Foi em 26 de março de 1772 que o pequeno povoado às margens do Lago Guaíba virou Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais. O nome veio dos 60 casais açorianos que ocuparam a região 20 anos antes. Hoje, Porto Alegre é a única capital brasileira onde o sol se põe sobre as águas em frente à cidade.
A capital que nasceu de um tratado entre Portugal e Espanha
A história começa em 1752, quando 60 casais açorianos chegaram à península do Lago Guaíba enviados pela Coroa Portuguesa. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), eles foram trazidos por meio do Tratado de Madri para ocupar as Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul. A demarcação demorou e os imigrantes acabaram fixados no Porto de Viamão, que viraria Porto dos Casais e depois Porto Alegre.
A elevação à freguesia em 26 de março de 1772 é a data oficial de fundação, conforme registro do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um ano depois, o povoado passou a se chamar Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto Alegre e virou capital da Província. Em 1822, foi elevada à categoria de cidade por Carta Imperial assinada por Dom Pedro I.

O pôr do sol mais famoso do Brasil acontece aqui
O apelido “Porto do Sol” tem motivo. A capital gaúcha é a única do Brasil onde o sol se põe sobre a água em frente à cidade, criando um espetáculo diário que vira ritual coletivo na orla. A geografia explica: Porto Alegre fica na margem leste do Lago Guaíba, com vista desimpedida para o oeste.
A Orla do Guaíba foi revitalizada nos últimos anos e hoje concentra arquibancadas naturais, ciclovias, quiosques e o icônico atracadouro do Gasômetro. A Usina do Gasômetro, antiga termelétrica desativada em 1974 e transformada em centro cultural, virou ponto de encontro fixo dos porto-alegrenses no fim da tarde. A reconexão da cidade com o lago é considerada uma das obras urbanas mais importantes do Sul do Brasil.
Vale a pena viver na capital gaúcha?
Os números reforçam. Porto Alegre tem Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,805, o maior do Rio Grande do Sul e classificado como muito alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A capital gaúcha abriga cerca de 1,4 milhão de habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, e é o centro da quinta maior região metropolitana do país, com 4,1 milhões de pessoas.
A cidade é famosa pela arborização. Cerca de 70 bairros formam o tecido urbano, e ruas inteiras são cobertas por túneis verdes. A Rua Gonçalo de Carvalho, no bairro Independência, foi citada por publicações internacionais como uma das mais bonitas do mundo, com tipuanas centenárias formando uma cobertura natural que se fecha sobre o asfalto. A capital também sediou o Fórum Social Mundial e implantou o orçamento participativo, modelo de gestão exportado para outras cidades.
O que fazer em Porto Alegre
O roteiro mistura natureza, cultura e gastronomia em poucos quilômetros quadrados. Vale separar pelo menos dois dias para combinar a orla revitalizada com o Centro Histórico e o boêmio bairro Cidade Baixa:
- Orla do Guaíba: trecho revitalizado próximo à Usina do Gasômetro, com arquibancadas naturais, ciclovias e o pôr do sol mais celebrado do Brasil.
- Mercado Público: inaugurado em 1869, integra o patrimônio histórico da cidade e reúne mais de 100 estabelecimentos entre peixarias, lanchonetes e bancas de erva-mate.
- Parque Farroupilha (Redenção): 37 hectares de área verde no bairro Bom Fim, com lago, monumentos e o tradicional Brique da Redenção aos domingos.
- Casa de Cultura Mario Quintana: antigo Hotel Majestic transformado em centro cultural com galerias, cinema e o quarto onde o poeta gaúcho viveu.
- Fundação Iberê Camargo: prédio sinuoso à beira do Guaíba projetado pelo arquiteto português Álvaro Siza, com acervo do pintor gaúcho.
- Theatro São Pedro: inaugurado em 1858 na Praça da Matriz, é um dos teatros mais antigos do Brasil em funcionamento contínuo.
- Rua Gonçalo de Carvalho: no bairro Independência, eleita por publicações internacionais uma das mais bonitas do mundo pelo túnel de tipuanas centenárias.
A gastronomia gaúcha vai muito além do churrasco. A cidade abriga um Quarto Distrito vibrante e um cenário cervejeiro reconhecido nacionalmente:
- Churrasco gaúcho: servido em churrascarias centenárias do bairro Floresta e em rodízios tradicionais espalhados pela capital.
- Xis: sanduíche gigante criado na cidade, com pão de hambúrguer, carne, queijo, presunto, ovo e maionese caseira.
- Chimarrão na Redenção: ritual de domingo no Parque Farroupilha, com cuias e térmicas espalhadas pelos gramados.
- Bomba do Mercado: éclair tradicional vendido nas confeitarias do Mercado Público desde meados do século XX.
- Cervejas artesanais do Quarto Distrito: antiga zona industrial transformada em circuito cervejeiro com brewpubs e bares temáticos.
Quem deseja conhecer a capital gaúcha, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 214 mil visualizações, onde Tati Marmon mostra o que fazer em Porto Alegre, desde o centro histórico até o pôr do sol no Guaíba:
Quando visitar a Cidade Sorriso?
O clima é subtropical úmido, com as quatro estações bem definidas. O verão é quente e abafado, o inverno chega perto de 5°C, e meia-estação são as mais agradáveis para caminhadas e roteiros culturais. Veja como o calendário se distribui:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O ápice cultural acontece em novembro, durante a Feira do Livro de Porto Alegre, realizada na Praça da Alfândega desde 1955 e considerada a maior feira literária a céu aberto das Américas. Em setembro, a Semana Farroupilha celebra a tradição gaúcha com desfiles, acampamentos no Parque Harmonia e fogo simbólico que cruza o estado.
Conheça a capital onde o sol se põe sobre o lago
Porto Alegre reúne em um só endereço o melhor pôr do sol urbano do Brasil, o maior IDH do Rio Grande do Sul, ruas arborizadas que viraram cartão-postal internacional e uma cena cultural que vai do Theatro São Pedro às cervejarias do Quarto Distrito. Mais de 250 anos depois da fundação por casais açorianos, a capital gaúcha mantém o Mercado Público vivo e o ritual do chimarrão na Redenção.
Você precisa subir até o atracadouro do Gasômetro ao entardecer, atravessar o túnel verde da Rua Gonçalo de Carvalho e entender por que essa cidade ganhou o apelido de Porto do Sol.

