A bandeira amarela completa em agosto o quarto mês consecutivo de cobrança adicional na conta de luz. O sistema está nesse patamar desde maio e acrescenta R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Para uma residência que consome 200 kWh por mês, o adicional é de R$ 3,77 mensais. Mantido esse consumo durante maio, junho, julho e agosto, o custo acumulado chega a R$ 15,08, antes dos tributos. Em um estabelecimento que consome 5.000 kWh mensais, o adicional alcança R$ 94,25 por mês e R$ 377 ao fim dos quatro meses.
A permanência da bandeira amarela na conta de luz ocorre mesmo em um cenário no qual o principal subsistema de armazenamento do país ainda registra mais de 60% da capacidade. Os dados mostram, porém, que o nível dos reservatórios, isoladamente, não determina a cor da bandeira.
Quanto a bandeira amarela acrescenta à conta?
O cálculo considera o adicional de R$ 1,885 para cada 100 kWh consumidos. A tabela abaixo mostra quanto a cobrança representa por mês e quanto poderá acumular entre maio e o fim de agosto, considerando o mesmo nível de consumo em todos os meses.
| Consumo mensal | Adicional por mês | Maio a agosto |
|---|---|---|
| 100 kWh | R$ 1,89 | R$ 7,54 |
| 150 kWh | R$ 2,83 | R$ 11,31 |
| 200 kWh | R$ 3,77 | R$ 15,08 |
| 300 kWh | R$ 5,66 | R$ 22,62 |
| 500 kWh | R$ 9,43 | R$ 37,70 |
| 1.000 kWh | R$ 18,85 | R$ 75,40 |
| 5.000 kWh | R$ 94,25 | R$ 377,00 |
Valores do adicional tarifário, antes de tributos. O acumulado considera consumo mensal constante durante os quatro meses. Fonte: Aneel. Cálculos: BM&C News.
O valor efetivamente pago pelo consumidor pode variar porque a fatura de energia também contém tributos e outros componentes. As alíquotas não são uniformes em todo o país e dependem, entre outros fatores, da legislação estadual e da distribuidora. Por isso, não é possível aplicar um percentual único para calcular o efeito final da bandeira em todas as contas.
Por que há bandeira amarela com reservatórios acima de 60%?
Na primeira revisão do Programa Mensal da Operação (PMO) de agosto, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou armazenamento de 62,1% da capacidade máxima no subsistema Sudeste/Centro-Oeste no início da semana operativa de 8 de agosto. A projeção é de que esse nível encerre o mês em 60,3%.
No Sul, as condições são diferentes. O armazenamento inicial estava em 84,3%, com previsão de alcançar 88,7% ao fim de agosto. A Energia Natural Afluente (ENA), indicador relacionado ao volume de água que chega às usinas hidrelétricas, é projetada em 222% da média de longo termo para o mês no subsistema Sul. No Sudeste/Centro-Oeste, a projeção é de 91%.
Esses números não significam, entretanto, que a bandeira deveria necessariamente estar verde. O sistema de bandeiras tarifárias procura sinalizar mensalmente as condições e os custos de geração de energia, e sua definição não depende apenas do percentual de água armazenado nos reservatórios.
Para agosto, o cálculo encaminhado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) à Aneel apontou PLD-gatilho de R$ 128,67 por MWh. Pela metodologia aplicada no mês, valores entre R$ 98,15 e R$ 246,40 por MWh correspondem à bandeira amarela.
Ou seja: reservatórios em níveis relativamente elevados não significam automaticamente bandeira verde.
Consumo de energia deve crescer 4,1% em agosto
Outro componente do cenário é a demanda por eletricidade. A revisão mais recente do ONS projeta carga média de 81.027 MW médios no Sistema Interligado Nacional (SIN) em agosto, avanço de 4,1% em relação ao mesmo mês de 2025.
O crescimento varia entre as regiões. A projeção aponta alta de 2,8% no Sudeste/Centro-Oeste, de 3,3% no Sul, de 6,8% no Nordeste e de 7,5% no Norte na comparação anual.
Para a semana operativa de 8 a 14 de agosto, o ONS também prevê 7.790 MW médios de geração termelétrica. Desse total, 6.682 MW médios correspondem à inflexibilidade das usinas e 1.108 MW médios ao despacho por ordem de mérito. Não havia, nessa programação, geração térmica indicada por restrição elétrica.
Os dados ajudam a mostrar que o custo da geração depende de uma combinação de fatores, incluindo hidrologia, demanda, disponibilidade das fontes e condições da operação do sistema.
Como funciona a bandeira tarifária?
O sistema de bandeiras foi criado para sinalizar ao consumidor, a cada mês, as condições de geração de eletricidade. Na bandeira verde não existe cobrança adicional. Nas demais, há um acréscimo de acordo com o consumo.
Os valores vigentes são:
- Bandeira amarela: R$ 1,885 a cada 100 kWh;
- Bandeira vermelha patamar 1: R$ 4,463 a cada 100 kWh;
- Bandeira vermelha patamar 2: R$ 7,877 a cada 100 kWh.
Antes da criação das bandeiras, segundo a Aneel, as variações nos custos de geração eram repassadas ao consumidor posteriormente, podendo chegar ao reajuste tarifário do ano seguinte. O mecanismo passou a sinalizar esse custo no período em que ele ocorre.
Quanto custaria uma eventual bandeira vermelha?
Não há, até o momento, definição da Aneel sobre a bandeira que valerá em setembro. É possível, entretanto, comparar quanto cada patamar acrescentaria à conta caso permanecesse por três meses.
| Consumo mensal | Amarela — 3 meses | Vermelha P1 — 3 meses | Vermelha P2 — 3 meses |
|---|---|---|---|
| 200 kWh | R$ 11,31 | R$ 26,78 | R$ 47,26 |
| 300 kWh | R$ 16,97 | R$ 40,17 | R$ 70,89 |
| 5.000 kWh | R$ 282,75 | R$ 669,45 | R$ 1.181,55 |
Simulação hipotética, antes de tributos. Os valores não representam previsão sobre a bandeira dos próximos meses. Fonte: Aneel. Cálculos: BM&C News.
Para uma residência que consome 200 kWh mensais, por exemplo, três meses de bandeira vermelha patamar 1 acrescentariam R$ 26,78 à conta. No patamar 2, seriam R$ 47,26.
A comparação mostra por que a mudança de bandeira pode ter efeito relevante sobre o orçamento mesmo sem alteração no volume de energia consumido.
Tarifa Social pode zerar tarifa de energia até 80 kWh
Consumidores enquadrados na Tarifa Social de Energia Elétrica têm regra específica. Atualmente, o benefício prevê desconto de 100% sobre o consumo de até 80 kWh por mês. A parcela que ultrapassar esse limite não recebe o desconto. Outras cobranças eventualmente existentes na fatura devem ser observadas separadamente.
A Aneel também oferece a Tarifa Branca para unidades consumidoras de baixa tensão que se enquadram nas regras da modalidade. Nesse sistema, o preço da energia varia conforme o horário de consumo. A modalidade pode reduzir a conta para quem consegue concentrar uma parcela relevante do uso fora dos horários de ponta, mas pode resultar em custo maior para quem mantém consumo elevado nos períodos mais caros.
Quando será anunciada a bandeira de setembro?
A próxima definição está marcada para 28 de agosto de 2026. Nessa data, a Aneel divulgará a bandeira tarifária que estará em vigor em setembro.
O calendário da agência também estabelece os anúncios seguintes: a bandeira de outubro será divulgada em 25 de setembro, a de novembro em 30 de outubro e a de dezembro em 27 de novembro.
Até lá, a bandeira amarela na conta de luz permanece válida durante agosto, mantendo o adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.













