O Focus de hoje, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (16), trouxe nova rodada de revisões nas expectativas do mercado para inflação, juros, atividade econômica e câmbio no horizonte de médio prazo.
O relatório reúne as estimativas de economistas de instituições financeiras e é considerado um dos principais termômetros das perspectivas macroeconômicas.
Focus de hoje mostra inflação acima do centro da meta em 2026
De acordo com o Focus de hoje, a projeção para o IPCA de 2026 foi fixada em 4,10%, indicando alta na expectativa de inflação e deixando a métrica mais distante do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
Para os anos seguintes, as estimativas apontam desaceleração gradual dos preços, com o índice previsto em 3,80% em 2027 e 3,50% em 2028 e 2029.
A leitura reforça a percepção de que o processo de convergência inflacionária tende a ocorrer de forma lenta, mantendo a política monetária em patamar restritivo por mais tempo.
Selic permanece elevada no horizonte relevante
No campo dos juros, o Focus de hoje indica que a taxa Selic deve encerrar 2026 em 12,25%, sinalizando expectativa de manutenção de condições monetárias apertadas diante das pressões inflacionárias e do nível de atividade.
Para os anos seguintes, o mercado projeta trajetória de queda gradual, com a taxa básica estimada em 10,50% em 2027, 10,00% em 2028 e 9,50% em 2029.
Focus de hoje: crescimento econômico moderado
O relatório também mostra que a expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permanece moderada. Segundo o Focus de hoje, a economia brasileira deve avançar 1,83% em 2026, com leve aceleração para 1,80% em 2027 e 2,00% em 2028 e 2029.
A leitura reflete um cenário de expansão mais limitada, influenciado pelo nível elevado dos juros, pelo ambiente externo desafiador e por incertezas fiscais domésticas.
Câmbio e setor externo
No mercado de câmbio, o relatório aponta projeção de dólar em R$ 5,40 ao final de 2026. Para os anos seguintes, a expectativa é de relativa estabilidade, com a moeda norte-americana estimada em R$ 5,50 em 2027 e 2028 e R$ 5,51 em 2029.
Já em relação ao setor externo, as estimativas indicam déficit em conta corrente ao redor de US$ 67,4 bilhões em 2026, com melhora gradual ao longo do período analisado.
Endividamento público segue em trajetória de alta
Outro ponto observado no Focus de hoje é a dinâmica fiscal. A dívida líquida do setor público deve alcançar 70,0% do PIB em 2026, avançando para 73,8% em 2027, 76,1% em 2028 e 78,8% em 2029, segundo as projeções medianas.
Os números indicam expectativa de continuidade do déficit primário nos próximos anos, ainda que com redução gradual da magnitude do desequilíbrio fiscal.
Guerra no Irã faz preço no Focus
O economista Maykon Douglas destaca que os dados do Focus foram muito impactados pela guerra do Irã. Ele destaca que tudo dependerá da duração do conflito e da oferta de petróleo, especialmente no Estreito de Ormuz.
“Apesar da situação de sobreoferta antes do conflito, o preço do petróleo vem se consolidando em níveis acima de US$ 100, e novas disrupções certamente farão com que o preço suba ainda mais. A política monetária ao redor do mundo volta a navegar em meio à forte neblina.”, avalia.
Com isso, o economista continua esperando um corte de 25 bps na taxa Selic pelo Copom nesta semana, em linha com o cenário que defende desde o quarto trimestre de 2025.
“O cenário-base da autoridade monetária deve ser o de choque não duradouro sobre os preços, mas eles devem ajustar a comunicação para mostrar cautela adicional, visto que o balanço de riscos piorou. No entanto, não seria surpreendente se eles não cortassem a Selic“, conclui.













