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A bateria de concreto que troca lítio por pressão oceânica e pode guardar energia solar e eólica a 800 metros de profundidade

Laila Por Laila
27/05/2026
Em Ciências Naturais

Quando a bateria de concreto fica no fundo do mar, o próprio oceano vira parte do sistema de armazenamento. O projeto StEnSea, desenvolvido pelo Fraunhofer IEE, usa esferas ocas submersas para guardar energia renovável sem depender de lítio.

Como a bateria de concreto usa a pressão do oceano?

A lógica do sistema é transformar a pressão da água em energia disponível. Cada esfera oca funciona como um reservatório submerso: quando há sobra de eletricidade na rede, bombas retiram a água de dentro da estrutura, deixando o interior vazio.

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Quando a demanda aumenta, uma válvula é aberta e a água volta com força para dentro da esfera. Esse fluxo aciona uma turbina interna e gera eletricidade, usando o mesmo princípio de uma hidrelétrica reversível, mas com o oceano como reservatório natural.

Cada esfera oca de concreto, com 9 metros de diâmetro, funciona como uma bateria mecânica que usa esse peso oceânico a seu favor

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Por que a bateria de concreto pode substituir parte do lítio?

As baterias de lítio são importantes para armazenamento rápido, mas dependem de minerais, ocupam espaço em terra e se degradam com ciclos repetidos. A bateria de concreto segue outra lógica, mecânica, pesada e pensada para armazenamento de grande escala.

Segundo o Fraunhofer IEE, o sistema StEnSea utiliza esferas ocas instaladas entre 600 e 800 metros de profundidade. Quanto maior o volume da esfera e quanto maior for a profundidade, maior tende a ser a capacidade de armazenamento.

O que o Lago Constança mostrou sobre a bateria de concreto?

O primeiro teste saiu do papel no Lago Constança, na fronteira entre Alemanha, Áustria e Suíça. O protótipo em escala reduzida foi instalado a cerca de 100 metros de profundidade e operou de forma automatizada durante a fase de validação.

De acordo com o estudo publicado no ScienceDirect, o projeto testou uma esfera de 3 metros de diâmetro e confirmou o funcionamento de um sistema de armazenamento por bombeamento submerso. O teste ajudou a elevar a maturidade tecnológica do conceito.

Protótipo de esfera de concreto repousa no fundo do Lago Constança

Quais números explicam o projeto StEnSea?

Os dados divulgados pelo Fraunhofer IEE mostram que o projeto avança em três escalas diferentes: o protótipo inicial, a fase demonstrativa na costa da Califórnia e o modelo comercial em tamanho real.

As três fases mostram como o sistema cresce em diâmetro, peso, profundidade e capacidade energética:

EscalaDiâmetroPesoCapacidade
Protótipo no Lago Constança3 metros20 toneladas0,001 a 0,003 MWh
StEnSea 2.010 metros1.000 toneladas0,5 a 1 MWh
Modelo comercial30 metros20.000 toneladas20 MWh

Como a bateria de concreto será testada na Califórnia?

A fase StEnSea 2.0 prevê um modelo em escala 1:3 instalado ao largo da costa da Califórnia, em profundidade aproximada de 650 metros. A meta é testar logística offshore, instalação, operação prolongada e conexão com a rede.

A empresa Sperra participa da fabricação da esfera usando impressão 3D de concreto. Essa etapa importa porque construir uma estrutura oca capaz de resistir à pressão oceânica exige precisão geométrica, controle de material e planejamento de transporte marítimo.

O canal DW Brasil, com mais de 1,22 milhão de inscritos, explorou em vídeo como essa ideia de usar o oceano como bateria ganhou força na engenharia e quais desafios ainda limitam sua adoção em larga escala:

Por que o fundo do oceano pode virar uma bateria global?

O potencial aparece em locais com profundidade adequada, declive suave e acesso razoável a portos e redes elétricas. Na avaliação do Fraunhofer IEE, áreas favoráveis ao redor do mundo somam potencial de armazenamento de até 817 TWh.

Essa escala interessa principalmente a redes com grande participação de energia solar e eólica. Quando o vento cai ou a noite chega, o sistema poderia devolver eletricidade armazenada sem ocupar grandes áreas em terra nem depender de reservatórios artificiais em montanhas.

O que essa tecnologia muda no armazenamento renovável?

A proposta do StEnSea mostra que a transição energética não depende apenas de painéis solares, turbinas eólicas ou baterias químicas. Ela também exige formas de guardar energia por muitas horas, em escala grande e com impacto territorial menor.

Se os testes confirmarem a durabilidade das esferas e a viabilidade da instalação offshore, a bateria de concreto pode ocupar um espaço próprio no sistema elétrico. Não como solução única, mas como uma peça pesada, submersa e silenciosa para equilibrar redes renováveis.

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