Em um país que envelhece mais rápido do que ajusta sua cultura de proteção financeira, o seguro de vida começa a ganhar um novo lugar no planejamento das famílias. E não é apenas como amparo em caso de morte, mas como ferramenta prática para atravessar imprevistos, custear tratamentos e até organizar sucessão patrimonial.
Essa foi a linha central defendida por Patrícia Freitas, CEO da Prudential do Brasil, em entrevista ao programa BM&C Business. Segundo ela, o Brasil ainda tem baixa penetração de seguro de vida: 18%, número que inclui modalidades como produtos corporativos e seguros vinculados a crédito. Em comparação, ela citou o Japão, onde cerca de 98% da população possui seguro de vida. “As pessoas acham que vão falar sobre morte. As pessoas vão falar sobre vida”, disse. Veja o programa na íntegra aqui.
90% dos benefícios pagos “em vida”
Patrícia reforçou que a percepção tradicional — seguro de vida como “seguro para morte” — já não descreve o que o mercado entrega. No caso da Prudential, ela afirmou que 90% dos benefícios pagos são em vida, com coberturas ligadas à sobrevivência, como apoio diante de doenças graves e internações, além de impactos indiretos como afastamento do trabalho. “A conversa do seguro de vida tem que partir de uma tranquilidade em vida. Não de uma conversa ruim”, afirmou.
A CEO relacionou esse debate ao envelhecimento da população e à necessidade de ampliar instrumentos de proteção em um cenário de maior longevidade — e de custos crescentes para famílias que dependem de renda e saúde.
Sucessão, inventário e “conta de 20%”
Ao tratar de planejamento patrimonial, Patrícia chamou atenção para o custo e a complexidade do inventário no Brasil. Ela afirmou que, em geral, o processo pode envolver despesas que chegam a até 20% do patrimônio, somando custos advocatícios e transferência, além do risco de o patrimônio permanecer imobilizado enquanto a família precisa manter despesas do dia a dia. “Você não só não tem os 20%, como você tem que continuar pagando os custos… e o patrimônio está imobilizado”, disse.
Na visão da CEO, o seguro pode funcionar como instrumento de liquidez imediata — uma proteção financeira que evita decisões precipitadas em momentos de fragilidade e reduz a pressão sobre a família.
Produto “nivelado” e previsibilidade: pagar cedo para manter a cobertura
Patrícia citou como diferencial os seguros estruturados com pagamento previsível, sem reajuste por idade — apenas correção inflacionária. Ela também comentou que, pela regulação, o seguro de vida pode ser contratado a partir dos 14 anos e relatou o próprio caso, ao dizer que fez apólices para os filhos ainda jovens, com cobertura para a vida inteira. “Você sabe quanto vai pagar e por quanto tempo vai pagar… e pode ter a vida inteira aquela proteção”, explicou.
Ela também deu um exemplo para enfatizar estabilidade do contrato: mesmo que uma pessoa seja diagnosticada com uma doença grave pouco tempo após contratar, o produto não “muda de preço” em função desse evento, e a cobertura se mantém conforme a apólice.
Do B2C ao digital: franquias, parcerias e benefício pago em 1 hora
A Prudential se define hoje como uma operação multicanal, combinando:
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Rede franqueada (Life Planner), com mais de 2.300 franqueados;
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Parcerias selecionadas, com “curadoria forte” e poucos parceiros;
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Canais digitais, que ampliaram alcance para “todas as cidades”.
Patrícia detalhou a expansão territorial via franquias: presença em 39 cidades, com 46 pontos de apoio, em 16 estados + Distrito Federal. No digital, afirmou que a empresa chegou aos 5.500 municípios e que, em produtos digitais, o pagamento do benefício pode ocorrer em cerca de 1 hora, enquanto nos demais a média é de três dias.
A CEO citou ainda que há ofertas digitais com custo abaixo de R$ 10, voltadas a necessidades mais imediatas.
Educação financeira baixa e o desafio de “explicar melhor”
Entre os obstáculos para aumentar a penetração, Patrícia apontou um problema que vai além do preço: comunicação. Ela criticou a complexidade do “segurês” (ex.: “prêmio nivelado”, “risco congelado”) e disse que o setor precisa simplificar termos e condições para gerar confiança. “Quando eu entrei no mercado segurador, achava que prêmio era uma coisa que você ganhava — e na verdade o prêmio é o que você paga”, relatou.
Ela também mencionou uma pesquisa feita com a FGV (sem detalhar números) em que aparecem justificativas recorrentes para não contratar seguro: “não posso pagar”, “não preciso”, “não conheço”.
Meta: 7 milhões de vidas até 2027 e franquias acima de 4 mil até 2030
Patrícia disse que a empresa quer sair do patamar atual, mais de 6,2 milhões de vidas protegidas, para 7 milhões até 2027. Para 2030, citou o objetivo de dobrar a rede de franquias, saindo de 2,3 mil para mais de 4 mil franqueados.
No recorte de mercado, ela afirmou que a indústria de seguros no Brasil busca crescer de cerca de 6% do PIB para 10% até 2030, o que dependeria de atuação conjunta do setor e diálogo com o regulador.
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