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Ata do Copom: em meio a incertezas geopolíticas, BC inicia ‘calibragem’ da Selic

Documento do Banco Central destaca inflação acima da meta, incertezas externas e dependência de dados para novos cortes de juros.

Renata NunesPor Renata Nunes
24/03/2026

A Ata do Copom divulgada nesta terça-feira (24) pelo Banco Central reforçou que o cenário econômico segue marcado por elevada incerteza e expectativas de inflação ainda acima da meta. O documento detalha a avaliação do Comitê de Política Monetária após a decisão de reduzir a taxa Selic para 14,75% ao ano e indica que o processo de flexibilização dos juros será conduzido de forma gradual e dependente dos dados.

Segundo a Ata do Copom, o ambiente internacional tornou-se mais adverso em função do agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, com reflexos sobre as condições financeiras globais e aumento da volatilidade em ativos e commodities. O comitê destaca que esse contexto exige cautela, sobretudo em economias emergentes.

Ata do Copom destaca cenário doméstico

No cenário doméstico, o colegiado avaliou que a atividade econômica apresenta trajetória de moderação após a desaceleração observada no final de 2025. Apesar disso, a ata destaca que o mercado de trabalho segue resiliente, com taxa de desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento dos rendimentos reais acima da produtividade, fator que pode manter pressões inflacionárias em serviços.

O documento aponta ainda que a inflação apresentou algum arrefecimento recente, mas permanece acima da meta, assim como as expectativas captadas pela pesquisa Focus. As projeções indicam inflação de 3,9% em 2026 e de 3,3% no terceiro trimestre de 2027, horizonte relevante da política monetária.

Fiscal segue no radar

A Ata do Copom também reforça a preocupação com o quadro fiscal. O comitê avaliou que incertezas sobre a estabilização da dívida pública, o aumento do crédito direcionado e o eventual enfraquecimento das reformas estruturais podem elevar a taxa de juros neutra da economia e dificultar o processo de desinflação.

No balanço de riscos, o Banco Central destacou fatores que podem pressionar a inflação, como uma desancoragem prolongada das expectativas, maior resiliência da inflação de serviços e possíveis impactos inflacionários decorrentes de políticas econômicas internas e externas. Por outro lado, uma desaceleração mais intensa da atividade doméstica ou uma queda mais forte das commodities poderiam contribuir para um cenário desinflacionário.

No balanço de riscos, o Banco Central destacou fatores que podem pressionar a inflação, como uma desancoragem prolongada das expectativas, maior resiliência da inflação de serviços e possíveis impactos inflacionários decorrentes de políticas econômicas internas e externas. Por outro lado, uma desaceleração mais intensa da atividade doméstica ou uma queda mais forte das commodities poderiam contribuir para um cenário desinflacionário.

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ASA avalia ata do Copom

Para Leonardo Costa, do ASA, a decisão de iniciar o ciclo de corte está em linha com a sinalização previamente feita pelo Comitê, em um contexto no qual o BC já identifica evidências da transmissão da política monetária sobre a atividade e a inflação.

“Ainda assim, a autoridade reforça que a política permanece em território restritivo, o que deve se manter longo do processo de calibração, indicando uma flexibilização gradual e condicionada”, avalia.

No contexto de piora do ambiente externo, a decisão de iniciar o ciclo mesmo diante de um ambiente mais adverso pode ser interpretada como indicação de que o nível atual de juros ainda comporta algum grau de ajuste, mesmo diante da piora recente, explicito a pequena elevação de sua projeção para a inflação no horizonte relevante: de 3,2% para 3,3% no 3T27, movimento relativamente contido frente à deterioração do cenário.

“Em síntese, o BC inicia o processo de calibração com base nos efeitos defasados da política monetária, ao mesmo tempo em que preserva uma postura cautelosa e dependente da evolução do cenário. O mercado tende a ler a ata do mesmo modo que o comunicado, mais dove perante a piora do cenário externo. Apostamos em corte de 50bps na reunião de abril“, conclui.

Investimentos para deixar no radar

Já Marcus Novais, da Private Investimentos, destaca que o BC iniciou o ciclo de cortes, mas com uma postura mais cautelosa do que o mercado esperava. A Selic saiu de 15,00% para 14,75% em decisão unânime, e desta vez, o Comitê não deu nenhuma sinalização sobre os próximos passos.

O principal fator por trás dessa cautela é o cenário externo. O conflito no Oriente Médio escalou, o Estreito de Ormuz está bloqueado e o petróleo opera perto de US$ 100 , tudo isso eleva a incerteza sobre inflação, câmbio e commodities. Na prática, o BC revisou a projeção de IPCA para 2026 de 3,4% para 3,9%, e a estimativa para o horizonte relevante subiu de 3,2% para 3,3%.

“Para carteiras, o recado é claro: pós-fixado segue como âncora, com juros reais ainda muito atrativos. Em prefixados e IPCA+ longos, o momento pede cautela com duration. O ciclo de queda começou, mas será mais gradual do que se esperava , e quem ainda não aproveitou as taxas atuais tem uma janela que pode se fechar mais rápido do que o mercado precificava“, destaca.

ATA DO COPOM É DIVULGADA PELO BC

Créditos: depositphotos.com / diegograndi

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