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Eleições de 2026 e tensão entre poderes: os rumos do país no BM&C Visões

Renata Nunes Por Renata Nunes
15/09/2025
Em BM&C VISÕES, Entrevista, Exclusivas, Exclusivo, NACIONAL, polêmica, POLÍTICA

O BM&C Visões recebeu Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, para uma conversa conduzida pela jornalista Isabela Tacaki sobre dados, transparência e o tabuleiro político rumo às eleições 2026. Com base em métricas objetivas, a plataforma Ranking dos Políticos avalia deputados e senadores e tem observado, ao longo de 15 anos, avanços graduais no Parlamento, porém ainda aquém do ritmo que o país exige.

Nesse sentido, a entrevista abordou a percepção pública das instituições, o papel das redes sociais na atividade legislativa e a crescente tensão entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Além disso, o convidado apresentou leituras sobre a disputa presidencial, a recomposição do Congresso e a centralidade do Senado em 2026, quando dois terços das cadeiras estarão em jogo.

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Como medir o desempenho e por que isso importa para as eleições de 2026?

Arruda explicou que o ranking nasceu em 2011 e cruza quatro eixos, processos judiciais contra o Estado, qualidade do gasto, presenças/faltas e posicionamento em votações ligadas à eficiência do setor público (reformas, privatizações, concessões). A plataforma, segundo ele, influencia tanto a fiscalização do eleitor quanto a estratégia de campanha: parlamentares bem avaliados têm taxa de reeleição cerca de 20 pontos acima da média nacional.

Por outro lado, a visibilidade trouxe efeitos colaterais, se, de um lado, as redes sociais ampliaram a transparência, de outro, estimularam a “performatividade” política. Ainda assim, o saldo é positivo, a fiscalização em tempo real encurta a distância entre Brasília e a sociedade e ajuda o eleitor a decidir com mais informação em 2026.

STF, separação de poderes e gasto público em debate

O convidado sustentou que a percepção social sobre as instituições piorou nos últimos anos, em especial quanto ao Supremo Tribunal Federal. “A rotina de judicialização após derrotas políticas no Congresso impulsionou um Judiciário que por vezes legisla, enquanto o Executivo perdeu protagonismo orçamentário e o Legislativo ganhou força via emendas Pix“, avaliou. Nesse contexto, as relações entre os poderes tem se tornado “desarmônicas”.

Além disso, Arruda citou levantamentos comparativos de gasto e uma campanha chamada “Chega de super salários”, defendendo modernização do Estado e revisão de benefícios. “A pauta tem potencial de atravessar campos ideológicos e aparecer com força no debate das eleições 2026, sobretudo diante do quadro fiscal pressionado“, analisa.

Quais serão os vetores decisivos nas eleições de 2026?

Para Arruda, o Brasil continua essencialmente conservador, mas vive forte polarização. Assim, o “centro”, estimado em cerca de 10% do eleitorado, tende a decidir a disputa, como ocorreu recentemente. Enquanto isso, o presidente Lula deverá defender seu legado, no outro polo, Tarcísio de Freitas desponta, pela vitrine de São Paulo e pela projeção nacional que vem construindo. Outros governadores bem avaliados, como Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior, ainda careceriam de maior lastro nacional ou de estrutura partidária robusta.

Por outro lado, a eleição para o Senado assume papel estratégico, com duas das três cadeiras por estado em disputa, a nova correlação de forças pode redefinir temas como sabatinas, aprovação de ministros do STF e eventuais processos de impeachment. Nesse sentido, a composição do Senado será determinante para o desenho institucional do próximo ciclo.

Além disso, Arruda projeta que a tramitação de uma possível reforma administrativa pode avançar na Câmara, onde haveria ambiente favorável a um texto que reorganize carreiras, modernize estruturas e ataque “penduricalhos” que pressionam as contas públicas. Ainda assim, a travessia no Senado é incerta, o que realça, novamente, a importância da disputa legislativa em 2026 para o horizonte de reformas.

O eleitor pode mudar o jogo? O que observar até as eleições de 2026

  • Qualidade do gasto: acompanhar votos e relatórios sobre reforma administrativa e regras de pessoal.
  • Equilíbrio entre poderes: monitorar judicializações de pautas legislativas e seus desdobramentos.
  • Composição do Senado: entender como novas cadeiras influenciam sabatinas e freios/contrapesos.
  • Métricas objetivas: usar ferramentas como o Ranking dos Políticos para avaliar desempenho, não só retórica.
  • Centro decisivo: mapear como candidatos dialogam com o eleitor moderado, crucial nas eleições 2026.

Para o diretor do Ranking dos Políticos, o curto prazo fiscal é desafiador, com risco de pautas populistas e “bombas” herdadas para o próximo governo. Enquanto isso, episódios no campo judicial alimentam a sensação de perseguição política em parcelas da sociedade. Ainda assim, Arruda mantém uma expectativa pragmática, com mais dados, pressão social e foco em eficiência, o eleitor tem condições de premiar boas práticas e punir maus resultados.

“Mais do que criticar ou aplaudir, o desafio é acompanhar, cobrar e participar”, resumiu. Em outras palavras, a eficácia do voto em 2026 dependerá da capacidade de o eleitor transformar transparência em critério objetivo de escolha, e de exigir, no dia seguinte à urna, resultados, equilíbrio entre poderes e compromisso com reformas que destravem crescimento sustentável.

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