O mercado financeiro global concentra as atenções nesta sexta-feira (09) na divulgação do relatório de empregos dos Estados Unidos, o payroll, considerado o indicador macroeconômico mais relevante da semana e peça-chave para calibrar as expectativas em relação à política monetária do Federal Reserve.
O consenso do mercado aponta para a criação de 66 mil vagas de trabalho no setor não agrícola em dezembro. O dado será determinante para o comportamento dos ativos, especialmente juros e bolsas, ao indicar se o mercado de trabalho segue resiliente ou começa a mostrar sinais mais claros de desaceleração.
Para Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, apenas surpresas relevantes devem provocar movimentos mais intensos nos mercados. “O payroll é o indicador mais importante da semana e pode trazer certa volatilidade. Se vier muito acima ou muito abaixo do consenso, teremos uma movimentação mais atípica. Nossa projeção é que o número venha em linha, o que não altera a pausa do Fed em relação às taxas de juros”, avalia.
ADP e JOLTS ajudam a calibrar expectativas
Os dados antecedentes divulgados ao longo da semana reforçaram um cenário de moderação gradual no mercado de trabalho americano. O relatório da ADP mostrou a criação de 41 mil vagas no setor privado em dezembro, número abaixo das expectativas, sinalizando perda de fôlego na contratação pelas empresas.
Já o relatório JOLTS indicou que o número de vagas em aberto nos Estados Unidos caiu para 7,1 milhões em novembro, reforçando a leitura de normalização da demanda por mão de obra. Apesar da queda, o nível ainda permanece acima da média pré-pandemia, o que sustenta a avaliação de que o mercado de trabalho segue sólido, embora menos aquecido.
A combinação entre ADP mais fraco e redução das vagas abertas no JOLTS aumentou a sensibilidade dos investidores ao payroll, elevando o risco de volatilidade caso o dado oficial confirme um arrefecimento mais acentuado.
Impacto direto sobre Fed e ativos de risco
Segundo Mollo, um mercado de trabalho significativamente mais fraco poderia reabrir apostas em cortes de juros mais próximos nos Estados Unidos. “Se vier um mercado de trabalho muito fraco, pode aumentar a pressão sobre um corte de juros no Fed, em especial porque o presidente Donald Trump deseja que as taxas caiam de uma maneira mais agressiva”, afirma.
Nesse cenário, a reação dos mercados tende a ser positiva, especialmente para ativos de risco. “Quando temos um corte maior na taxa de juros, o dinheiro que está represado na renda fixa migra para a renda variável e os investidores começam a tomar mais risco. Se o número vier muito abaixo da projeção de 66 mil vagas, podemos esperar uma reação positiva ao anúncio”, completa o analista.
Por outro lado, um payroll muito acima do esperado pode reforçar a postura cautelosa do Fed, mantendo os juros elevados por mais tempo e pressionando bolsas e ativos sensíveis à taxa de desconto.













