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EUA e China reacendem guerra comercial e elevam incertezas globais

Renata Nunes Por Renata Nunes
15/10/2025
Em Análises, Entrevista, Exclusivas, Exclusivo, INTERNACIONAL, Mundo

As tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China ganharam um novo capítulo com o anúncio de sanções do governo chinês contra empresas subsidiárias da sul-coreana Hanwha Ocean nos EUA. As medidas vêm em resposta ao que Pequim considera atividades que ameaçam sua soberania, provocando uma reação negativa nos mercados globais. Essa ação representa mais uma peça no complexo jogo de desavenças comerciais entre as duas potências que, recentemente, tem incluído restrições de ambos os lados, principalmente no setor de tecnologia e minerais críticos.

O Ministério do Comércio da China afirmou que cinco subsidiárias norte-americanas da Hanwha Ocean foram alvos de sanções por colaborarem com o governo dos EUA em atividades investigativas consideradas hostis. As medidas visam pressionar empresas como a Hanwha Shipping LLC e a Hanwha Ocean USA International LLC, e provocaram um impacto significativo nas ações da Hanwha Ocean na Bolsa de Seul. Enquanto isso, ações de construtoras navais chinesas tiveram um aumento, refletindo a complexidade e as reações mistas nos mercados asiáticos diante das tensões bilaterais.

Estas sanções são uma peça de um quebra-cabeça maior que envolve as chamadas ‘retaliações bilaterais’ em curso. Recentemente, a China impôs controles sobre exportações de materiais como terras raras e minerais críticos, os quais são fundamentais para a indústria tecnológica dos EUA. Em contrapartida, o governo americano tem elevado suas barreiras tecnológicas e ameaçado impor tarifas de até 100% sobre produtos chineses, sinalizando uma escalada nas tensões que pode piorar até o final de 2025, dependendo de como as negociações avançarem.

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Com as sanções afetando setores críticos, quais são as perspectivas futuras?

As perspectivas futuras são complexas, no curto prazo, espera-se que os encontros internacionais, como o entre Donald Trump e Xi Jinping na APEC, contribuam para um possível desanuviamento das hostilidades. Mas, no geral, conflitos comerciais, principalmente em setores tecnológicos e minerais, é uma disputa de longo prazo, que exige estratégias sofisticadas para ambos os lados navegarem em um ambiente de alta volatilidade econômica e geopolítica.

Portanto, a disputa comercial entre EUA e China é mais do que uma série de sanções e barreiras tarifárias. Trata-se de um xadrez estratégico envolvendo domínio tecnológico, suprimento de recursos críticos e, inevitavelmente, influências geopolíticas de alcance global. Com tantas variáveis em jogo, o futuro das relações comerciais entre essas gigantes econômicas permanece incerto, com potencial para mudanças dramáticas dependendo das decisões políticas e econômicas que seguem à frente.

EUA e China: o que dizem os especialistas

Para especialistas, o aumento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China reforça a necessidade de uma postura estratégica por parte dos investidores.

Já Pedro Ros, CEO da Referência Capital, destaca que a disputa entre as duas maiores economias do mundo já ultrapassou o campo tarifário e se transformou em uma batalha por influência tecnológica e energética e está “longe de acabar“. Pedro destaca que “o que antes era uma disputa por tarifas agora virou uma batalha por influência global, envolvendo tecnologia, energia e minerais estratégicos“. Esse tipo de movimento muda o humor dos mercados e traz de volta a volatilidade que muitos investidores já tinham deixado de lado. “Quando as duas maiores economias do mundo entram em confronto direto, as commodities oscilam, o dólar ganha força e os investidores correm para ativos considerados mais seguros“. Mas, o momento de volatilidade pode ser também de oportunidades, especialmente para quem age com clareza e planejamento. “As maiores oportunidades surgem quando o mercado está mais nervoso. Quem mantém estratégia e visão de longo prazo tende a colher os melhores resultados quando a turbulência passa”, afirmou.

Já para Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, a fragmentação das cadeias globais e a pressão sobre o comércio internacional exigem novas formas de proteção. “Em um ambiente marcado por incertezas, os ativos estruturados e o crédito privado ganham destaque, oferecendo previsibilidade e mecanismos de proteção mesmo diante de choques externos“, avalia. Segundo Da Matta, no Brasil, o fortalecimento das relações comerciais com a China cria oportunidades para operações com garantias robustas e fundamentos sólidos, permitindo equilibrar risco e retorno de forma mais eficiente. “Setores estratégicos da economia, como o agronegócio, se beneficiam dessa combinação de previsibilidade e robustez, uma vez que estão diretamente ligados à demanda internacional e ao fluxo de comércio global.” conclui.

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