O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, encerrou o dia em queda de 0,54%, aos 136.743 pontos. O movimento refletiu a cautela dos agentes econômicos diante da decisão anunciada pelo governo dos EUA de aplicar uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, impactando diretamente setores exportadores, como aeronáutico e de alimentos.
Apesar do cenário adverso, a queda foi moderada, indicando que o mercado vê margem para negociação entre os governos nos próximos dias. O volume financeiro negociado na sessão somou cerca de R$ 26,2 bilhões.
Dólar comercial sobe e se aproxima de R$ 5,55
A moeda norte-americana teve alta expressiva no dia, com o dólar comercial encerrando entre R$ 5,54 e R$ 5,55, o que representa uma valorização próxima de 0,7%. A alta foi impulsionada tanto pela aversão ao risco no cenário externo quanto pela reprecificação de ativos ligados ao comércio exterior.
Ações em destaque: Embraer e varejistas caem; Vale e Marfrig se destacam
Maiores quedas do dia
As ações da Embraer (EMBR3) caíram 3,70%, liderando as perdas do dia, diante da expectativa de impacto direto das novas tarifas norte-americanas sobre o setor aéreo. O movimento foi acompanhado por papéis de empresas do setor de consumo e exportação, que também operaram em terreno negativo.
Maiores altas do dia
Por outro lado, empresas ligadas à mineração e proteína animal registraram desempenho positivo. Os papéis da Vale (VALE3) subiram entre 2,3% e 3%, impulsionados pela valorização do minério de ferro e pela expectativa de menor impacto das tarifas sobre esse setor. A Marfrig (MRFG3) teve alta expressiva de 6,38%, em movimento de recuperação técnica após perdas recentes.
Bolsas internacionais fecham em alta, apesar das tensões comerciais
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários tiveram alta modesta. O S&P 500 avançou 0,27%, enquanto o Nasdaq registrou valorização de 0,09%. O otimismo lá fora contribuiu para limitar a queda da Bolsa brasileira, mesmo com o ruído causado pelas tarifas.
Perspectivas: IPCA de junho e desdobramentos das tarifas no radar
No cenário doméstico, investidores continuam acompanhando os dados de inflação. O IPCA de junho, divulgado nesta manhã, pode influenciar as expectativas em relação à política monetária e à trajetória da taxa Selic nos próximos meses.
No campo externo, os desdobramentos do anúncio feito pelos EUA devem continuar ditando o comportamento dos ativos nos próximos pregões. O mercado estará atento a qualquer sinal de retomada de diálogo comercial ou escalada de tensões tarifárias, o que pode gerar volatilidade adicional.

