O forte crescimento dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) em 2025 não foi acompanhado por deterioração relevante da inadimplência. A análise indica que, apesar da expansão expressiva do volume captado e do número de operações, os indicadores de risco permaneceram relativamente equilibrados ao longo do período.
Dados do mercado de capitais mostram que o setor encerrou 2025 com recorde histórico de emissões, somando R$ 838,8 bilhões em ofertas públicas, o que representa alta de 6,4% em relação ao ano anterior. No total, foram registradas 3.034 operações.
Dentro desse movimento, os instrumentos de securitização ganharam protagonismo, especialmente os FIDCs, que superaram a marca de mil operações e responderam por 42% das emissões de renda fixa em quantidade. A captação alcançou R$ 90,8 bilhões, o segundo maior patamar da série histórica.
Indicadores de risco permaneceram moderados
A avaliação considerou uma amostra de 103 FIDCs com diferentes tipos de lastro, observando a evolução da inadimplência ao longo de 2025 e a relação entre exposições problemáticas e patrimônio líquido.
Os resultados indicam que a inadimplência se manteve em níveis considerados moderados quando comparada ao patrimônio líquido dos fundos. Em termos agregados, não houve deterioração relevante da qualidade de crédito ao longo do ano, mesmo diante da diversidade de estruturas e perfis de risco existentes nesse segmento.
Relação entre atrasos e inadimplência
A análise também observou o comportamento dos atrasos e da inadimplência de maior prazo. Os atrasos superiores a 15 dias variaram entre 9,0% e 7,5% do patrimônio líquido, enquanto a inadimplência acima de 90 dias oscilou entre 5,0% e 3,5%. As curvas apresentaram tendência declinante e evoluíram praticamente em paralelo ao longo do período.
Esse movimento sugere que não houve aceleração relevante na migração de créditos em atraso para estágios mais graves de inadimplência, o que reforça a leitura de estabilidade na dinâmica de deterioração das carteiras.
Crescimento do patrimônio líquido não elevou o risco
A expansão do patrimônio líquido do conjunto de fundos não foi acompanhada por aumento proporcional do risco. Mesmo com o crescimento do volume sob gestão, os indicadores de inadimplência permaneceram relativamente comportados, sugerindo manutenção do equilíbrio na qualidade das carteiras ao longo de 2025.
O avanço dos FIDCs ocorre em um contexto de maior relevância das estruturas de securitização no financiamento do crédito no Brasil. Para investidores, o acompanhamento das métricas de inadimplência e da evolução do patrimônio líquido tende a permanecer no radar, diante do aumento da participação desses instrumentos no mercado de capitais.













