Com 4,45 metros de altura e um peso de quase quatro toneladas, o Monumento O Laçador é o guardião de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Fundida em bronze, a estátua que retrata o tradicionalista pilchado virou o maior símbolo da identidade cultural gaúcha, recebendo os viajantes com imponência.
Quem foi o modelo que inspirou a estátua do Laçador?
O escultor Antônio Caringi precisava de um modelo autêntico para representar a figura do gaúcho. O folclorista e tradicionalista Paixão Côrtes foi o escolhido para posar com as vestes típicas (bombacha, bota, lenço e laço), emprestando sua postura e feições para a obra que seria eternizada no metal.
A obra foi vencedora de um concurso em 1954 e rapidamente adotada pela população como símbolo oficial da cidade. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE-RS) reconhece a escultura como um bem cultural intangível do povo sul-rio-grandense.

Por que a estátua precisou mudar de endereço na capital?
Originalmente instalada na Praça do Bombeador, a escultura precisou ser transferida em 2007 para o Sítio O Laçador, um espaço mais amplo próximo ao Aeroporto Salgado Filho, devido às obras de expansão viária e do metrô de superfície.
Abaixo, detalhamos os dados técnicos que revelam a complexidade de mover e manter esta estátua maciça de bronze em espaço público:
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Material: Bronze fundido.
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Altura Total: 4,45 metros (apenas a estátua) e peso de 3,8 toneladas.
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Base: Pedestal de granito trapezoidal.
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Autoria: Antônio Caringi (Escultor) e Paixão Côrtes (Modelo).
Como a engenharia de restauro cura as fissuras no bronze?
A exposição constante à poluição urbana e as mudanças climáticas de Porto Alegre causaram microfissuras e corrosão na estrutura interna do monumento. Recentemente, a estátua foi removida de seu pedestal para um minucioso processo de “cura” em um pavilhão de restauro.
Para compreender os desafios da conservação de obras públicas de metal, apresentamos a comparação técnica entre os danos e as soluções aplicadas:
| Problema Estrutural | Efeito no Monumento de Bronze | Solução de Restauro Aplicada |
| Corrosão Interna | Risco de quebra nas pernas da estátua | Reforço do esqueleto interno com ligas modernas |
| Oxidação da Superfície | Perda de detalhes da escultura (pátina agressiva) | Limpeza química e aplicação de ceras protetoras |
O que a indumentária do monumento representa historicamente?
A escultura é uma aula de indumentária gaúcha. O personagem não veste roupas de gala, mas sim a “pilcha” de trabalho das estâncias pampianas: o lenço no pescoço para proteção do frio, o laço de couro pronto para o arremate e as esporas para a lida com o cavalo.
Cada detalhe forjado em bronze foi pensado para celebrar o homem do campo que desbravou as fronteiras do sul do Brasil, garantindo a soberania do território através do trabalho pecuário e militar.
Qual o papel da estátua para os porto-alegrenses atuais?
O Laçador é mais que um ponto turístico; é um orientador emocional. Para muitos gaúchos, ver a estátua ao chegar do aeroporto é o alívio de saber que estão de volta a casa. O sítio onde está instalada frequentemente recebe rodas de chimarrão e eventos que celebram a cultura regional.
Preservar esta obra de quatro toneladas não é apenas manter o bronze brilhando; é manter intacto o orgulho de um povo que tem na figura do centauro dos pampas o seu maior herói anônimo.

