Mesmo em um ambiente de política monetária restritiva, o custo do financiamento de veículos recuou ao longo de 2025. A taxa média anual caiu para 21,5% no fim do ano, ante 24,4% no início do período, apesar de a Selic ter atingido 15%. O levantamento é da ANEF, Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras. “O movimento reflete a dinâmica competitiva do mercado, que, por meio de incentivos, atraiu compradores com perfis de menor risco”, afirma Enilson Sales, presidente da ANEF.
No mesmo intervalo, o mercado manteve expansão. O saldo total da carteira de financiamento de veículos chegou a R$ 544,4 bilhões, crescimento de 12% em relação a 2024, quando somava R$ 486,2 bilhões. O desempenho superou a evolução do crédito total do Sistema Financeiro Nacional, que avançou 10,2% no período, conforme dados do Banco Central divulgados em dezembro.
O avanço ocorreu mesmo com maior seletividade na concessão de crédito e juros elevados. O volume total de recursos liberados aumentou 3,5%, para R$ 283,4 bilhões, frente aos R$ 273,7 bilhões registrados no ano anterior. A demanda foi liderada principalmente por pessoas físicas por meio do Crédito Direto ao Consumidor (CDC), responsável por R$ 281,4 bilhões em financiamentos, sendo R$ 222,7 bilhões associados ao consumo das famílias.
Para 2026, a ANEF projeta crescimento moderado do mercado, com expansão de cerca de 3,9% nos recursos liberados para financiamento de veículos. “Após a resiliência demonstrada em 2025, mesmo com juros elevados, o setor deve avançar com cautela, apoiado na gradual melhora das condições de crédito, mas ainda sob um cenário macroeconômico desafiador. A seletividade dos bancos na concessão do crédito deve se manter. Porém, haverá mais competitividade entre as modalidades de financiamento, uma vez que o Consórcio e o Leasing vêm aumentando sua participação”, conclui o presidente da entidade.













