Os Estados Unidos e o Irã voltaram a emitir sinais de que as negociações diplomáticas podem ser retomadas, apesar da continuidade dos ataques no Oriente Médio. Intermediários trocaram mensagens com Teerã nos últimos dias, com Catar e Paquistão entre os principais canais de comunicação.
O governo iraniano afirma estar disposto a discutir uma saída para o conflito, desde que as conversas respeitem os interesses nacionais e os direitos do país sobre o Estreito de Ormuz. Washington também diz ter recebido indicações de que integrantes do governo iraniano desejam negociar.
Negociação entre Estados Unidos e Irã ainda enfrenta impasses
A possibilidade de retomada do diálogo enfrenta obstáculos. O Irã rejeita negociar enquanto seu território estiver sob bombardeios, enquanto os Estados Unidos exigem segurança para a navegação marítima e limites ao programa nuclear iraniano.
As conversas ocorrem após mais uma escalada militar. As forças americanas completaram a nona noite consecutiva de ataques contra centros de comando, defesas aéreas, depósitos de mísseis e drones, além de estruturas marítimas do Irã.
Teerã respondeu com ataques contra bases americanas e instalações de países aliados na região. As ações provocaram mortes entre militares dos Estados Unidos e ampliaram os danos a infraestruturas civis e energéticas.
O cessar-fogo provisório firmado no mês passado entrou em colapso diante da sequência de ataques e retaliações. Com o aumento das baixas e do risco de uma guerra mais ampla, mediadores voltaram a apresentar propostas para interromper as hostilidades.
Conflito alcança países próximos
O Irã atacou bases e instalações relacionadas aos Estados Unidos no Kuwait, na Jordânia, no Bahrein e no Iraque. No Kuwait, estruturas de energia e usinas de dessalinização foram danificadas, com registro de feridos e evacuações.
Israel informou ter interceptado um drone iraniano perto da fronteira com a Síria e afirmou que poderá retomar os ataques caso seja atingido. A Jordânia convocou um diplomata iraniano, enquanto Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos manifestaram preocupação com o avanço do conflito.
Os Estados Unidos também enviam mais caças e aeronaves de reabastecimento à região. O movimento aumenta o risco de envolvimento direto de outros países na guerra.
Tráfego no Estreito de Ormuz fica quase paralisado
O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz ficou praticamente paralisado após novos ataques e ameaças iranianas contra embarcações. A passagem concentra normalmente cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo.
Dados de rastreamento indicam redução no número de navios que atravessam o estreito. Algumas embarcações chegaram a desligar seus transponders durante a travessia para reduzir a exposição.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter interceptado quatro navios que teriam ignorado rotas autorizadas. Duas embarcações sofreram incidentes, enquanto outra foi localizada em chamas perto da costa de Omã.
O governo iraniano afirma que cargas de petróleo, gás e fertilizantes não poderão atravessar a região sem autorização. A insegurança reduz embarques e eleva os custos para empresas de transporte e energia.
Petróleo supera US$ 90 por barril
O petróleo Brent chegou a superar os US$ 90 por barril antes de reduzir parte dos ganhos. O recuo ocorreu depois de Teerã indicar que poderia retomar conversas por meio de intermediários.
A reação do mercado reflete o temor de interrupções prolongadas em Ormuz. Segundo analistas citados nas laudas, uma paralisação mais duradoura poderá levar o petróleo a superar os US$ 100 por barril.
Nos Estados Unidos, o preço da gasolina voltou a ultrapassar US$ 4 por galão. A alta amplia as pressões sobre a inflação, o consumo das famílias e as decisões de política monetária.














