O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (29) reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,5% ao ano. A decisão foi anunciada após a reunião dos diretores do Banco Central e confirmou a expectativa majoritária do mercado financeiro.
A decisão foi unânime entre os participantes da reunião. Por motivo de falecimento de familiar em primeiro grau, o diretor Rodrigo Alves Teixeira não participou das sessões do Copom que definiram a Selic.
O colegiado manteve o tom de cautela em relação à condução da política monetária, em meio à atenção com a inflação, as expectativas de preços, a atividade econômica e o cenário externo. “Essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, diz o comunicado.
A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação. Juros mais altos tendem a encarecer o crédito, reduzir o consumo e conter pressões sobre os preços. Por outro lado, cortes na taxa básica podem estimular a atividade econômica ao baratear financiamentos e melhorar as condições para empresas e consumidores.
Para o economista-chefe da Forum Investimentos. Bruno Perri, a decisão veio em linha do esperado. “O comunicado também trouxe visão mais cautelosa quanto à inflação interna, reforçando que a inflação corrente vem se distanciando da meta. Apontou, ainda, atividade acima das expectativas no primeiro trimestre, embora ainda consistentes com trajetória de desaceleração. Sinalizando à frente, indica disposição para prolongar o ciclo de cortes, mas adotando tom mais gradualista e comprometido com a continuidade do ajuste monetário”, pondera.
Trajetória recente da Selic
A decisão ocorre após um período de juros elevados no Brasil. Em 2021, a Selic começou o ano em 2% ao ano e entrou em um ciclo forte de alta, chegando perto de 9,25% no fim daquele período, em resposta à aceleração da inflação.
Em 2022, o aperto monetário continuou, levando a taxa básica para patamares de dois dígitos, até atingir 13,75% ao ano. Nos anos de 2023 e 2024, após permanecer em níveis elevados, a Selic passou por um processo de estabilidade e posterior redução gradual, chegando a 10,5% ao ano.
Já em 2025, o ciclo voltou a ser de alta. A taxa básica chegou a 15% ao ano em maio daquele ano, patamar em que permaneceu elevada por um período prolongado. Na reunião anterior, em março de 2026, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, em decisão unânime.
Com a nova decisão, o Banco Central realiza o segundo corte consecutivo da taxa básica de juros em 2026, levando a Selic para 14,5% ao ano. Apesar da redução, o patamar segue restritivo, refletindo a preocupação da autoridade monetária com a convergência da inflação à meta.
Mercado acompanha próximos sinais do Banco Central
A atenção do mercado agora se volta ao tom do comunicado e às indicações sobre os próximos passos do Copom. A autoridade monetária tem reiterado que eventuais ajustes na Selic dependerão da evolução dos dados econômicos, das expectativas de inflação e da necessidade de garantir a convergência dos preços à meta.
O Comitê também reafirmou serenidade e cautela na condução da política monetária. Citou que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros podem incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo. No documento o Copom projeta inflação de 4,6% no fim de 2026 e 3,5% no fim de 2027.
Para investidores, a decisão influencia diretamente o comportamento dos ativos financeiros. “Espero novo corte de 25 pontos base, com bastante dependência das variáveis externas (petróleo), manutenção da taxa de câmbio em patamares próximos ao atual e sensível às novas leituras do IPCA e principalmente da expectativas de inflação”, prevê Bruno Perri.
A Selic afeta a renda fixa, o custo de capital das empresas, o câmbio, a bolsa de valores e as expectativas para a economia brasileira nos próximos meses.
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