O Ibovespa viveu um pregão de forte volatilidade nesta quinta-feira (29) e terminou o dia em queda, apesar de ter renovado a máxima histórica intraday ao longo da manhã. O principal índice da B3 chegou a tocar os 186.449,75 pontos, impulsionado pela leitura positiva do comunicado do Copom, mas perdeu fôlego ao longo da tarde e encerrou em baixa de 0,84%, aos 183.133,75 pontos.
O movimento refletiu um dia de “digestão” após a chamada superquarta, quando decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos redefiniram as expectativas do mercado. “Conforme o pregão avançou, o mercado passou a acompanhar o exterior mais negativo, principalmente com a mudança de humor em Nova York após balanços de big techs e discussões sobre investimentos elevados em IA, o que pressionou, sem dúvidas, o apetite por risco e tirou fôlego da alta doméstica”, diz José Áureo Viana, planejador financeiro e sócio da Blue3 Investimentos.
Além disso, fatores geopolíticos contribuíram para o aumento da volatilidade, como as ameaças do ex-presidente Donald Trump de promover um ataque contra o Irã e o risco de um novo shutdown do governo americano a partir do fim de semana. Para o analista, o fechamento em baixa refletiu uma combinação entre fatores externos e realização natural. “Em outras palavras, vejo que o recorde intradiário teve muito de reprecificação local e a virada teve muito de correlação com o ‘risk-off’ no exterior, além de realização natural depois de um movimento forte no mês.”
Dólar recua com commodities e fluxo estrangeiro
No mercado de câmbio, o dólar à vista fechou em baixa de 0,25%, a R$ 5,1936, após um dia igualmente marcado por forte volatilidade. A moeda americana oscilou entre R$ 5,1659 e R$ 5,2488.
O dólar chegou a subir no início da tarde com a piora do humor externo e a busca por proteção, mas voltou a ceder acompanhando o enfraquecimento da moeda americana no mercado internacional e a valorização das commodities. A alta do petróleo sustentou as moedas de países exportadores, como o real brasileiro.
Na avaliação de Viana, a dinâmica do câmbio foi muito parecida com a do mercado de ações. “O dólar comercial começou cedendo e chegou à mínima perto de R$ 5,166, mas depois esticou com a piora do exterior e a busca por proteção, tocando níveis acima de R$ 5,24 antes de voltar a oscilar.”
No cenário doméstico, a sinalização do Copom de que os cortes de juros devem começar de forma lenta ajudou a manter a atratividade do carry trade, sustentando o fluxo estrangeiro. Às 17h03, o dólar futuro para fevereiro operava perto da estabilidade, em leve baixa de 0,02%, a R$ 5,1965. No exterior, o índice DXY recuava 0,18%, aos 96,274 pontos.
Juros futuros caem e commodities limitam perdas
Os juros futuros recuaram ao longo da curva, reagindo ao comunicado do Copom e à perspectiva de início do ciclo de cortes da Selic. “Os juros futuros caíram ao longo da curva reagindo ao comunicado do Copom e ajudaram a reduzir prêmios ao reforçar a perspectiva de início de cortes, o que tende a ancorar melhor a parte intermediária e longa da curva”, avalia Viana.
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