No extremo oeste do Brasil, uma cidade cresceu agarrada à floresta e ao rio que lhe deu nome. Essa é Rio Branco, capital do Acre, nascida de um seringal no auge da borracha. Cortada pelo rio Acre e cercada de Amazônia, ela guarda a memória de Chico Mendes e o mistério de figuras geométricas escavadas no solo há mais de mil anos.
Do seringal à capital cravada na floresta
A história começou no látex. A cidade surgiu de um seringal às margens do rio Acre, no fim do século 19, quando o ciclo da borracha atraiu milhares de nordestinos para a floresta, segundo o Ministério do Turismo.
O rio sinuoso divide a cidade em duas partes, ligadas por pontes. Essa origem extrativista moldou a identidade local, contada hoje no Museu da Borracha e na Casa do Seringueiro, que reúnem objetos, fotos e a memória dos trabalhadores da mata.

Os geoglifos que mudaram a história da Amazônia
Escondidas na floresta há séculos, grandes figuras geométricas desafiam os arqueólogos. São os geoglifos, estruturas escavadas no solo em forma de círculos, quadrados e linhas, construídos por povos pré-colombianos há mais de mil anos.
Só no Acre já foram registrados cerca de 800 desses sítios, a maior concentração do país. O mais conhecido, o Jacó Sá, a cerca de 40 km de Rio Branco, tornou-se em 2018 o primeiro geoglifo brasileiro tombado como Patrimônio Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A descoberta provou que a Amazônia já foi densamente povoada antes da chegada dos europeus.

A cidade que guarda a memória de Chico Mendes
O nome mais célebre do Acre deixou marcas na capital. O seringueiro e ambientalista Chico Mendes, assassinado em 1988, virou símbolo mundial da luta pela floresta e dá nome a um dos principais espaços da cidade.
O Parque Ambiental Chico Mendes, com cerca de 53 hectares e entrada gratuita, reúne floresta preservada, trilhas e o Memorial Chico Mendes, reaberto no fim de 2024, segundo a Prefeitura de Rio Branco. O memorial resgata a vida do líder e o modo de viver dos povos da Amazônia.
O que fazer em Rio Branco?
A capital combina história da borracha, parques urbanos e natureza amazônica. Entre os principais pontos, destacam-se:
- Parque Ambiental Chico Mendes: floresta, zoológico e o memorial do seringueiro, a poucos quilômetros do centro.
- Museu da Borracha: inaugurado em 1978, conta o ciclo do látex e a Revolução Acreana.
- Parque da Maternidade: extenso corredor verde urbano com ciclovia, bares e a Casa dos Povos da Floresta.
- Palácio Rio Branco: sede histórica do governo, com museu sobre a formação do estado.
- Sobrevoo dos geoglifos: passeio de balão ou avião para ver as figuras no solo a partir do alto.
Quem deseja planejar a viagem perfeita para descobrir a joia cultural da Amazônia e do norte do país, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal DEVA NO AR, que conta com mais de 59 mil visualizações.
No conteúdo, o apresentador mostra um roteiro fantástico com o Palácio Rio Branco, a belíssima Catedral de Nossa Senhora de Nazaré, o Mercado Velho Novo, curiosidades sobre o icônico Chico Mendes, o Museu dos Povos Acreanos, parques locais e dicas indispensáveis do que fazer em Rio Branco, Acre.
Quando é a melhor época para visitar?
O período de maio a setembro, a estação mais seca, é o mais indicado, com menos chuva e estradas em melhores condições para chegar aos geoglifos. O calor é constante o ano inteiro, típico da Amazônia.
Vale lembrar que o Acre tem fuso horário de duas horas a menos que Brasília, algo que surpreende quem chega de outras regiões. Entre outubro e abril, as chuvas são frequentes e intensas na floresta.
Conheça a capital que vive abraçada à floresta
Rio Branco reúne história da borracha, mistérios arqueológicos e a memória de um dos maiores ambientalistas do mundo no coração da Amazônia. Poucas capitais do país estão tão ligadas à floresta que as cerca.
Vale conhecer Rio Branco, sobrevoar os geoglifos e entender por que o Acre é muito mais do que uma piada de internet.

