Os mercados financeiros iniciam esta quinta-feira, 08 de janeiro, em modo de cautela, com os investidores à espera dos dois principais indicadores da semana, o payroll dos Estados Unidos e o IPCA de dezembro, que serão divulgados amanhã. Antes disso, a agenda do dia concentra dados de atividade e emprego, além de ruídos políticos e institucionais no Brasil que seguem no radar.
No cenário doméstico, o destaque é a produção industrial de novembro, divulgada pelo IBGE. A expectativa do mercado é de estagnação, reforçando a percepção de perda de fôlego da economia no fim de 2025. Caso o dado confirme fraqueza, a leitura predominante é de que aumenta o espaço para discussões sobre o início de cortes na taxa Selic a partir de março.
De acordo com Marco Saravalle, mestre em finanças e estrategista-chefe da MSX, uma indústria com crescimento limitado tende a manter o mercado mais sensível às próximas decisões de política monetária, especialmente em um contexto de inflação ainda em observação.
Além da atividade econômica, o caso Banco Master permanece como foco de atenção. O embate entre o Banco Central e o Tribunal de Contas da União envolvendo a condução do processo de liquidação da instituição tem elevado a percepção de risco institucional. A principal preocupação entre agentes financeiros é a possibilidade de questionamentos à autonomia do Banco Central, o que poderia afetar a confiança de investidores e o fluxo de capitais para o país.
O fluxo externo segue negativo neste início de 2026, apesar de o diferencial de juros ainda favorecer estratégias de carry trade, com a Selic em patamar elevado. No campo político, cresce a expectativa de um possível veto presidencial ao projeto da dosimetria, o que pode reacender tensões entre Executivo e Congresso.
No exterior, os investidores acompanham os pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, divulgados às 10h30. A expectativa é de leve aumento, sinalizando moderação gradual do mercado de trabalho. Os dados ajudam a calibrar as apostas sobre o início do ciclo de flexibilização monetária pelo Federal Reserve, atualmente projetado pelo consenso para o segundo trimestre.
Ainda na agenda internacional, os mercados monitoram dados de comércio e estoques nos Estados Unidos, indicadores de desemprego e preços ao produtor na Europa, além dos índices de inflação ao consumidor e ao produtor na China, divulgados à noite.
No mercado financeiro, o Ibovespa encerrou o último pregão em queda, após se aproximar do recorde histórico, pressionado principalmente por ações de bancos. Petrobras e Vale ajudaram a limitar as perdas, mesmo com o petróleo permanecendo sob pressão. O WTI opera abaixo de US$ 56, influenciado por declarações do ex-presidente Donald Trump envolvendo a Venezuela e pela percepção de excesso de oferta no curto prazo.
A curva de juros segue inclinada, com ajuste de prêmios antes do primeiro leilão de títulos prefixados do Tesouro em 2026. No câmbio, o dólar apresentou leve correção, em um ambiente ainda marcado por saída relevante de capital no ano passado.
Para Saravalle, o conjunto de fatores reforça um ambiente de maior seletividade. Segundo o estrategista, a combinação entre atividade doméstica mais fraca, sensibilidade institucional e um cenário externo que caminha para uma flexibilização monetária gradual tende a manter os mercados atentos aos próximos dados, especialmente aqueles que definirão a trajetória de juros e ativos de risco nos próximos meses.
Veja mais notícias aqui.
Acesse o canal de vídeos da BM&C News.












