A PNAD Contínua mostrou que a taxa de desocupação no Brasil ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (30). O resultado veio em linha com as expectativas do mercado e representa o menor nível já registrado para esse período do ano desde o início da série histórica, em 2012.
Apesar do resultado positivo na taxa de desemprego, os dados mostram uma piora no curto prazo. O número de pessoas desocupadas chegou a 6,6 milhões, alta de 19,6% em relação ao trimestre anterior. Isso representa 1,1 milhão de pessoas a mais em busca de trabalho.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, porém, o quadro segue mais favorável. A população desocupada caiu 13%, com 987 mil pessoas a menos nessa condição. O dado mostra que, embora o mercado de trabalho tenha perdido força no início do ano, ainda mantém desempenho melhor do que o observado em 2025.
População ocupada recua no trimestre, mostra PNAD
O total de pessoas ocupadas somou 102 milhões no trimestre encerrado em março. O contingente caiu 1,0% frente ao trimestre anterior, mas avançou 1,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
O nível de ocupação, que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada, ficou em 58,2%. O indicador recuou 0,7 ponto percentual no trimestre, mas subiu 0,4 ponto percentual na comparação anual.
Na prática, a PNAD Contínua indica um mercado de trabalho ainda aquecido na leitura anual, mas com sinais de acomodação no curto prazo.
Principais dados da PNAD Contínua
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Taxa de desocupação | 6,1% |
| População desocupada | 6,6 milhões |
| População ocupada | 102 milhões |
| População fora da força de trabalho | 66,5 milhões |
| População desalentada | 2,7 milhões |
| Empregados com carteira assinada | 39,2 milhões |
| Empregados sem carteira assinada | 13,3 milhões |
| Trabalhadores por conta própria | 26 milhões |
| Trabalhadores informais | 38,1 milhões |
| Taxa de informalidade | 37,3% |
Subutilização avança no trimestre
A taxa composta de subutilização ficou em 14,3% no trimestre encerrado em março. O indicador subiu 0,9 ponto percentual frente ao trimestre anterior, mas caiu 1,6 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado.
Ao todo, 16,3 milhões de pessoas estavam subutilizadas. Esse contingente aumentou 6,6% no trimestre, com 1,0 milhão de pessoas a mais, mas recuou 10,1% em um ano, o equivalente a 1,8 milhão de pessoas a menos.
A população fora da força de trabalho somou 66,5 milhões, permanecendo estável no trimestre. Em um ano, houve alta de 1,3%, o que representa 841 mil pessoas a mais fora da força de trabalho.
Já a população desalentada ficou em 2,7 milhões. Esse grupo reúne pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por falta de perspectiva, qualificação ou oportunidades na região onde vivem. O número ficou estável no trimestre, mas caiu 15,9% em um ano.
Carteira assinada fica estável
Entre os trabalhadores do setor privado, o total chegou a 52,4 milhões no trimestre encerrado em março. O número recuou 1,0% frente ao trimestre anterior, com 527 mil pessoas a menos, mas cresceu 1,1% em um ano.
O emprego com carteira assinada permaneceu estável no trimestre, em 39,2 milhões, e avançou 1,3% na comparação anual. Já o contingente de empregados sem carteira ficou em 13,3 milhões, com queda de 2,1% no trimestre e estabilidade em relação ao mesmo período de 2025.
No setor público, o total de ocupados foi de 12,7 milhões, queda de 2,5% no trimestre e alta de 3,7% em um ano. Entre os trabalhadores por conta própria, o contingente chegou a 26 milhões, estável no trimestre e com crescimento de 2,4% na comparação anual.
Informalidade recua e renda atinge recorde
A taxa de informalidade ficou em 37,3% da população ocupada, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores informais. O índice recuou tanto em relação ao trimestre anterior quanto na comparação anual.
Os rendimentos, por outro lado, seguiram em alta. O rendimento médio habitual chegou a R$ 3.722, com avanço de 1,6% no trimestre e de 5,5% em um ano. O valor é o maior da série histórica.
A massa de rendimento real habitual somou R$ 374,8 bilhões, estável no trimestre e 7,1% maior na comparação anual. Esse também foi o maior nível já registrado.
Entre os setores, a alta da renda no trimestre ficou concentrada em duas atividades:
- Comércio e reparação de veículos: alta de 3,0%, ou mais R$ 86;
- Administração pública, educação e saúde: alta de 2,5%, ou mais R$ 127.
Na comparação anual, o avanço foi mais disseminado. Os principais aumentos ocorreram em construção, comércio, informação e comunicação, atividades financeiras e profissionais, administração pública, outros serviços e serviços domésticos.












