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Impacto no bolso? Reforma pode encarecer passagens

Laila Por Laila
01/06/2025
Em Mundo

A recente reforma tributária no Brasil tem gerado preocupações significativas no setor aéreo. Com a introdução de novas regras fiscais, especialistas alertam para possíveis aumentos nos custos operacionais das companhias aéreas, o que pode resultar em passagens mais caras e redução na demanda por voos. Este artigo explora as principais mudanças introduzidas pela reforma e suas implicações para passageiros e empresas aéreas.

Com a implementação gradual das novas regras fiscais prevista para iniciar em 2026 e concluir em 2033, é essencial compreender como essas alterações podem afetar o transporte aéreo no país. A seguir, abordamos as principais questões relacionadas aos impactos da reforma tributária no setor aéreo brasileiro.

Como a reforma tributária afeta os preços das passagens aéreas?

A reforma tributária prevê a substituição de tributos como PIS, COFINS, ISS e ICMS por novos impostos, como a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Essa mudança resultará em uma alíquota padrão de até 26,5% para o setor aéreo, o que representa um aumento significativo em relação à carga tributária atual. Consequentemente, estima-se que os preços das passagens aéreas possam subir entre 15% e 20%.

Além disso, a tributação sobre o Querosene de Aviação (QAV) e contratos de leasing de aeronaves, que atualmente são isentos, passará a ser aplicada, aumentando ainda mais os custos operacionais das companhias aéreas. Esses fatores combinados podem levar a um repasse dos custos aos consumidores, encarecendo as passagens aéreas tanto em voos domésticos quanto internacionais.

Impacto no bolso? Reforma pode encarecer passagens
Aeroporto Santos Dumont – Créditos: depositphotos.com / Brasilnut

Quais são os impactos esperados na demanda por voos?

Com o aumento dos preços das passagens, é provável que haja uma redução na demanda por voos. Estudos indicam que o impacto tributário pode eliminar até 6,2% dos voos domésticos e provocar uma queda de 22% na entrada de passageiros internacionais no país. Essa diminuição na demanda pode afetar não apenas as companhias aéreas, mas também toda a cadeia do turismo nacional, incluindo hotéis, restaurantes e outros serviços relacionados.

A redução no número de passageiros pode levar à diminuição da oferta de voos, impactando a conectividade e acessibilidade de diversas regiões do país. Isso representa um desafio significativo para o setor, que precisa encontrar maneiras de mitigar esses efeitos.

Como a tributação de voos internacionais será alterada?

Atualmente, os voos internacionais são desonerados de impostos no Brasil. Com a reforma tributária, esses voos passarão a ser tributados. Se os trechos de ida e volta forem vendidos em conjunto, a base de cálculo do imposto corresponderá a metade do valor cobrado, resultando em uma alíquota de 13,25% caso a alíquota padrão seja de 26,5%. Para bilhetes adquiridos separadamente, a tributação será integral.

Essa mudança pode tornar as viagens internacionais mais caras para os brasileiros e menos atrativas para turistas estrangeiros, impactando negativamente o turismo e a economia nacional. O setor aéreo precisa se adaptar a essas novas condições para continuar competitivo.

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Aeroporto – Créditos: depositphotos.com / AirUbon

Quais medidas estão sendo propostas para mitigar os impactos negativos?

Diante dos potenciais efeitos adversos da reforma tributária, representantes do setor aéreo buscam diálogo com o governo para discutir alternativas que minimizem os impactos negativos. Uma das propostas é a inclusão da aviação comercial nas alíquotas diferenciadas, semelhante ao tratamento dado a outros segmentos do turismo.

Além disso, há sugestões para que voos regionais, como os da Amazônia Legal, possam ter uma redução de 40% na alíquota, caindo para 13,25%. Essas medidas visam preservar a competitividade do setor e garantir a acessibilidade do transporte aéreo para a população.

Quais são os principais desafios adicionais enfrentados pelo setor aéreo?

Além das questões tributárias, o setor aéreo brasileiro enfrenta outros desafios, como a volatilidade cambial. A alta do dólar impacta diretamente nos custos operacionais das companhias, já que muitos insumos, como peças de reposição e combustível, são cotados em moeda estrangeira.

Esse cenário, combinado com o aumento da carga tributária, pode tornar a operação no país ainda mais onerosa. As companhias aéreas precisam lidar com esses desafios para manter a sustentabilidade de suas operações e garantir a oferta de serviços acessíveis aos consumidores.

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