Com 159.533 km² de área, Altamira ocupa sozinha 13% do território do Pará e supera países como Portugal, Islândia e Grécia em extensão. Às margens do Rio Xingu, a capital da Transamazônica abriga cerca de 139 mil habitantes espalhados por um território onde dois distritos ficam a mais de mil quilômetros da sede.
Um município do tamanho de um país europeu
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Altamira é o maior município do Brasil e o terceiro do mundo em extensão territorial. Até 2009, ocupava o primeiro lugar no ranking global, mas perdeu a posição quando a Groenlândia foi dividida em quatro municípios. A área altamirense é maior que a de dez estados brasileiros e supera mais de cem nações independentes.
A densidade demográfica de 0,79 habitante por km² cria um contraste impressionante. O núcleo urbano reúne mais de 60 bairros, mas os distritos de Castelo de Sonhos e Cachoeira da Serra ficam a mais de 1.000 km da prefeitura. Levar serviços públicos a esses pontos exige logística comparável à de um governo estadual.
Quem deseja desbravar o coração da Amazônia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal CIDADES BRASILEIRAS, que conta com mais de 160 mil visualizações, onde é apresentada a imensidão de Altamira, no Pará, o maior município do Brasil em extensão territorial:
Como a Transamazônica transformou a Princesinha do Xingu
A história de Altamira remonta às missões jesuíticas do século XVIII às margens do Xingu. A emancipação veio em 1911, mas foi a construção da Rodovia Transamazônica (BR-230) que redesenhou o município. Em 1972, o presidente Emílio Garrastazu Médici implantou ali o marco zero da rodovia, inaugurando um ciclo migratório que atraiu milhares de famílias nordestinas e do Centro-Sul.
A estrada de 4.260 km, concebida para ligar o Atlântico ao interior da Amazônia, nunca foi totalmente asfaltada. Ainda assim, consolidou Altamira como ponto de referência regional. A cidade ganhou o apelido de Capital da Transamazônica e passou a concentrar comércio, hospitais e serviços para dezenas de municípios vizinhos.
Como é viver em uma cidade de dimensões continentais?
A vida urbana se concentra em uma faixa às margens do Xingu. A orla revitalizada é o ponto de encontro dos altamirenses ao fim da tarde, com quiosques, ciclovias e vista para o rio. O cotidiano mistura ritmo interiorano com a movimentação de uma cidade que cresceu rápido após a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, a terceira maior do mundo em capacidade instalada.
Altamira faz divisa com 13 municípios e abriga territórios de pelo menos nove povos indígenas, entre eles os Kayapó, Juruna, Xipaya e Araweté. A presença dessas comunidades marca a identidade cultural da cidade, que sedia anualmente a Feira dos Povos do Médio Xingu, reunindo artesanato, alimentos e saberes tradicionais.
O que visitar às margens do Rio Xingu?
O Xingu é a principal atração. Durante a estiagem, entre junho e outubro, o nível do rio baixa e revela praias de areia dourada que funcionam como balneários naturais.
- Orla do Cais de Altamira: cartão-postal da cidade, ideal para caminhadas ao pôr do sol e passeios de caiaque.
- Praia do Pedral: formação rochosa no leito do Xingu que cria piscinas naturais na seca.
- Cachoeira do Curuá: cerca de 3 km de extensão e quedas de até 30 metros de altura, acessível por estrada de terra e barco.
- Parque Nacional da Serra do Pardo: 445 mil hectares de floresta amazônica entre Altamira e São Félix do Xingu, gerido pelo ICMBio.
- Marco Zero da Transamazônica: monumento conhecido como “Pau do Presidente”, que registra o início da construção da BR-230.
Do cacau do Xingu ao peixe na folha de bananeira
Altamira é o quarto maior produtor de amêndoas de cacau do Pará, estado que lidera a produção nacional. A região do Xingu responde por mais de 80% do cacau paraense, e esse protagonismo se reflete na mesa e nos eventos locais.
- Pacu de seringa assado na folha de bananeira: peixe exclusivo do Xingu, servido com molho de chocolate e creme de macaxeira.
- Chocolate artesanal da Gleba Assurini: tabletes e bombons produzidos por agricultores familiares com cacau fino de origem amazônica.
- Caldeirada de tambaqui: cozido regional com pirão de pimenta-de-cheiro e nibs de cacau.
O Chocolat Xingu, festival internacional do chocolate e cacau, chegou à quarta edição em 2025 e reuniu mais de 140 mil visitantes em quatro dias. Chefs como Janaína Torres, eleita melhor chef mulher do mundo em 2024, já participaram do evento.
Quem busca uma aventura completa no coração da Amazônia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Turismo Aqui, que conta com mais de 90 mil visualizações, onde é apresentada Altamira, uma cidade que surpreende com sua floresta, praias, cachoeiras e a tradição do chocolate:
Quando visitar Altamira e o que esperar do clima?
O clima é equatorial, quente o ano inteiro, com estação chuvosa bem definida entre dezembro e maio. A seca, de junho a novembro, é o melhor período para praias fluviais e navegação pelo Xingu.
| Estação | Meses | Temperatura | Chuva | O que fazer |
|---|---|---|---|---|
| Chuvosa | Dez-Mai | 23-33 °C | Alta | Cachoeiras cheias, Festival Folclórico (jun) |
| Seca | Jun-Nov | 22-37 °C | Baixa | Praias fluviais, pesca esportiva, Chocolat Xingu |
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital da Transamazônica?
O Aeroporto de Altamira (ATM) recebe voos regulares de Belém e Brasília, com duração média de 1h30. Por terra, a BR-230 liga a cidade a Marabá (510 km) e Itaituba (500 km), mas trechos sem asfalto podem ficar intransitáveis na estação chuvosa.
Conheça o município que não cabe no mapa
Altamira é um lugar de extremos: maior que nações, com menos de um habitante por km², banhado por um dos rios mais importantes da Amazônia e cercado por florestas que alimentam o mundo com cacau fino. A imensidão do território é proporcional à riqueza natural e cultural que pulsa entre o Xingu e a Transamazônica.
Você precisa cruzar a Amazônia e conhecer Altamira, a cidade que faz qualquer mapa parecer pequeno demais.

