O cenário para a inflação brasileira voltou a se deteriorar desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o que deve levar o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa na decisão desta semana. A avaliação consta em relatório elaborado pela equipe de macroeconomia e renda fixa da XP.
De acordo com o material, a combinação entre a escalada do conflito no Oriente Médio, a alta dos preços do petróleo e a retomada do ritmo da atividade doméstica elevou os riscos inflacionários no curto e no médio prazo. Além disso, indicadores de núcleo do IPCA voltaram a subir e as expectativas de inflação passaram a se estabilizar acima da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional.
Projeções de inflação devem se afastar da meta
O relatório indica que as estimativas do próprio Copom para a inflação no horizonte relevante de política monetária devem sofrer revisão. A projeção para o IPCA no terceiro trimestre de 2027 — atualmente o principal período de referência para as decisões do colegiado — pode subir de 3,2% para cerca de 3,5%, refletindo o ambiente mais pressionado para os preços.
Segundo a XP, o nível de incerteza em torno dessas projeções também aumentou. Entre os fatores de risco estão a volatilidade das commodities energéticas e a dinâmica ainda resiliente da demanda interna, em um contexto de economia com baixa capacidade ociosa.
Alta do petróleo muda expectativa para decisão de março
No comunicado divulgado após a última reunião, o Copom havia sinalizado a possibilidade de iniciar um ciclo de flexibilização monetária já em março, caso o cenário esperado se confirmasse. Para os economistas da XP, no entanto, esse quadro não se materializou.
O principal desvio em relação às projeções anteriores foi o salto nos preços do petróleo, considerado um choque negativo de oferta relevante. A pressão sobre combustíveis e custos de produção tende a se disseminar pela economia, dificultando o processo de convergência da inflação para a meta.
Diante desse contexto, a instituição revisou sua expectativa para a decisão desta semana. A projeção atual é de manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, abandonando a estimativa anterior de corte de 0,50 ponto percentual.
Na avaliação dos analistas, a postura de “esperar para ver” pode ser a estratégia mais adequada no momento, permitindo ao Banco Central avaliar a evolução dos riscos sem comprometer a credibilidade da política monetária.
Cortes de juros seguem no radar a partir de abril
Apesar da sinalização de pausa na reunião de março, a XP mantém a visão de que o ciclo de afrouxamento monetário deve começar nos meses seguintes. O cenário-base da casa considera quatro cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual a partir de abril, o que levaria a Selic para 13% ao ano.
Essa trajetória, no entanto, depende de uma melhora do ambiente externo, especialmente da redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A projeção também pressupõe um recuo dos preços do petróleo para a faixa entre US$ 70 e US$ 80 por barril, o que contribuiria para aliviar pressões inflacionárias globais e domésticas.
Política monetária segue dependente de dados
O relatório reforça que o atual estágio do ciclo econômico exige maior cautela por parte da autoridade monetária. Com a inflação ainda acima da meta e riscos relevantes no cenário internacional, as próximas decisões do Copom devem permanecer fortemente condicionadas à evolução dos indicadores de atividade e preços.
Nesse contexto, o mercado deve acompanhar de perto o comunicado e o tom do Banco Central após a decisão desta semana, em busca de sinais sobre o timing e a intensidade do eventual início do ciclo de cortes de juros no Brasil.
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