A transformação digital vem alterando de forma significativa a maneira como empresas estruturam seus processos, administram riscos e tomam decisões estratégicas. Em um ambiente cada vez mais dependente de sistemas digitais, temas como governança tecnológica, segurança da informação e continuidade de negócios passaram a ocupar espaço central na agenda de executivos e conselhos de administração.
Esse foi o foco do quinto episódio da segunda temporada do programa Conexão Segura, apresentado por Renato Batista. O programa reuniu as executivas Josilda Saad e Samantha Martins para discutir como as organizações podem equilibrar inovação tecnológica, gestão de riscos e uso estratégico de dados em um contexto de crescente digitalização dos negócios.
Continuidade de negócios e gestão de riscos na transformação digital
Para Josilda Saad, a gestão de riscos precisa deixar de ser tratada apenas como uma exigência regulatória ou um processo burocrático. Segundo a executiva, a avaliação de vulnerabilidades deve fazer parte do próprio desenho de novos projetos digitais, desde plataformas até aplicações baseadas em inteligência artificial.
Ela afirma que, da mesma forma que engenheiros projetam sistemas complexos antecipando possíveis falhas, empresas precisam incorporar esse mesmo raciocínio ao desenvolvimento de soluções tecnológicas que sustentam suas operações.
“Eu acho que o que a gente tem que buscar, Renato, quando a toda a parte de o olhar pro risco que está inerente, eu vejo isso muito claro quando eu vejo um engenheiro projetando uma nova aeronave, né? Ele muitos meses antes, muitos anos antes, ele pensa em tudo que pode acontecer, todos os riscos inerentes de uma aerodinâmica”, afirma Josilda Saad.
Maturidade digital e o papel do conselho nas decisões tecnológicas
A executiva também observa que o risco digital passou a ganhar relevância nas discussões estratégicas das empresas. Se antes ameaças cibernéticas raramente apareciam nas matrizes de risco corporativas, hoje elas estão no centro das preocupações de conselhos e executivos.
Esse movimento reflete não apenas o aumento de incidentes digitais no ambiente corporativo, mas também a crescente dependência das empresas de plataformas tecnológicas para manter operações, cadeias produtivas e relacionamento com clientes.
“Eu vi ao longo desse, poxa, quase 30 anos de acompanhamento da dessa evolução da tecnologia nas empresas. E, eu diria que o risco, né, está relacionado à parte digital, ele anos atrás ele não era existente, não figurava nenhuma matriz de risco”, observa Josilda Saad.
Impactos financeiros, operacionais e reputacionais
Outro ponto destacado pela executiva é que falhas tecnológicas podem gerar impactos muito além de perdas financeiras imediatas. Interrupções em plataformas digitais, por exemplo, podem comprometer operações críticas e afetar a credibilidade das marcas diante de clientes e investidores.
Nesse sentido, a análise de risco precisa considerar não apenas o impacto econômico direto, mas também efeitos operacionais e reputacionais que podem comprometer a continuidade dos negócios.
“Eu não acredito e não vejo, tô falando na minha experiência, que nenhuma companhia está eh, protegida 100%, que ela não esteja em algum desses pontos vulnerável”, ressalta Josilda Saad.
Cadeia de fornecedores e risco de terceiros
Durante a conversa, Josilda também destacou o aumento da exposição das empresas a riscos provenientes de parceiros e fornecedores. Com cadeias produtivas altamente interconectadas, a segurança operacional de uma companhia depende também da maturidade digital de seus prestadores de serviço.
Por isso, a gestão de risco precisa incluir monitoramento contínuo da cadeia de fornecimento, avaliação de práticas de segurança e planejamento de contingência para eventuais falhas externas.
“Hoje todas as empresas trabalham dentro dessa teia interconectada”, explica Josilda Saad.
Governança de dados e adoção da inteligência artificial
Na segunda parte do episódio, Samantha Martins abordou os desafios da governança de dados e da adoção da inteligência artificial nas empresas. Segundo ela, a implementação de novas tecnologias precisa considerar o nível de maturidade digital das diferentes áreas da organização.
Na prática, isso significa que iniciativas de IA, automação e análise avançada de dados devem respeitar a capacidade de cada área de absorver e utilizar essas ferramentas de forma estruturada e segura.
“Esse é um ponto chave para a jornada que a gente está fazendo. Existem maturidades diferentes dentro da empresa e eu nem sempre vou aplicar o mesmo remédio para todas as iniciativas ou para todos os controles”, avalia Samantha Martins.
Qualidade de dados como base da transformação digital
Samantha também destacou que a qualidade da informação se tornou um fator decisivo para o sucesso de projetos baseados em dados. Antes de implementar soluções avançadas, empresas precisam estruturar repositórios confiáveis e processos de governança que garantam consistência nas informações utilizadas.
Segundo ela, muitas organizações estão priorizando a construção de datalakes e modelos estruturados de governança de dados, começando por áreas estratégicas como finanças, marketing e operações comerciais.
“Eu não ia conseguir construir esse grande repositório, esse datalake, para todas as minhas 300 e poucas aplicações”, explica Samantha Martins.
Diversidade e liderança feminina em tecnologia
O episódio também destacou o avanço da presença feminina em posições de liderança na área de tecnologia. Para Samantha, equipes diversas ampliam perspectivas e contribuem para decisões mais equilibradas em ambientes corporativos complexos.
Ela avalia que a diversidade de experiências e visões ajuda a reduzir vieses em processos tecnológicos e fortalece a qualidade das decisões estratégicas nas organizações.
“Olhares diversos te levam a perspectivas diferentes”, destaca Samantha Martins.
Tecnologia como motor estratégico dos negócios
Ao longo do programa, as executivas ressaltaram que o papel do profissional de tecnologia mudou significativamente nos últimos anos. O especialista em TI deixou de atuar apenas como operador técnico e passou a assumir funções mais estratégicas dentro das organizações.
Nesse novo cenário, tecnologia e negócio caminham cada vez mais integrados, com profissionais da área participando diretamente da construção de soluções que aumentam eficiência, competitividade e resiliência operacional das empresas.












