O setor de serviços registrou queda de 1,2% em março de 2026, na comparação com fevereiro, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta sexta-feira (15). Em fevereiro, o setor havia apresentado estabilidade.
O resultado veio abaixo das expectativas do mercado. Pesquisa da Reuters apontava para queda de 0,1% no mês e avanço de 4,5% na comparação anual. No dado divulgado pelo IBGE, o volume de serviços cresceu 3% frente a março de 2025.
Apesar da retração mensal, a comparação anual manteve o setor no campo positivo. O avanço de 3% sobre março do ano passado representou o 24º resultado positivo consecutivo nessa base de comparação.
No acumulado de janeiro a março de 2026, o setor de serviços cresceu 2,3% em relação ao mesmo período de 2025. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o volume avançou 2,8%, mantendo ritmo próximo ao observado em fevereiro, quando o índice estava em 2,7%.
Setor de serviços: queda de março foi a mais forte desde novembro de 2024
O recuo de março foi o mais intenso desde novembro de 2024, quando o setor havia caído 1,4%. O resultado também representa o pior desempenho para um mês de março em cinco anos.
O dado reforça a perda de fôlego do setor no curto prazo, em um mês marcado por pressões sobre a inflação. Em março, o IPCA registrou alta de 0,88%, a maior taxa em cerca de um ano, influenciado principalmente por transportes e alimentos.
O período também foi marcado pelo aumento das tensões no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e trouxe impacto adicional para os custos ligados a combustíveis e transporte.
Transportes lideram perdas entre as atividades
Segundo o IBGE, houve queda em todas as cinco atividades de serviços investigadas em março. O destaque negativo foi o setor de transportes, que registrou recuo de 1,7% no mês.
A queda eliminou o resultado positivo acumulado nos dois primeiros meses do ano, de 0,8%. Dentro do segmento, o transporte de passageiros caiu 3,4%, na segunda taxa negativa consecutiva, enquanto o transporte de cargas recuou 1%.
As demais quedas vieram de serviços profissionais, administrativos e complementares, com baixa de 1,1%; informação e comunicação, com recuo de 0,9%; outros serviços, com perda de 2%; e serviços prestados às famílias, que caíram 1,5%.
Informação e comunicação sustenta alta no trimestre
No acumulado do primeiro trimestre, todas as cinco atividades pesquisadas pelo IBGE registraram crescimento na comparação com o mesmo período de 2025. A expansão alcançou 48,2% dos 166 tipos de serviços investigados.
O principal destaque positivo no período foi o ramo de informação e comunicação, com alta de 6,3%. Segundo o IBGE, o desempenho foi impulsionado pelo aumento das receitas de empresas ligadas a consultoria em tecnologia da informação, tratamento de dados, provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem na internet.
O resultado mostra que, apesar da queda em março, o setor de serviços ainda mantém crescimento no acumulado do ano, embora com sinais de desaceleração no curto prazo.














