo de perseguição no mercado de combustíveis.














