Irã e Estados Unidos anunciaram um cessar-fogo condicional de duas semanas após mais de um mês de confrontos militares que elevaram a tensão no Oriente Médio e colocaram em risco uma das principais rotas energéticas do mundo. O acordo prevê a reabertura do estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula uma parcela relevante do petróleo comercializado globalmente.
A trégua foi anunciada após negociações mediadas pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. Segundo ele, o cessar-fogo entrou em vigor imediatamente, abrindo espaço para novas conversas diplomáticas entre as partes envolvidas.
O conflito havia se intensificado após ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra alvos no território iraniano, iniciados em 28 de fevereiro.
Condições do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que aceitou suspender os bombardeios e ataques contra o Irã por duas semanas, desde que Teerã permitisse a retomada do tráfego marítimo no estreito de Ormuz.
A rota é considerada estratégica para o mercado global de energia, pois conecta o Golfo Pérsico às rotas internacionais de exportação de petróleo.
Trump declarou que a decisão foi tomada após avaliar que os objetivos militares da operação já teriam sido alcançados.
Do lado iraniano, o governo concordou em permitir a passagem de embarcações pelo estreito durante o período da trégua, com a navegação sendo coordenada pelas forças militares do país.
Israel apoia pausa nos ataques, mas mantém operações no Líbano
Após o anúncio do cessar-fogo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país apoia a suspensão temporária dos bombardeios contra o Irã, desde que sejam interrompidos ataques contra Israel e seus aliados na região.
No entanto, o governo israelense destacou que a trégua não inclui o Líbano, onde Israel mantém operações militares contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.
Horas após o anúncio do acordo, sirenes foram acionadas em Israel e as forças de defesa informaram ter interceptado mísseis lançados do território iraniano. Explosões também foram registradas em Jerusalém.
Plano iraniano inclui suspensão de sanções e fim dos conflitos na região
Como parte das negociações, o Irã apresentou um plano de 10 pontos que deverá ser discutido nas próximas rodadas diplomáticas.
Entre as propostas estão:
- cessação completa da guerra no Irã, Iraque, Líbano e Iêmen;
- retirada das sanções impostas pelos Estados Unidos;
- liberação de ativos iranianos congelados no exterior;
- pagamento de compensações para reconstrução;
- garantia de liberdade de navegação no estreito de Ormuz;
- compromisso do Irã de não buscar armas nucleares.
Segundo o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, o resultado militar do conflito também deverá ser consolidado nas negociações políticas.
Novas negociações devem ocorrer no Paquistão
O Paquistão convidou delegações dos países envolvidos para uma nova rodada de negociações em Islamabad, prevista para os próximos dias.
O objetivo é tentar transformar o cessar-fogo temporário em um acordo mais amplo para reduzir as tensões na região.
Apesar da trégua anunciada, analistas apontam que o caminho diplomático pode enfrentar obstáculos relevantes. Entre os principais pontos de divergência estão o controle do estreito de Ormuz e o futuro do programa nuclear iraniano.
Além disso, o histórico recente de negociações frustradas entre os dois países reforça o cenário de desconfiança entre Washington e Teerã.












