Uma pesquisa da consultoria global Deloitte, realizada com executivos que ocupam cargo de CFO (Chief Financial Officer, ou diretor de finanças) na Europa, aponta que 90% deles se apoiam em inteligência artificial generativa em até 25% das decisões estratégicas que tomam. Mais de um terço dos entrevistados espera que esse uso seja ainda maior, se expandindo para mais da metade das decisões estratégicas, dentro de cinco anos.
Além disso, 70% desses CFOs esperam um aumento na receita em 2026, ao mesmo tempo em que estão considerando reduções na força de trabalho de suas organizações. Assim, avalia a pesquisa, o crescimento da receita estimado pelos executivos é impulsionado pela digitalização, automação e estratégias de precificação, e não pelo aumento do volume de vendas devido ao crescimento do quadro de funcionários. “Muitas empresas europeias têm um foco estratégico em ‘fazer mais com menos’”, sublinha o estudo.
Por outro lado, os executivos consideram que os orçamentos das organizações destinados à IA generativa para o setor financeiro precisam ser acelerados, para acompanhar suas expectativas. O estudo indica que mais de 80% das organizações pretendem gastar menos de um quarto de seu orçamento de tecnologia e digitalização em IA, em um futuro próximo.
Para o especialista Alysson Guimarães, fundador e CEO da LeverPro (empresa brasileira de tecnologia, especialmente com IA embarcada, para gestão financeira), o diagnóstico trazido pela consultoria Deloitte sinaliza um cenário desafiador para os executivos de finanças. Isso porque enfrentam uma contradição clara: ao mesmo tempo em que a tecnologia se consolida como aliada, os investimentos ainda não acompanham o valor que ela é capaz de gerar.
“Há um otimismo entre os CFOs, quando apostam em crescimento das receitas, proporcionado pelas inovações tecnológicas. Mas uma boa dose de cautela também, na medida em que veem suas organizações pouco expandindo a fatia de orçamento para investimentos em tecnologias”, assinala Guimarães. “Como diz o estudo, a IA [na gestão financeira] veio para ficar, mas os orçamentos ainda não acompanham as expectativas”.
Uma constatação da pesquisa ilustra essa ambiguidade mencionada pelo CEO da LeverPro. Segundo o levantamento, 80% dos entrevistados relatam que a influência do CFO no conselho de administração de suas empresas aumentou. Entretanto, a escassez de habilidades em dados, tecnologia digital e IA tem representado uma grande barreira à transformação. “Mais da metade dos CFOs identifica, na pesquisa, carências nessas áreas”, assinala Guimarães.












