O Ibovespa até ensaiou uma correção no fim do pregão desta quinta-feira (15), mas ainda assim encerrou o dia praticamente estável e em novo recorde de fechamento. O principal índice da B3 avançou 0,26%, aos 165.568,32 pontos, após ter alcançado uma máxima histórica intradia de 166.069,84 pontos no meio da tarde. O volume financeiro somou R$ 27,8 bilhões, refletindo um pregão marcado por ajustes pontuais e rotação entre setores.
O desempenho mais fraco na reta final esteve ligado principalmente à virada do mercado internacional de commodities. Com sinais de alívio nas tensões entre Estados Unidos e Irã, o petróleo despencou mais de 4% no mercado externo, reduzindo o impulso das ações do setor no Brasil. A Petrobras reagiu de forma moderada, com queda de 1,02% nas ações ordinárias, a R$ 33,89, e recuo de 0,63% nas preferenciais, a R$ 31,79. PetroRecôncavo e PRIO também figuraram entre as baixas do dia.
A Vale conseguiu limitar perdas mesmo diante da queda de cerca de 1% no minério de ferro, encerrando praticamente estável, com recuo de 0,09%, a R$ 78,85.
Nos bancos, o desempenho foi misto, mas o setor ajudou a sustentar o índice perto das máximas. O Bradesco PN subiu 2,05%, a R$ 18,90, e o Itaú avançou 0,86%, a R$ 39,94. Já o Santander recuou 2,47%, a R$ 33,14, enquanto o Banco do Brasil caiu 0,19%, a R$ 21,46.
Entre as maiores altas do pregão, a Vamos liderou os ganhos do Ibovespa, com salto de 7,61%, a R$ 3,96, seguida por Magazine Luiza (+4,05%, a R$ 8,74) e Multiplan (+2,83%, a R$ 29,45), em um movimento favorecido por ações ligadas ao consumo e à atividade doméstica.
No campo negativo, a SmartFit desabou 8,17%, a R$ 20,90, após dirigentes adotarem um tom mais cauteloso em reunião com analistas, segundo apuração do Valor. A Vivara caiu 6,56%, a R$ 27,37, e a C&A recuou 5,15%, a R$ 9,94. As ações da CSN também figuraram entre as perdas, após a companhia anunciar planos de venda de ativos, incluindo a possível alienação do controle da CSN Cimentos e participação na CSN Infraestrutura, movimento que gerou cautela entre investidores.
Outro destaque negativo foi a Azul, que registrou forte queda após a conversão das ações preferenciais em ordinárias, passando a negociar exclusivamente sob o ticker AZUL53.
No cenário doméstico, o mercado segue atento aos desdobramentos do caso Banco Master, com investidores aguardando definições relacionadas ao pagamento pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Segundo Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia-fundadora da AVG Capital, o dia foi sustentado principalmente por dados econômicos mais fortes. “O mercado se animou com os números do varejo divulgados mais cedo. As vendas cresceram 1% em novembro, acima das expectativas, mostrando uma economia aquecida mesmo com juros elevados, o que favoreceu ações de varejo e consumo”, afirmou. A analista também destacou que a queda do petróleo e o tom mais ameno do ex-presidente Donald Trump em relação ao Irã pressionaram ações do setor de energia e contribuíram para a queda do dólar e do ouro no pregão.
Assim, mesmo com perda de força no fechamento, o Ibovespa confirmou mais um recorde, sustentado por dados domésticos positivos e pela performance seletiva de ações ligadas ao consumo e ao setor financeiro.












