O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (30) que a autoridade monetária se encontra em uma posição mais favorável para discutir o início de um ciclo de cortes na taxa básica de juros.
Durante participação no Safra Macro Day, evento que debate as perspectivas para a economia brasileira, Galípolo destacou que o debate sobre o nível adequado da Selic vinha dividido no mercado.
“Um grupo entendia que iria a 18% a Selic e outro que nem deveria ter chegado a 15%, mas ganhamos confiança no mercado e depois começou o debate de quando começar a cortar”, afirmou.
Segundo ele, o Banco Central iniciou o ciclo com uma redução de 25 pontos-base, movimento que, na avaliação da autoridade monetária, permitiu ganhar tempo para observar melhor a evolução do cenário econômico.
Galípolo comparou a condução da política monetária ao movimento de um grande navio.
“O BC é mais transatlântico do que jetski”, disse, ao indicar que decisões de política monetária exigem cautela e ajustes graduais.
Gabriel Galípolo: BC avaliou mudanças no balanço de riscos
Na avaliação de Gabriel Galípolo, o Banco Central também discutiu internamente a possibilidade de alterar o balanço de riscos diante da materialização de alguns fatores de incerteza no cenário internacional.
“Discutimos se era o caso de alterar balanço de riscos porque alguns se materializaram”, afirmou.
Segundo ele, a autoridade monetária decidiu aguardar cerca de 45 dias para observar os desdobramentos da guerra no cenário internacional, que inicialmente apresentava impactos mais ligados à logística global.
Galípolo afirmou que o conflito evoluiu para um ambiente mais tenso, com potencial de afetar também infraestrutura, ampliando as repercussões econômicas.
Ainda assim, destacou que o Brasil possui uma posição relativamente mais favorável por ser exportador de petróleo, o que pode amortecer parte dos impactos externos.
Além disso, ele ressaltou que a política monetária brasileira permanece em posição contracionista, indicando que o Banco Central segue vigilante em relação à inflação.
Produtividade é principal desafio para o crescimento do Brasil
Outro ponto destacado por Gabriel Galípolo foi a necessidade de avançar no debate sobre produtividade como elemento central para o desenvolvimento econômico do país.
Segundo ele, a economia brasileira cresceu historicamente baseada em estímulos pelo lado da demanda, o que limita ganhos estruturais de eficiência.
“Crescemos num modelo que tem um estímulo pelo lado da demanda”, afirmou.
Para o presidente do Banco Central, discutir políticas que aumentem a produtividade é fundamental para tornar o país mais competitivo e atrativo para investimentos.
“Para pensar em desenvolvimento temos de pensar em quais políticas podem transformar o país de maneira mais atrativa para receber investimento que vão produzir um aumento de produtividade”, disse.













