Antes de virar capital mundial da arte, Paris foi uma vila celta de pescadores no meio do rio. Fundada por volta de 259 a.C. pela tribo dos Parisii às margens do Sena, a cidade carregou por séculos o nome de Lutécia antes de receber o título de Patrimônio Mundial da UNESCO e abrigar o museu mais visitado do planeta.
A vila celta que enfrentou Júlio César
Os Parisii, tribo celta que dá nome à cidade até hoje, estabeleceram um povoado fortificado na Île de la Cité no terceiro quarto do século III a.C. Segundo a Britannica, eles eram suficientemente organizados para cunhar moedas próprias de ouro e controlar o comércio fluvial do Sena, exportando estanho até as Ilhas Britânicas. A cidade primitiva chamava-se Lutetia, palavra latina que significa “cidade próxima ao pântano” devido à área alagadiça do rio.
Em 52 a.C., durante as Guerras Gálicas, o general romano Tito Labieno levou quatro legiões contra os Parisii. Os celtas, sob o comando de Camulogeno (tenente de Vercingetórix), preferiram queimar a própria cidade e destruir as pontes a entregá-la aos romanos. Os Parisii foram derrotados na Batalha de Lutécia, e a cidade foi reconstruída pelos romanos. O nome Paris só apareceu definitivamente no século IV, quando a antiga Lutécia foi rebatizada em homenagem à tribo fundadora.

Por que conhecer a cidade Patrimônio da UNESCO?
Os 365 hectares das margens do Sena foram inscritos como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1991. O trecho protegido vai do Pont de Sully ao Pont d’Iéna, com 8 km de extensão e 93 monumentos classificados. A área concentra a Catedral de Notre-Dame, a Sainte-Chapelle, o Louvre, o Hôtel des Invalides, a Place de la Concorde, o Grand Palais, a Torre Eiffel e o Palais de Chaillot.
O título reconhece Paris como exemplo único de evolução urbana: a capital francesa une obras-primas medievais, do Renascimento, do classicismo francês e da Belle Époque em uma só paisagem. O urbanismo do barão Haussmann, que abriu boulevards de 70 metros de largura no século XIX, influenciou o desenho de cidades novas pelo mundo, especialmente na América Latina.

O museu mais visitado do mundo fica aqui
O Louvre recebeu 8,7 milhões de visitantes em 2024, segundo dados oficiais do Musée du Louvre, divulgados em janeiro de 2025. O número manteve a instituição no topo do ranking mundial pelo 13º ano consecutivo, confirmado também pelo Guinness World Records. O complexo ocupa 360 mil m² na margem direita do Sena e abriga cerca de 480 mil obras coletadas por sucessivos monarcas franceses.
A obra mais famosa do acervo é a Mona Lisa, pintada por Leonardo da Vinci entre 1503 e 1506, que atrai sozinha aproximadamente 7 milhões de visitantes por ano. O Louvre era originalmente uma fortaleza medieval erguida no fim do século XII, virou palácio real e abriu ao público em 1793, durante a Revolução Francesa. A pirâmide de vidro do arquiteto sino-americano I.M. Pei, instalada no pátio em 1989, recebe sozinha cerca de 1,5 milhão de visitantes anuais.
O que fazer em Paris
O roteiro mistura mais de dois milênios de história em poucos quilômetros quadrados. Vale separar pelo menos quatro dias para combinar os monumentos da margem direita, da margem esquerda e da Île de la Cité:
- Torre Eiffel: construída entre 1887 e 1889 para a Exposição Universal, tem 330 metros de altura e era para durar apenas 20 anos antes de virar símbolo permanente da cidade.
- Museu do Louvre: museu mais visitado do mundo, com 480 mil obras incluindo a Mona Lisa, a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia.
- Catedral de Notre-Dame: obra-prima do gótico iniciada em 1163 na Île de la Cité, com arcobotantes que inspiraram a arquitetura religiosa por toda a Europa.
- Sainte-Chapelle: capela real do século XIII com 1.113 vitrais que cobrem 600 m², um dos conjuntos góticos mais completos preservados.
- Champs-Élysées: avenida de 2 km e 70 metros de largura que liga a Place de la Concorde ao Arco do Triunfo.
- Bairro Marais: testemunho do urbanismo parisiense dos séculos XVII e XVIII, com palacetes preservados e a Place des Vosges, mais antiga praça planejada da cidade.
- Montmartre e Sacré-Coeur: colina mais alta da capital, com a basílica branca inaugurada em 1914 e o antigo bairro de artistas como Picasso e Toulouse-Lautrec.
A gastronomia parisiense influenciou o conceito de alta cozinha em todo o mundo:
- Croissant: símbolo da padaria francesa, melhor servido nas boulangeries artesanais com selo de “fait maison”.
- Coq au vin: prato tradicional de frango cozido lentamente em vinho tinto, cebola e cogumelos.
- Steak frites: clássico dos bistrôs parisienses, servido com molho béarnaise e batatas fritas finas.
- Macaron: pequeno doce de massa de amêndoas com recheio cremoso, popularizado pela Maison Ladurée em 1862.
- Crêpes da Bretanha: vendidas nas creperias de Montparnasse, doces ou salgadas com queijo gruyère e presunto.
Quem planeja conhecer Paris, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vamos Fugir Blog, que conta com mais de 193 mil visualizações, onde Lígia e Ulisses mostram um roteiro completo de 3 a 5 dias pela capital da França, incluindo a Torre Eiffel e o Museu do Louvre:
Quando visitar a Cidade Luz?
O clima é oceânico temperado, com as quatro estações bem definidas. Verões quentes e ensolarados, invernos frios mas raramente abaixo de zero, e meias estações instáveis com chuvas espalhadas pelo ano. Veja como o calendário se distribui:
Temperaturas aproximadas com base em registros históricos do Aeroporto de Orly e da estação meteorológica de Paris-Montsouris. Condições podem variar.
O melhor período para a viagem vai do meio de maio ao meio de junho, quando os dias são longos, os parques estão floridos e as multidões ainda não chegaram. Em junho acontece o Roland Garros, no Stade Roland Garros, e em julho o Tour de France encerra a corrida nos Champs-Élysées. Em 2019, Paris registrou o recorde absoluto de 42°C, atestando a chegada de ondas de calor mais frequentes nos verões europeus.
Como chegar a Paris
A capital francesa é servida por dois aeroportos internacionais. O Aeroporto Charles de Gaulle, a 25 km do centro, recebe a maioria dos voos transatlânticos vindos do Brasil com conexão direta de São Paulo e Rio de Janeiro. O Aeroporto de Orly, a 13 km ao sul, concentra voos europeus e domésticos. Ambos têm trens RER conectando ao centro em cerca de 35 minutos.
Quem chega de outras cidades europeias pode usar a Gare du Nord, principal estação de trens internacionais, com o Eurostar ligando Londres em 2h20 e o Thalys conectando Bruxelas em 1h25. O metrô parisiense tem 16 linhas, é um dos mais antigos do mundo (inaugurado em 1900) e cobre toda a área do centro histórico em poucos minutos.
Conheça a cidade onde celtas viraram romanos e depois franceses
Paris reúne em uma só capital mais de 22 séculos de história, do povoado celta dos Parisii ao museu mais visitado do mundo, da Catedral gótica de Notre-Dame ao ferro fundido da Torre Eiffel. A cidade que já se chamou Lutécia segue sendo o centro irradiador da arte ocidental e Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1991.
Você precisa subir a Torre Eiffel ao entardecer, atravessar a Pont des Arts com o Sena correndo por baixo e entender por que essa antiga vila celta virou a capital mundial do romance e da arte.

