O Brasil passa a se destacar, de forma mais visível, como destino migratório no cenário internacional, impulsionado pela contratação formal de profissionais estrangeiros e pelo crescimento dos vistos de residência por investimento. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, mais de 70 mil estrangeiros ingressaram no mercado formal brasileiro em 2024 e 2025, com predominância de mão de obra qualificada. O movimento sinaliza uma mudança relevante para um país historicamente associado à emigração, em meio a um contexto global marcado pela disputa por talentos e pela reorganização das cadeias produtivas.
Esse fluxo crescente tem se concentrado principalmente em profissionais provenientes da América Latina e da Europa, atraídos por oportunidades nos setores de tecnologia, indústria, inovação e serviços especializados, conforme apontam relatórios recentes da Organização Internacional para as Migrações (OIM) e da OCDE. A mobilidade internacional também se intensifica em formatos híbridos, com pessoas mantendo vínculos em mais de um país. Um exemplo recente é a decisão do Consulado da Itália em São Paulo de iniciar, em janeiro de 2026, a emissão da Carta d’Identità Eletrônica (CIE), facilitando a vida de cidadãos ítalo-brasileiros residentes no Brasil e reforçando debates sobre dupla residência, circulação de profissionais e segurança jurídica em contextos transnacionais.
Para Clarissa Barroso, advogada e sócia-fundadora do BFA Direito Migratório, esse cenário exige uma leitura mais madura sobre o papel do Brasil no mapa migratório global. “O país deixou de ser apenas um ponto de partida e passou a figurar como destino estratégico para profissionais estrangeiros e investidores. No entanto, residência e vistos não são produtos prontos. São direitos regulados por lei, com critérios objetivos, riscos concretos e impactos diretos na vida profissional, fiscal e familiar do estrangeiro”, afirma a especialista, destacando a importância de uma análise jurídica individualizada para evitar irregularidades e falsas expectativas.
A consolidação do Brasil como destino migratório depende menos de promessas de simplificação e mais de segurança jurídica, previsibilidade e interpretação técnica das normas em vigor. A experiência do BFA Direito Migratório em processos reais envolvendo Europa, América Latina e Brasil mostra que, embora haja avanços significativos no debate sobre vistos para investidores, profissionais estratégicos e digital nomads, o sistema migratório brasileiro continua estruturado por critérios legais rigorosos, que impactam diretamente a vida profissional, fiscal e familiar do estrangeiro. Para Barroso, “o crescimento do interesse pelo Brasil é um sinal positivo, mas precisa ser acompanhado de responsabilidade jurídica. Migrar não é um atalho administrativo; é uma decisão de vida que exige planejamento”.
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