Imagine flutuar a poucos centímetros de uma queda d’água de 100 metros de altura. Na Zâmbia, isso é possível na Devil’s Pool, uma piscina natural na borda das Cataratas Vitória que atrai aventureiros do mundo inteiro atrás de adrenalina e de uma vista inesquecível.
Onde fica a Devil’s Pool e por que ela é tão famosa?
A Devil’s Pool está localizada no lado zambiano das Cataratas Vitória, uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo. De acordo com o site Wandering Carol, ela se formou ao longo de milênios pela erosão na borda do desfiladeiro, criando uma piscina natural protegida por um lábio de rocha basáltica que funciona como uma barreira submersa.
O que torna o local tão especial é a combinação única de geologia e hidrologia. A correnteza do rio Zambeze, em vez de puxar os nadadores para fora, empurra-os contra a parede de rocha, criando uma sensação de “piscina infinita” segura. A profundidade varia entre 1 e 2 metros, e a borda rochosa tem cerca de 30 a 50 centímetros acima da queda, conforme explica o site Mtembezi Safaris.

O canal Davud Akhundzada, com 917 mil inscritos, registrou a experiência de nadar na Devil’s Pool. O vídeo mostra a chegada às Cataratas, a emoção de flutuar sobre o abismo e a vista de tirar o fôlego. Confira:
Como a geologia protege os nadadores na Devil’s Pool?
A segurança da Devil’s Pool não é obra do acaso, mas sim da geologia milenar da região. A erosão diferencial das rochas basálticas criou uma saliência submersa que retém a água e os nadadores. Durante a estação seca, quando o volume do rio diminui, essa barreira fica exposta e visível, formando uma proteção natural.
Além disso, a força da correnteza atua de forma contrária ao que se poderia imaginar. Em vez de sugar para o precipício, o fluxo do Zambeze empurra os visitantes contra a parede de rocha, mantendo-os na parte mais rasa da piscina. Guias locais experientes monitoram constantemente as condições e garantem que grupos pequenos possam desfrutar do local com segurança.

Quando é seguro nadar na Devil’s Pool?
A janela para visitar a Devil’s Pool é restrita à temporada seca, que vai de agosto a dezembro, com pico ideal entre setembro e outubro. Nesse período, o fluxo do rio Zambeze cai cerca de 90%, expondo a barreira rochosa e reduzindo a força da correnteza a níveis seguros para banho.
Durante a temporada de cheias, de janeiro a julho, o volume de água atinge impressionantes 500 milhões de litros por minuto, tornando o acesso extremamente perigoso e proibido. Guias locais verificam os níveis diariamente e só autorizam a entrada quando as condições são ideais. Visitantes precisam ter boa capacidade de natação e usam coletes salva-vidas durante todo o percurso.
A tabela abaixo resume as épocas do ano e as condições de acesso à Devil’s Pool:
| Período | Condições |
|---|---|
| Agosto a dezembro | Temporada seca, fluxo reduzido, acesso seguro com guias |
| Setembro a outubro | Pico ideal, água baixa e visibilidade máxima da borda |
| Janeiro a julho | Temporada de cheias, volume altíssimo, acesso proibido |
Qual a sensação de nadar na borda do abismo?
Deitado na borda da piscina, o nadador vê o rio despencar 100 metros até o desfiladeiro, enquanto a névoa das quedas forma arco íris permanentes. A sensação é de um “salto no vazio” sem sair da água, como se estivesse voando sobre o precipício. Guias seguram os pés dos visitantes para fotos icônicas e garantem que ninguém se aproxime demais da borda.
A adrenalina visual é o grande atrativo. Diferente de outras piscinas naturais, aqui o perigo aparente é real, mas a proteção geológica transforma o medo em euforia controlada. Muitos descrevem a experiência como uma das mais intensas de suas vidas, comparável a saltar de paraquedas ou escalar montanhas.
Algumas recomendações importantes para quem pretende visitar a Devil’s Pool:
- Contrate guias locais credenciados: Eles conhecem as condições do rio e os pontos seguros para entrar.
- Vá na época certa: Agosto a dezembro é a única janela segura. Fora disso, o acesso é proibido.
- Esteja preparado fisicamente: É preciso nadar contra pequenas correntezas e caminhar sobre rochas escorregadias.
- Use colete salva-vidas: Mesmo sendo bom nadador, o equipamento é obrigatório por segurança.
- Respeite os limites: Os guias sabem até onde é seguro ir. Siga as instruções à risca.
- Aproveite cada segundo: A vista é única e a experiência fica para sempre na memória.

Por que a Devil’s Pool é considerada uma atração única no mundo?
A combinação de geologia, hidrologia e paisagem faz da Devil’s Pool um fenômeno raro. Existem outras piscinas naturais em quedas d’água, mas nenhuma oferece a mesma sensação de estar literalmente na borda de um abismo ativo, com o trovão das águas ecoando ao fundo e a névoa refrescante no rosto.
O local também carrega um significado cultural para os povos locais, que chamam as Cataratas Vitória de “Mosi-oa-Tunya”, ou “a fumaça que troveja”. Nadar ali é, de certa forma, conectar-se com a força ancestral da natureza e com a história geológica que moldou a região ao longo de milhões de anos.
Vale a pena encarar a Devil’s Pool?
Para quem busca emoção, paisagens grandiosas e uma história para contar, a resposta é sim. A Devil’s Pool oferece uma experiência que poucos lugares no mundo podem igualar. A combinação de segurança e perigo aparente, de contemplação e adrenalina, de beleza e respeito pela força da natureza é algo transformador.
Se você planeja uma viagem à África do Sul, Zâmbia ou Zimbábue, incluir as Cataratas Vitória e a Devil’s Pool no roteiro é quase obrigatório. A janela de visitação é curta, a aventura é intensa, mas a recompensa é uma vista que fica gravada para sempre na memória e nas fotos mais incríveis que você já tirou.

