A carteira de crédito manteve, em janeiro, ritmo de alta na casa dos dois dígitos, aponta a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em sua Pesquisa Especial de Crédito. O levantamento mostra alta de 0,2% em janeiro e de 10,4% na base anual (janeiro 2026/2025), ante 10,2% no final de 2025 (dezembro 2025/2024). “A pesquisa aponta que o ritmo de expansão do crédito segue elevado, apesar da política monetária em nível bastante contracionista”, afirmou o diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da entidade, Rubens Sardenberg.
Segundo ele, o crescimento da carteira tem se sustentado por “programas governamentais e linhas voltadas ao consumo para as famílias”. O ponto de atenção, acrescenta, está na composição da carteira, “aparentemente impulsionada” por linhas de maior risco no caso das famílias: “O que naturalmente leva a uma preocupação com o comportamento da inadimplência”. Apesar do dado de janeiro, a Febraban espera desaceleração em 2026, com alta de 8,4% – pouco acima da estimativa anterior (8,2%).
A alta de janeiro é liderada pela carteira destinada às famílias (+0,9%), enquanto a carteira com recursos livres deve crescer 1%. A Febraban destaca reflexos de um período “caracterizado por obrigações extras de início de ano (IPTU, IPVA, entre outros)”. Nesse caso, a expansão é menor do que em janeiro do ano passado (+1,4%), causando desaceleração em 12 meses – de 13,2% para 12,8%. A carteira com recursos direcionados deve subir 0,8%, com expansão anual de 9,4%, também com ritmo menor (9,6%). Segundo a Febraban, essa modalidade é beneficiada “pelas renegociações no crédito rural (MP 1.314) e certo dinamismo do habitacional”.
Ainda de acordo com a pesquisa, a carteira para empresas deve cair 1,1% em janeiro, devido ao desempenho de recursos livres (-2,3%), que normalmente caem no começo do ano. Reflexo, diz a Febraban, “da menor utilização de linhas de desconto de recebíveis e antecipação de faturas de cartão”, com menor volume do varejo ante dezembro. Mas a queda será menor que a de janeiro de 2025 (-3,2%). A carteira de recursos direcionados deve subir 0,8% no mês, “ainda impulsionada pelos programas de crédito
governamentais para as MPMEs, mantendo uma expressiva expansão do segmento em 12 meses (+18,7%)”.
Se a carteira mantém alta, as concessões de crédito devem cair 15,2% de dezembro para janeiro, segundo a Febraban – ou 11,2% considerando os dias úteis. “Isso se deve à sazonalidade esperada na comparação entre janeiro e dezembro, mês tipicamente de menor atividade econômica”, afirmou a entidade. Já na comparação com janeiro de 2025 – também considerando dias úteis –, a previsão é de crescimento de 18,6%. O principal impulso vem de recursos direcionados a empresas, “em função da continuidade do elevado patamar das concessões de crédito dos programas governamentais e com recursos do BNDES”. Em 12 meses, as concessões crescem 9,3%, interrompendo sequência de nove meses de desaceleração.
BANCOS – Entre os principais bancos privados, o Bradesco projeta crescimento de 8,5% a 10,5% na carteira de crédito neste ano, após alta de 11% em 2025 (acima do guidance, que era de 4% a 8%). A carteira expandida somou R$ 1,1 trilhão, sendo 57,2% para pessoas jurídicas e 42,8% para pessoas físicas. Para micro e pequenas empresas, o valor foi de R$ 362,1 bilhões (+21,3%). O Itaú, cuja carteira somou R$ 1,5 trilhão em 2025 (+6%), espera crescer de 6,5% a 10,5% no mercado brasileiro. Para micro e pequenas empresas, a carteira foi de R$ 303,1 bilhões (+8,7%).
Em outra pesquisa, a Febraban informou que o setor espera corte de meio ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) em março (dias 17 e 18), quando ocorre a segunda reunião do Comitê de Política Monetária em 2026. O ritmo seria mantido nas reuniões seguintes. Além disso, “pouco mais de 60% dos participantes acreditam que os juros básicos devem ficar abaixo de 12,25% ao ano em dezembro”, disse a entidade. A taxa de 12,25% é a expectativa do Focus, boletim do Banco Central. Foram ouvidos 21 bancos. Para 76,2%, o Copom acertou ao manter os juros em janeiro e sinalizar com a flexibilização a partir de março.













