O mercado financeiro já começou a precificar as eleições 2026, em meio a preocupações crescentes com a trajetória da dívida pública, a fragilidade do arcabouço fiscal e a falta de reformas estruturais. A avaliação é de Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, em entrevista à BM&C News.
Segundo Cruz, embora o calendário eleitoral ainda esteja distante, o fator político ganhou peso logo no início do ano.
“A influência das eleições sobre os preços tende a se intensificar nos próximos meses, à medida que as pesquisas avancem e o mercado passe a testar cenários mais definidos“, afirma Gustavo Cruz.
Eleições 2026: eleitorado independente define o equilíbrio do segundo turno
As sondagens mais recentes mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderando os cenários de segundo turno, em um país ainda bastante dividido. O estrategista ressalta, no entanto, que o mercado observa menos a liderança em si e mais a configuração da disputa, especialmente o comportamento do eleitorado independente. Nesse ponto, Cruz destaca a diferença entre os cenários.
“Em confrontos entre Lula e Tarcísio de Freitas, o governador de São Paulo tende a ter melhor desempenho entre eleitores independentes. Já em disputas contra Flávio Bolsonaro, Lula aparece mais forte nesse grupo, o que torna o cenário menos equilibrado“, analisa.
O impacto do cenário político sobre o fiscal
Para o mercado, essa diferença tem implicações diretas sobre o risco fiscal. Cruz alerta que um cenário de amplo favoritismo pode reduzir o incentivo a um discurso de responsabilidade.
“Se a eleição não for competitiva, o compromisso com o fiscal perde peso”, afirmou.
O estrategista lembra que o próprio Tesouro Nacional já indicou que a dívida pública pode se aproximar de 90% do PIB nos próximos anos, caso não haja medidas relevantes de ajuste. Segundo ele, os técnicos do governo reconhecem o problema, mas a resposta política depende do ambiente eleitoral.
Eleições 2026 aumenta complexidade do trade eleitoral
Nesse contexto, o chamado trade eleitoral ficou mais complexo. Para Cruz, a forma como o vencedor se impõe é tão relevante quanto o resultado final, pois influencia diretamente a condução da política econômica.
Além disso, o estrategista aponta que o caso Banco Master pode adicionar ruído ao cenário político em Brasília, com potencial de interferir no debate eleitoral e desviar a atenção de outras fragilidades fiscais e institucionais às vésperas de 2026.













