O aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã adicionou uma nova fonte de incerteza para a economia brasileira. Ao mesmo tempo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades para reconstruir sua relação com o Congresso.
No cenário externo, Donald Trump afirmou que pretende cobrar uma taxa de 20% sobre cargas que atravessarem o Estreito de Ormuz. Ainda não está claro como os Estados Unidos pretendem executar a medida.
Mesmo sem detalhes sobre a cobrança, o anúncio já afeta as expectativas relacionadas ao petróleo, aos fretes marítimos e aos seguros contratados por empresas que operam na região.
Impactos podem chegar à inflação e aos juros
Uma alta prolongada do petróleo pode pressionar combustíveis, transporte, produção industrial e alimentos.
No Brasil, o movimento pode afetar a inflação, o câmbio e as decisões do Banco Central sobre a taxa Selic. A pressão também pode levar o governo a discutir medidas para reduzir o impacto dos combustíveis sobre consumidores e empresas.
Sem espaço fiscal, o governo teria de avaliar alternativas como aceitar o repasse dos preços, criar mecanismos de compensação ou adotar subsídios.
Relação comercial com os Estados Unidos
Lula afirmou que não haverá um “tarifaço” contra o Brasil, mas eventuais medidas comerciais dependem das decisões do governo americano.
Os Estados Unidos avaliam temas relacionados a tarifas, etanol, comércio digital, propriedade intelectual e ao funcionamento do Pix.
A possibilidade de novas barreiras aumenta a necessidade de empresas brasileiras revisarem preços, mercados de destino e decisões de investimento.
Governo enfrenta dificuldades no Congresso
Enquanto administra as tensões externas, o governo também tenta reorganizar sua base política.
O ministro da Educação, Camilo Santana, passou a atuar na tentativa de reaproximar Lula do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A articulação ocorre em um ambiente de divergências sobre a agenda do governo e a liberação de emendas parlamentares.
A falta de uma maioria estável aumenta a dependência de negociações pontuais para a aprovação de medidas no Congresso. Para o mercado, esse cenário reduz a previsibilidade sobre gastos públicos, tributação e regras para investimentos.
A capacidade do governo de responder aos impactos externos dependerá, portanto, não apenas das negociações com Washington, mas também da articulação política necessária para aprovar medidas no Legislativo.














