Em um ambiente marcado por juros elevados no Brasil e maior volatilidade na economia global, o mercado de crédito tem passado por uma reorganização relevante. A combinação de política monetária restritiva, incertezas geopolíticas e mudanças no fluxo internacional de capital tornou o crédito bancário mais seletivo. Ao mesmo tempo, investidores passaram a buscar estruturas capazes de oferecer retornos superiores ao CDI e maior diversificação de risco.
Nesse contexto, os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) multicedente/multissacado ganharam protagonismo como alternativa de financiamento e investimento. Com estruturas que conectam diretamente investidores a carteiras de recebíveis empresariais, esses fundos ampliam o acesso ao capital e criam novas possibilidades de alocação. Nesse cenário, o patrimônio líquido (PL) se consolida como um dos principais indicadores para medir a escala e a robustez dessas estruturas, refletindo tanto a confiança dos investidores quanto a capacidade operacional alcançada pelos gestores.
Um levantamento recente realizado pela Gueratto Press, assessoria de imprensa especializada em Economia & Negócios, a partir dos dados públicos da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) referentes aos primeiros meses de 2026, identificou os 20 maiores gestores e consultores de FIDCs multicedente/multissacado do Brasil com base em seus patrimônios líquidos. A comparação com o estudo anterior, realizado em julho de 2025, evidencia a expansão e o avanço da maturidade do setor. Liderando o ranking está a RED Asset, com R$ 6,2 bilhões em patrimônio líquido, o que representa um crescimento de 8,32% em relação ao levantamento anterior, realizado em julho de 2025.
A gestora se destaca pela forte atuação em fundos de crédito estruturados e diversificação de produtos. Em segundo lugar aparece a Multiplike, com R$ 4,5 bilhões em patrimônio líquido e crescimento de 22,88% na comparação com o estudo de julho de 2025. A empresa combina a gestão de recursos com a estruturação de operações de alto ticket, com foco em eficiência tecnológica e atendimento personalizado. Logo atrás está a Multiplica, com patrimônio líquido de R$ 3,3 bilhões, avanço de 13,79% frente ao último levantamento.
Completam o top 5 instituições como o Athenabanco, com R$ 3,1 bilhões, e o Grupo Sifra, com R$ 2,8 bilhões em patrimônio líquido. Na sequência do ranking aparecem ainda o Invista Crédito e Investimentos, com R$ 2,6 bilhões; a ASA, também com R$ 2,6 bilhões; a IOX/IOSAN, com patrimônio líquido de R$ 2,2 bilhões; a SRM, com R$ 1,4 bilhão; e a BS Factoring, igualmente com R$ 1,4 bilhão. O levantamento inclui ainda outras gestoras relevantes no mercado de FIDCs multicedente/multissacado, como Gávea Securitizadora, ML Bank/Grupo Sarfaty, Golden Asset/AR3 Capital (ASIA), Somacred Consultoria, Soma Asset, Del Monte Factoring Fomento Mercantil, ViaInvest, SB Crédito, Continental e Stars Bank, reforçando a amplitude do mercado e evidenciando o avanço da sofisticação e da escala do ecossistema de FIDCs no Brasil desde o último estudo, divulgado em julho de 2025.
O crescimento acelerado desses fundos está fortemente vinculado à expansão dos FIDCs como instrumentos de financiamento alternativo. Permitem que investidores financiem diretamente carteiras de recebíveis empresariais, criando uma ponte eficiente entre capital e empresas – especialmente em tempos de juros elevados. Com estruturas flexíveis, mecanismos de mitigação de risco (como subordinação de cotas e garantias reais) e maior transparência, os FIDCs oferecem retornos mais atrativos do que os produtos tradicionais de renda fixa. Para os investidores, representam uma alternativa estratégica que alia segurança e rentabilidade, sobretudo quando contam com boa governança e ratings elevados.
Para as empresas, são uma forma mais ágil e adequada de captação, muitas vezes mais vantajosa que o crédito bancário. De acordo com Fabrizio Gueratto, CEO da Gueratto Press, a comparação entre crédito bancário e operações estruturadas exige olhar além da taxa nominal. “No sistema bancário tradicional, a taxa divulgada muitas vezes não reflete o custo total da operação. Tarifas, seguros, prazos de liberação e encargos adicionais acabam elevando o custo efetivo para as empresas. Nos FIDCs, a estrutura tende a ser mais transparente e previsível, porque a operação é desenhada diretamente sobre a carteira de recebíveis”, afirma.
Segundo ele, esse modelo também tem atraído investidores que buscam retorno acima dos produtos tradicionais de renda fixa, combinando rentabilidade potencialmente mais elevada com estruturas de proteção e governança que ajudam a reduzir riscos. O crédito, que antes era dominado quase exclusivamente pelos grandes bancos, está agora mais democratizado e acessível, por meio de fundos e estruturas sofisticadas que aproximam quem precisa de capital, de quem busca retorno.
Essa transformação tende a se intensificar nos próximos anos, impulsionada pela digitalização do mercado, expansão do crédito para setores como agronegócio, construção civil e infraestrutura e maior apetite por risco. Os gestores/ consultores de FIDCs M.M listados no ranking já demonstram estar a frente desse novo ciclo, com operações sólidas, estratégias inovadoras e um papel cada vez mais central na modernização do sistema financeiro nacional.













