À medida que o mercado de trabalho global passa por transformações estruturais impulsionadas por tecnologia, mudanças demográficas e novos formatos de renda, a creator economy começa a ganhar relevância também como objeto de análise econômica. Para 2026, a tendência é que a atividade deixe de ser vista apenas como fenômeno de redes sociais e passe a ser observada como um segmento organizado da economia digital, com impactos sobre renda, ocupação e educação.
No Brasil, esse movimento acompanha a busca por modelos de trabalho mais flexíveis e pela diversificação de fontes de renda, em um ambiente marcado por ciclos econômicos mais voláteis. Segundo Lorram Félix, fundador da plataforma Kirvano, o setor passa por um processo de amadurecimento. “Estamos diante de uma virada importante: a era em que ser criador não é mais sinônimo de hobby ou sorte, mas de profissão, estratégia e sustentabilidade”, afirma.
Profissionalização como requisito
Um dos principais vetores dessa transição é a profissionalização dos criadores. A lógica de atuação informal tende a perder espaço para estruturas mais próximas às de pequenas empresas digitais, com atenção a posicionamento, modelo de negócio e gestão financeira.
“O futuro pertence aos criadores que tratam sua presença digital como um negócio, com estratégia, planejamento e estrutura”, diz Félix. Segundo ele, o mercado passa a exigir competências que vão além da produção de conteúdo, como branding, experiência do aluno e organização operacional.
Esse processo ocorre em paralelo à expansão de plataformas de cursos, mentorias e assinaturas, que reduzem barreiras técnicas para a monetização do conhecimento e ampliam o acesso a esse tipo de atividade como alternativa de renda.
Comunidades substituem métricas de alcance
Outra mudança estrutural observada é a revisão das métricas de relevância. Em vez de crescimento acelerado de audiência, ganha espaço a construção de comunidades menores, porém mais engajadas.
“Se antes o foco estava em crescer números, hoje o que mais importa é a profundidade das conexões”, afirma Félix. Na avaliação do executivo, o engajamento tende a ser mais determinante para a sustentabilidade financeira do criador do que o alcance puro.
Esse modelo se reflete na criação de ecossistemas próprios, com áreas de membros, programas recorrentes e produtos de longo prazo. “Em vez de vender um curso isolado, muitos criadores estão estruturando ofertas contínuas”, resume.
Educação digital como eixo central
A convergência entre influência e educação aparece como um dos pilares mais relevantes da creator economy nos próximos anos. A demanda por aprendizado prático e acessível tem impulsionado formatos alternativos ao ensino tradicional.
De acordo com o relatório The Creator Revolution, do Goldman Sachs, a economia dos criadores já movimenta mais de US$ 250 bilhões globalmente, com a educação digital entre os principais motores desse crescimento.
Internacionalização e tecnologia
Outro fator que tende a ganhar peso até 2026 é a internacionalização dos criadores brasileiros. O avanço de ferramentas de tradução automática, legendas por inteligência artificial e dublagem reduz barreiras de idioma e amplia o alcance global dos conteúdos.
“A criatividade brasileira sempre foi reconhecida, mas agora começa a se tornar também um produto digital exportável”, diz o fundador da Kirvano.
No campo tecnológico, a inteligência artificial aparece como instrumento de eficiência operacional. “O que se desenha é uma relação de parceria, não de substituição”, afirma Félix. Segundo ele, a IA já é utilizada para automatizar tarefas, apoiar roteirização e edição, mas não elimina a necessidade de curadoria e posicionamento humano.
Do ponto de vista do mercado de trabalho, a creator economy tende a funcionar menos como substituta e mais como complemento às ocupações tradicionais. A expectativa é de crescimento de modelos híbridos, nos quais profissionais conciliam carreiras formais com projetos próprios de conteúdo e educação digital.
Em um cenário de transição econômica, a creator economy passa a integrar o debate sobre renda, qualificação e novas formas de trabalho. “O futuro não será de quem cria mais, mas de quem cria com intenção”, conclui Félix.
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