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Câmbio segue ameaçado por mais volatilidade com risco político-fiscal e saída de recursos no fim do ano-BofA

Redação BM&C News Por Redação BM&C News
10/01/2022
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 Uma combinação entre celeuma política, risco fiscal e fluxos negativos pode trazer volatilidade ao real, apesar do benefício à moeda decorrente da perspectiva de alta de juros, disseram Gabriel Tenorio e Claudio Irigoyen, do Bank of America, em relatório nesta quarta-feira.

O banco norte-americano, inclusive, elevou a projeção para o dólar ao fim deste ano a 5,10 reais, de 5,0 reais, devido à escalada do risco político. O dólar à vista estava em 5,2550 reais nesta quarta-feira.

Eles notaram que a pandemia arrefeceu no Brasil, mas ponderaram que a economia está desacelerando enquanto a inflação continua a surpreender para cima, o que vai levar o Banco Central a subir a taxa Selic para 8,0% até o término deste ano, ante os atuais 5,25%.

“Apesar disso (alta de juros e pandemia em declínio) estamos cautelosos”, disseram Tenorio e Irigoyen, que veem o barulho político como “muito alto” em meio a “fortes” atritos entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

“Há grande incerteza fiscal, com o impulso para expandir o programa social Bolsa Família e a necessidade de acomodar no Orçamento passivos na forma de pagamentos de precatórios acima do esperado”, disseram.

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Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

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Além disso, os profissionais pontuaram que até o fim do ano pode haver fluxos de saída de capital do país devido à sazonal remessa de lucros e dividendos de empresas e à compra de dólares decorrente do ajuste do setor bancário ao “overhedge”, a proteção adicional carregada pelos bancos que deixou de ser interessante após mudança regulatória pelo BC.

Na véspera, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que a instituição provavelmente terá que atuar no câmbio por causa de demanda associada ao “overhedge”.

O real, pelos cálculos do BofA, está 21% abaixo de seu valor justo (em torno de 4,20 reais por dólar). Com tanta “gordura” para queimar, o banco privado espera que o câmbio devolva algum prêmio de risco em meio ao ciclo de alta de juros e a um eventual alívio na incerteza político-fiscal.

“Em nossa opinião, os principais riscos seriam as incertezas fiscais e políticas aumentarem ainda mais, causando surtos de volatilidade na moeda”, disseram Tenorio e Irigoyen. De acordo com dados da Refinitiv, o real há tempos é a moeda emergente com maior volatilidade implícita.

Tenorio e Irigoyen chamaram atenção para o fato de o posicionamento de investidores domésticos estar mais leve do que em julho, enquanto os estrangeiros pareceram adicionar posições, conforme dados da B3.

A compilação proprietária de fluxos pelo BofA indica que alguns “hedge funds” parecem ter montado posições em real, enquanto investidores conhecidos como “real money” (fundos de pensão, por exemplo, com alocações mais de longo prazo) cortaram exposição à moeda brasileira.

O BofA estima que o dólar fechará o primeiro trimestre de 2022 em 5,10 reais, indo a 5,20 reais no encerramento de junho.

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