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O campo magnético da Terra muda de posição, desacelera rumo à Sibéria e obriga bússolas, aviões e GPS a recalibrar rotas

Laila Por Laila
13/05/2026
Em Ciências Naturais

Quando o campo magnético da Terra muda, até uma rota simples no GPS depende de ajustes invisíveis. O avanço do Polo Norte magnético em direção à Sibéria, confirmado pelo World Magnetic Model 2025, obriga sistemas de navegação, aviação e defesa a recalibrar seus referenciais.

Por que o campo magnético da Terra está se deslocando?

O movimento é impulsionado por um cabo de guerra entre dois lobos de fluxo magnético negativo localizados na fronteira entre o núcleo e o manto terrestre, um sob o Canadá e outro sob a Sibéria. Entre 1970 e 1999, mudanças na circulação do núcleo líquido de ferro e níquel enfraqueceram o lobby canadense, cedendo vantagem ao siberiano.

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O fenômeno é explicado pela teoria do dínamo: a rotação e a convecção do núcleo metálico geram correntes elétricas que produzem o campo magnético terrestre. Qualquer alteração nesse fluxo afeta diretamente a posição do polo, que nunca coincidiu com o Polo Norte geográfico.

Núcleo da Terra gerando o campo magnético que move o Polo Norte

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Como o Polo Norte magnético se moveu desde 1831?

O polo foi medido pela primeira vez em 1831 pelo explorador britânico James Clark Ross, na região ártica do Canadá. Durante séculos, deslocou-se lentamente, em média entre 0 e 15 km por ano, em direção ao norte e ao leste.

A partir dos anos 1990, a velocidade saltou para cerca de 50 a 60 km por ano, forçando uma atualização emergencial do modelo magnético em 2019, antes do prazo previsto. Desde 1830, o polo percorreu ao todo cerca de 2.250 km pelo Hemisfério Norte.

O canal Ciência News detalhou visualmente o fenômeno e o lançamento do WMM2025 em um vídeo que acumula mais de 5.700 visualizações, mostrando como essa mudança afeta diretamente os sistemas de navegação usados no dia a dia:

Onde está o Polo Norte magnético?

Com a atualização, o polo está mais próximo da Sibéria do que do Canadá, uma mudança histórica para um ponto de referência que permaneceu no hemisfério canadense por séculos. Em outubro de 2017, o polo cruzou a Linha Internacional de Data, passando a menos de 390 km do Polo Norte geográfico.

Segundo a CNN, a posição registrada em 2024 era de aproximadamente 86° N, 142° L, já no hemisfério oriental. Os modelos previam que o polo estaria em torno de 138° L na mesma latitude, confirmando a trajetória rumo à Rússia.

A desaceleração que surpreendeu os cientistas que monitoram o campo magnético

Segundo estudo publicado na Nature, apesar de o polo seguir em direção à Rússia, a velocidade de migração desacelerou drasticamente nos últimos cinco anos: de 50 a 60 km/ano para cerca de 35 km/ano. William Brown, do Serviço Geológico Britânico (BGS), afirmou que o comportamento atual “é algo que nunca observamos antes”.

Mesmo assim, a velocidade atual ainda supera a média histórica registrada antes de 1990. A desaceleração é considerada o maior recuo de velocidade já registrado, mas não significa que o polo voltará ao hemisfério canadense.

Mapa do Ártico mostra o Polo Norte magnético saindo do Canadá rumo à Sibéria

Quais tecnologias dependem da posição precisa do campo magnético?

Conforme documentado sobre o Polo Norte magnético, aviação, navegação marítima, sistemas de defesa e dispositivos autônomos dependem do alinhamento preciso entre os referenciais magnético e geográfico. Quando o polo se desloca o suficiente, aeroportos precisam renumerar suas pistas de pouso, nomeadas com base no norte magnético.

Os principais sistemas afetados são:

  • Aviação civil e militar: pistas de pouso são nomeadas pelo norte magnético e exigem atualização quando o polo ultrapassa a margem de tolerância
  • Navegação marítima: navios e submarinos usam referenciais magnéticos para calcular rotas em áreas sem cobertura de satélite
  • GPS e smartphones: os sistemas de posicionamento dependem do WMM para converter coordenadas magnéticas em geográficas com precisão
  • Sistemas de defesa: mísseis guiados e drones militares utilizam o campo magnético como referencial de orientação autônoma

O que o WMM2025 representa para a precisão dos sistemas de navegação?

O WMM2025, válido até 2029, foi lançado com um modelo de alta resolução suplementar inédito, com precisão de 300 km no equador, dez vezes superior ao modelo padrão, que opera com resolução de cerca de 3.300 km. É a versão mais precisa já publicada para rastrear o campo magnético terrestre.

Com um polo que acelera, desacelera e muda de direção de forma imprevisível, o monitoramento geomagnético passou a ser uma tarefa de urgência permanente. O comportamento registrado nos últimos trinta anos não tem paralelo na história das observações, e nenhum modelo garante estabilidade até 2029.

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