O Departamento de Pesquisa Econômica (DPEc) do Banco Daycoval projeta inflação de 4,6% medida pelo IPCA em 2026, em um cenário que ainda combina pressões inflacionárias, juros elevados e incertezas no ambiente externo.
No mesmo relatório, o banco estima que a taxa Selic deve encerrar 2026 em 12% ao ano, refletindo um cenário em que o Banco Central ainda precisará manter condições monetárias restritivas para conter a inflação.
O documento também aponta que as expectativas do mercado seguem pressionadas. Segundo dados do boletim Focus citados no relatório, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu de 4,71% para 4,80%, enquanto as estimativas para 2027 avançaram de 3,91% para 3,99%.
Para a política monetária, as expectativas para a Selic em 2026 também foram revisadas para cima, passando de 12,50% para 13,00%.
Transações correntes devem registrar déficit em março
Além das projeções macroeconômicas, o relatório aponta que a agenda econômica da semana no Brasil terá como destaque a divulgação dos dados de transações correntes de março.
A expectativa do Daycoval é de algum impacto positivo da alta recente do petróleo sobre o setor exportador brasileiro. Com isso, o banco projeta superávit de US$ 5,7 bilhões na balança comercial no mês.
Mesmo assim, o resultado das demais contas externas deve manter o saldo negativo. A estimativa é de déficit de US$ 4,5 bilhões na conta de serviços e de US$ 9,8 bilhões na conta de renda, levando o saldo das transações correntes para – US$ 8,5 bilhões em março.
O relatório também projeta entrada de US$ 5,7 bilhões em Investimento Direto no País (IDP) no período, indicando continuidade do fluxo de capital estrangeiro para a economia brasileira.
Conflito no Oriente Médio volta ao radar do mercado
No cenário internacional, o relatório aponta que os desdobramentos do conflito no Oriente Médio devem dominar a atenção dos investidores ao longo da semana.
Após uma redução temporária das tensões, com o avanço das conversas entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Canal de Hormuz, os preços do petróleo chegaram a recuar.
No entanto, o novo fechamento da passagem marítima no fim de semana voltou a elevar as preocupações com a oferta global da commodity, o que pode gerar efeitos sobre inflação, crescimento econômico e política monetária ao redor do mundo.
Dados dos EUA completam a agenda econômica
Mesmo com uma agenda internacional mais limitada, alguns indicadores dos Estados Unidos também estarão no radar dos mercados.
Entre os principais dados previstos estão as expectativas de inflação da Universidade de Michigan para abril, além das vendas no varejo, que têm projeção de alta de 1,3% no mês.
Também serão divulgados a sondagem industrial do Fed de Kansas e os PMIs de serviços e indústria, indicadores acompanhados pelos investidores para avaliar o ritmo da atividade econômica americana.
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