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Mercado de olho em dados do varejo, riscos geopolíticos e ruídos políticos

Investidores acompanham dados do varejo no Brasil, indicadores nos EUA e o caso Banco Master

Renata NunesPor Renata Nunes
15/01/2026

Os mercados iniciam esta quinta-feira (15) com os investidores atentos à divulgação de indicadores relevantes no Brasil e nos Estados Unidos, enquanto seguem no radar os desdobramentos do caso do Banco Master, que continuam a gerar cautela no ambiente doméstico.

No Brasil, o destaque da agenda fica para os dados de vendas no varejo referentes a novembro, divulgados pelo IBGE. Às 9h, o mercado acompanha o resultado mensal, com expectativa de alta de 0,3%, enquanto a leitura anual anterior avançou 0,2%. Os números devem ajudar a calibrar as expectativas sobre o ritmo da atividade econômica no fim de 2025 e seus possíveis impactos sobre a inflação e a política monetária.

Indicadores americanos no radar do mercado

No cenário internacional, as atenções se voltam para os Estados Unidos, onde uma série de indicadores pode influenciar as expectativas em relação ao Federal Reserve. Às 10h30, será divulgado o Índice de Atividade Industrial do Fed da Filadélfia. Os pedidos iniciais por seguro-desemprego, também será divulgado nesta quinta-feira (15), a expectativa do mercado é de 215 mil solicitações.

Ainda pela manhã, às 10h45, o mercado acompanha o PMI industrial preliminar de janeiro. Já no fim do dia, às 18h30, será divulgado o balanço patrimonial do Federal Reserve, dado observado de perto pelos investidores em busca de sinais sobre a liquidez global.

Desdobramentos do caso Master

No ambiente doméstico, além da agenda econômica, o mercado segue monitorando os desdobramentos do caso do Banco Master, que permanece no centro das atenções após a liquidação extrajudicial. O tema segue influenciando a percepção de risco no setor financeiro e adiciona um componente extra de cautela aos ativos locais.

Com uma agenda carregada e fatores de incerteza tanto no cenário externo quanto interno, a tendência é de um pregão marcado por volatilidade, com os investidores ajustando posições à espera de novos sinais sobre atividade econômica, inflação e estabilidade do sistema financeiro.

Cenário geopolítico no radar

No cenário geopolítico, as tensões envolvendo Irã e Estados Unidos seguem no radar, embora com sinais pontuais de arrefecimento. Um dia após ameaçar a adoção de “duras medidas”, o presidente Donald Trump afirmou ter sido informado de que as execuções em Teerã teriam sido interrompidas. Pouco depois, organizações de direitos humanos relataram o adiamento da execução do manifestante Erfan Soltani, indicando um possível recuo tático das autoridades iranianas.

Apesar disso, o mercado ainda trabalha com cautela. Faltam detalhes sobre a origem das informações citadas por Trump e sobre uma mudança estrutural na postura do regime iraniano. Além disso, o Irã anunciou o fechamento temporário de seu espaço aéreo, com exceção de voos internacionais de entrada e saída, enquanto o chanceler Abbas Araghchi adotou um discurso de “calma e controle”. A avaliação predominante é de que o risco diminuiu no curto prazo, mas não foi eliminado, mantendo a chamada “precificação por manchete” nos ativos globais.

Grandes bancos americanos em foco

Nos Estados Unidos, os investidores também acompanham de perto a temporada de balanços dos grandes bancos. Após resultados considerados decepcionantes de Bank of America, Citigroup e Wells Fargo, o foco desta quinta-feira recai sobre os números de Goldman Sachs e Morgan Stanley, divulgados antes da abertura em Nova York, além do balanço da BlackRock, maior gestora de recursos do mundo.

O mercado avalia especialmente o desempenho das áreas de trading e investment banking, a qualidade do crédito, o nível de provisões e, no caso da BlackRock, os fluxos de captação.

Powell, Fed e Donald Trump

Outro ponto de atenção no cenário internacional é a política monetária americana e os ruídos institucionais envolvendo o Federal Reserve. Trump afirmou  que não pretende demitir Jerome Powell, mas manteve um discurso ambíguo ao dizer que ainda seria “cedo demais” para tratar do tema.

Cresce, entre analistas, a leitura de que Powell poderia permanecer no Fed até 2028, o que funcionaria como um freio institucional contra pressões políticas por cortes mais agressivos de juros. Qualquer ruído adicional nessa discussão tende a impactar os Treasuries, o dólar global e o apetite por risco.

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No Brasil, o noticiário político adiciona novas camadas de incerteza. O Orçamento de 2026 foi sancionado com veto de aproximadamente R$ 392,8 milhões em emendas, embora haja acordo para liberação de parte relevante dos recursos antes do período eleitoral.

Além disso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que deixará o cargo ainda neste mês, com o secretário-executivo Dario Durigan citado como um dos nomes fortes para a sucessão.

MERCADO

Crédito: Alex Luna - PEXELS

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