O dólar comercial encerrou a sessão desta quarta-feira em alta frente ao real, refletindo a cautela dos investidores diante das incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã. O mercado acompanhou notícias contraditórias sobre um possível acordo para reduzir as tensões no Oriente Médio, cenário que manteve os ativos globais sob pressão ao longo do dia.
A moeda norte-americana à vista fechou com valorização de 0,68%, cotada a R$ 5,0616. No acumulado de 2026, porém, o dólar ainda registra queda de 7,79% frente ao real. Já o contrato futuro para junho, o mais negociado na B3, avançava 0,46% perto do encerramento, aos R$ 5,0630.
Durante a sessão, a televisão estatal iraniana informou que Teerã teria recebido uma proposta preliminar de entendimento com os EUA para restabelecer a navegação no Estreito de Ormuz em até um mês. Em troca, haveria retirada militar norte-americana e flexibilização do bloqueio naval imposto à região.
Apesar disso, a Casa Branca negou a existência de um acordo formal. Mais tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que ainda não estava satisfeito com as negociações e descartou, por enquanto, qualquer discussão sobre alívio de sanções contra o Irã.
O cenário provocou volatilidade no mercado de commodities. O petróleo Brent caiu para abaixo dos US$ 95 por barril, movimento que pressionou moedas de países exportadores de commodities, como o real.
Segundo analistas do mercado, a queda do petróleo reduz o fluxo estrangeiro para ações ligadas ao setor de energia e commodities na bolsa brasileira, especialmente papéis da Petrobras, o que acaba impactando o câmbio.
Ao longo do pregão, o dólar chegou à mínima de R$ 5,0311 pela manhã e atingiu máxima de R$ 5,0716 durante a tarde, permanecendo acima da faixa de R$ 5,05 até o fechamento.
No cenário doméstico, investidores também repercutiram os dados do IPCA-15 de maio. O índice subiu 0,62% no mês e acumulou alta de 4,64% em 12 meses, acima das expectativas do mercado e do teto da meta de inflação do Banco Central.
A leitura reforçou preocupações sobre a persistência da inflação de serviços e diminuiu apostas em cortes mais acelerados da taxa Selic, atualmente em 14,50% ao ano. Em tese, juros elevados favorecem a entrada de capital estrangeiro e poderiam ajudar o real, mas o ambiente geopolítico global limitou esse efeito.
O Banco Central também informou que o fluxo cambial brasileiro ficou negativo em US$ 2,062 bilhões em maio até o dia 22, indicando saída líquida de recursos do país no período.
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,10% no fim da tarde, aos 99,200 pontos.














